Coluna da Maga
Magali Moraes: bem-vindo, 2026
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


Eu correria lépida e faceira pra dar as boas vindas ao novo ano, mas não posso. Minha última realização de dezembro – na tarde do dia 31 – foi quebrar um dedinho do pé. Então recebi janeiro com um sorriso e look branco, um brinde de espumante e gelo no local. A história se repete: há seis anos, também entre Natal e Ano-Novo, dei a topada clássica quebra-osso e lesionei o mindinho. Agora foi o quarto dedo. A família já botou na agenda me prender no quarto em dezembro de 2031.
Não é só uma coincidência, deve ser um recado da vida: “mulher, se tu não para quieta, vou dar um jeito de te desacelerar.” Ok, entendi a mensagem, se bem que dá pra fazer quase tudo assim. A tecnologia ortopédica evoluiu a favor dos agitadinhos: estou usando a sandália Baruk. Apesar de ser horrorosa, ela permite caminhar sem firmar no chão a frente do pé. Na hora do banho, rolos de plástico filme pra embalar e proteger o curativo. Por três semanas, essa será a minha rotina.
Aprender
Nesses momentos, eu sempre penso: poderia ser pior. E tento aprender algo com a situação. Pedir ajuda, delegar, aceitar o inesperado e o incontrolável. Casualmente estou lendo o maravilhoso livro O nome disto é vida, da jornalista Leila Ferreira. Olha esse trecho: “Aprender a aceitar que grande parte de nossas vidas está atrelada ao que não se sabe, não se planeja e, acima de tudo, não se espera talvez seja um dos mais desafiadores deveres de casa propostos pela existência.”
Taí uma boa dica pra começar o ano, ler esse livro. É uma grande entrevista com 22 pessoas de diferentes perfis sobre a busca obsessiva da felicidade, o papel das conversas e das relações interpessoais, vida online, consumismo, ansiedade, depressão, fé e finitude, o vício da pressa e a incapacidade de parar (opa). Minha outra dica é prestar atenção às quinas e qualquer superfície dura capaz de quebrar partes mínimas e fundamentais do nosso corpo.