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Estrelas da Periferia

Da dança ao audiovisual: Sophie Ferreira amplia espaços na arte e representatividade

De Alagoas, mas com o coração em Porto Alegre, multiartista transforma expressão em performances cheias de atitude

27/01/2026 - 09h17min

Atualizada em: 27/01/2026 - 09h18min


Josyane Cardozo*
Josyane Cardozo*
Assistente de Conteúdo
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Luise Arosteguy/Divulgação
"Estar em cena. para mim é estar viva", afirma a artista.

Ao ouvir melodias pelas ruas ou dentro de casa, o corpo de Sophie Ferreira já respondia a um instinto natural: dançar. Conhecida quando criança pelo apelido de “bailarina”, ela ocupou seu espaço na cidade de Arapiraca, em Alagoas, por meio do movimento e da expressão corporal. Desde cedo, sentia que seu destino estava ligado à arte.

Hoje, aos 32 anos, e morando em Porto Alegre, Sophie carrega os mesmos sonhos da infância. Atua como performer e hostess em eventos e também acumula experiências no audiovisual, com participações em filmes e séries. Para 2026, reúne o objetivo de ampliar sua presença nessas áreas e investir em novos caminhos artísticos.

O primeiro entendimento da dança como profissão surgiu ainda no Ensino Médio. Em uma atividade proposta por uma professora, Sophie criou sua primeira performance com a ajuda de um amigo.

– Ali, percebi que a performance poderia fazer parte da minha vida profissional – conta.

Atualmente, Sophie integra a companhia de dança Abelhas, de Florianópolis, e já atuou no coletivo gaúcho Bronx.

– Fazer parte da companhia Abelhas foi um divisor de águas. Foi a primeira companhia de dança da qual participei e que me deu gás para acreditar em outras possibilidades dentro da arte – relata.

Já no Bronx, a multiartista conta que a união ao coletivo fez com que “algumas portas se abrissem”. Entre as conquistas, ela se tornou hostess do festival Rap in Cena.

Referência 

Em suas performances, Sophie carrega não apenas vivências pessoais, mas também referências que atravessam sua pesquisa corporal. Entre elas, está a cantora norte-americana Beyoncé.

– Me inspiro muito na Beyoncé, principalmente na forma como ela estuda o próprio corpo enquanto artista, e também na companhia norte-americana Royal Family, que sempre me impactou pela força e pela expressão.

Além de nomes internacionais, parte importante de suas inspirações vem de artistas que compartilham trajetórias semelhantes e fazem parte de seu convívio. A conexão com a dança fortaleceu seu sentimento de pertencimento na arte, mas os planos seguem em construção.

– Tenho vontade de retomar os estudos do corpo e da dança para, no futuro, desenvolver trabalhos que vão além dos eventos e das performances – descreve.

Ao falar sobre os espaços em que atua, Sophie destaca que sua presença em eventos também faz parte de uma construção artística e política. Recentemente, participou da Parada Livre de Porto Alegre e da Parada Livre de Tramandaí, que considera fundamentais como espaços de luta e visibilidade.

Planos

Nos últimos anos, o audiovisual passou a ocupar um lugar central nos planos de Sophie. A experiência em um filme e em uma série ampliou sua percepção sobre as possibilidades de atuação para além da performance, despertando o desejo de aprofundar-se na linguagem e buscar formação na área:

– Depois de participar de um filme e de uma série, percebi que quero estar no audiovisual para além da performance. Pela primeira vez, senti que meu rosto e minha presença estariam ali de outra forma, e isso foi um novo divisor de águas na minha trajetória artística.

Para 2026, os planos envolvem a ampliação do trabalho no audiovisual, sem abandonar a relação com os palcos, que seguem como espaço fundamental de expressão.

– Quero trabalhar mais com audiovisual, mas também voltar aos palcos. Estar em cena, para mim, é estar viva. Minha intenção é fortalecer minha arte dentro de Porto Alegre – conta.

Ao refletir sobre representatividade, Sophie reforça a importância de ocupar espaços historicamente negados à população trans e deixa uma mensagem para quem acompanha sua trajetória.

– Ser uma pessoa trans não impede ninguém de chegar a esses lugares. Já existem travestis e pessoas trans ocupando espaços na dança, na música e no audiovisual, e isso prova que é possível. Não desistam dos seus sonhos. Vai demorar, a sociedade tenta nos tirar a esperança, mas, em algum momento, as coisas melhoram e dão certo.

Aqui, o espaço é todo seu!

/// Para participar da seção, mande um histórico da sua banda, dupla ou do seu trabalho solo, músicas, vídeos e telefone de contato para michele.pradella@diariogaucho.com.br

/// Entre em contato com a artista pelo Instagram: @sophiedidara

*Com orientação e supervisão de Alexandre Rodrigues


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