Atenção
Com mar quente e cristalino, Torres supera mais de 6 mil casos de queimaduras por águas-vivas; veja situação em outras praias
Animais surgem no litoral gaúcho nesta época devido a correntes marinhas, dizem especialistas

Veranistas estão pagando um preço para ter a água do mar quentinha e cristalina neste Verão. Desde a semana passada, quem curte as praias de Torres, no Litoral Norte, convive com a presença águas-vivas.
Segundo levantamento do Corpo de Bombeiros, essa é, até agora, a cidade com mais casos nesta temporada. Especialistas explicam que os animais surgem nas praias gaúchas nesta época devido a correntes marinhas — e permanecem caso as condições do mar estejam favoráveis ao seu organismo.
Até essa quarta-feira (31), último dia de 2025, a Operação Verão, do Corpo de Bombeiros, contabilizou mais de 23 mil casos de queimaduras por água-viva em todo o Litoral Norte, sendo a grande maioria em Torres, com 6.636 lesões. A fins de comparação, no ano passado, em todo o Litoral Norte, os primeiros dias de operação registraram 9,1 mil casos.
— Neste ano estamos vendo águas-vivas menores do que as do ano passado. Torres também lidera no número de casos por ter a característica de permanência. É uma praia que fica mais longe, então as pessoas tendem a ficar mais tempo. Em outras praias, o grande movimento ocorre apenas nos finais de semana — analisa o tenente-coronel Vinícius Lang, coordenador administrativo da Operação Verão.
Na sequência das localidades com mais casos de lesões por água-viva estão:
- Arroio do Sal (2.908 casos)
- Capão da Canoa (2.704)
- Capão Novo, distrito de Capão de Canoa (2.254)
Escolha pelas praias gaúchas
Especialistas afirmam que o aumento dos casos de lesões por água-viva se explica pela ação do vento Nordeste, que provoca correntes de água quente e acaba trazendo mais águas-vivas para o litoral gaúcho.
Segundo o biólogo Maurício Tavares, do Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar) da UFRGS, há diferentes tipos de águas-vivas que aparecem no litoral gaúcho. Destas, há duas que se destacam pela periculosidade.
— As duas mais comuns que têm no verão é uma água-viva menor, transparente, com tentáculos rosa e laranja, que causa as queimaduras mais frequentes todos os anos, conhecida como "reloginho". Depois, a gente tem uma outra espécie, que não é água-viva mas é desse grupo, que é a caravela portuguesa, que flutua na coluna d'água, tem os tentáculos bem compridos, coloração azul e roxa, é muito bonita. Essas duas são as que causam as queimaduras e são bem frequentes — aponta Maurício.
A reportagem esteve na Praia Grande, em Torres, na quarta-feira (31). Mesmo com chuva, os veranistas não arredaram o pé da areia. Foi somente depois do contato com uma água-viva que o estudante Leonardo Fraga, 24 anos, quis sair do mar.
— A praia está boa demais. Ontem já tinha sido pego por uma (água-viva). Mas azar, não é sempre que o mar está assim — diz Fraga.
O que fazer em caso de queimaduras?
Os bombeiros orientam que, em caso de queimaduras provocadas por águas-vivas, o primeiro passo é retirar os tentáculos e lavar a área atingida com água do mar. Em seguida, o banhista deve procurar os guarda-vidas nas guaritas, onde há vinagre disponível para o tratamento inicial.
— Não se deve utilizar urina, areia ou mesmo água potável na lesão. O recomendado é apenas vinagre e água do mar. Em caso de agravamento, é importante procurar atendimento médico — orienta o tenente-coronel Vinícius Lang.