Tua Saúde
Janeiro Branco, um alerta à saúde mental
Campanha é um lembrete de um cuidado a ser assumido durante o ano todo, de forma preventiva, não só emergencial

Janeiro chega trazendo o peso simbólico dos recomeços. É nesse intervalo entre o que passou e o que se deseja construir que o Janeiro Branco se consolida como um chamado para pensar a saúde mental. Como explica o professor e psicólogo Cristiano Hamann, da PUCRS, falar sobre saúde mental ainda é um desafio.
— Trata-se de um tema que, por muito tempo, foi silenciado ou tratado com preconceito. Questões como cobranças excessivas, conflitos familiares, perdas, desemprego e inseguranças do dia a dia podem afetar o equilíbrio emocional e refletir diretamente na saúde física.
Para o psicólogo Matheus Quadros, supervisor do serviço de Psicologia do Hospital Mãe de Deus, o Janeiro Branco tem um papel fundamental ao dar visibilidade ao assunto.
— Falar sobre saúde mental é falar sobre equilíbrio e qualidade de vida, não apenas sobre doença. Ela não se limita à ausência de transtornos mentais, mas envolve equilíbrio emocional, social e psicológico ao longo da vida — destaca.
A campanha não propõe soluções imediatas, mas reforça a importância de um acompanhamento contínuo. A saúde mental se constrói nas relações, nas condições de trabalho, no acesso a direitos e no cuidado diário com o próprio corpo.
Prevenção
Os sinais de que algo não vai bem podem se manifestar de diferentes formas, emocionais, cognitivas ou comportamentais, e precisam ser analisados em conjunto. Os especialistas explicam que manter hábitos saudáveis é um passo importante para o bem-estar emocional.
Dormir bem, recomendado de 7 a 9 horas por noite, como reforça o psicólogo Matheus Quadros, ter uma alimentação equilibrada, evitar excessos de açúcar e carboidratos, praticar atividade física regularmente, manter vínculos afetivos e preservar o convívio social ajudam a fortalecer a saúde mental, que está diretamente ligada à saúde do corpo físico. Quando o sofrimento se prolonga ou compromete a vida cotidiana, porém, buscar ajuda profissional é fundamental.
— Não existe um momento certo para procurar apoio, mas existem momentos em que ele se torna indispensável — reforça Hamann.
Atenção aos sinais
Cristiano Hamann explica que identificar sinais de sofrimento emocional exige atenção ao cotidiano. Os principais sinais de alerta são:
/// Alterações de humor frequentes, como irritabilidade constante, tristeza prolongada ou apatia.
/// Isolamento social, com afastamento de amigos, familiares e atividades antes prazerosas.
/// Queda no rendimento no trabalho, nos estudos ou nas tarefas do cotidiano, acompanhada de dificuldade de concentração.
/// Distúrbios do sono, como insônia recorrente ou sono excessivo, que afetam a rotina.
/// Mudanças bruscas no apetite, resultando em perda ou ganho de peso rápidos.
/// Sensação contínua de cansaço, mesmo após períodos de descanso.
/// Sentimentos de inutilidade, culpa excessiva ou desesperança, que se mantêm ao longo do tempo.
/// Dores físicas sem causa aparente, como dores de cabeça ou no corpo, frequentemente associadas ao sofrimento emocional.
Onde buscar ajuda
A saúde mental é parte integrante do Sistema Único de Saúde (SUS). Diversos serviços gratuitos estão disponíveis.
/// Unidades Básicas de Saúde (UBS): O primeiro passo é buscar atendimento com um clínico geral na UBS mais próxima, que pode encaminhar o paciente a um psicólogo ou psiquiatra.
/// Centros de Atenção Psicossocial (CAPS): Esses centros oferecem atendimento especializado com equipes multidisciplinares e são organizados por faixa etária e demandas específicas, como o CAPS Infantil (CAPSi) e o CAPS para usuários de álcool e drogas (CAPSad).
/// Clínicas-Escola de Psicologia: Universidades que oferecem cursos de Psicologia dispõem de clínicas-escola, onde alunos supervisionados por professores realizam atendimentos gratuitos ou a preços acessíveis.
/// Centro de Valorização da Vida (CVV): O CVV disponibiliza apoio emocional 24 horas por meio do telefone 188 ou pelo chat online no site oficial.
*Esta reportagem foi supervisionada pelo jornalista Émerson Santos