Coluna da Maga
Magali Moraes e a mesa bamba
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


Já deve ter acontecido com você no bar ou restaurante. A mesa escolhida parece ótima, mas é só sentar em uma das cadeiras que a acompanham pra perceber que - opa! - não é tão boa assim. Está com a perna bamba, o que desequilibra qualquer conversa. Vai contar do emprego novo? O foco está no pé em falso, bem improdutivo. Vai falar sobre política? A mesa bamba não decide se é de esquerda ou de direita, só balança. Vai abrir o coração? Tá todo mundo com a cabeça no calço.
O garçom chega pra tirar o pedido: um papelzinho dobrado pra arrumar logo isso, é o que querem. E pra beber, ele pergunta. A boca pode até salivar de sede, só que não é hora. A fome é de papel. De guardanapo, de bloco, de folheto. Ou traz logo um naco de papelão de alguma caixa da despensa. Como se fosse simples. Tem a dobradura ideal (funciona na tentativa e erro). Quantas dobras resolverão o problema? O pé da mesa é de madeira, ferro ou plástico? O peso influencia no cálculo.
Proteínas
E se colocar uma tampinha de cerveja? O pessoal quer mudar de assunto, e não consegue. Quer escolher os pratos pra comer. Além de balancear proteínas e fibras, tem que ver se a comida vai se equilibrar em cima da mesa. Melhor evitar sopas. À essa altura, as fofocas esfriaram. O emprego novo já virou conversa velha. Um brinde ao garçom que endireitar a mesa! Mas que ninguém se apóie muito nela, senão a noite termina mais cedo. Vai uma sobremesa pra adoçar os ânimos?
Ah se a gente soubesse como a mesa bamba se sente. Sem firmeza, ela não deve estar muito satisfeita. Não foi à toa que pensei nisso, foi empatia. Mancando por aí com a minha botinha Baruk, sinto na pele o desequilíbrio e o desconforto de estar cambaleante, tentando encontrar o eixo. Mas tudo tem reparo. A mesa vai encontrar um calço que a nivele. E eu preciso esperar mais três longas semanas pra que um osso mínimo calcifique. Por enquanto, sigo desequilibrada.