Coluna da Maga
Magali Moraes: é fogo
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


O que aconteceu com o setor de fósforos? O pessoal desistiu da qualidade? Já testei todas as marcas. É um festival de não acende, apaga antes ou quebra no meio. Desde aquela conhecida às genéricas, a frustração é a mesma. Metade vai pro lixo, não funciona. Deveria ser simples: retira o palito da caixa, risca na lateral, a faísca surge, o foguinho acende o que você quiser e pronto. Mas não. A função se repete com um, dois, três, dez fósforos, quase todos perdidos. O que acende é a irritação.
Antes que algum fabricante diga que o problema são os meus dedos: tirando um mísero dedinho quebrado do pé, temporariamente fora de uso, todos os outros seguem ágeis e habilidosos. Voltando aos fósforos, nem os de haste longa cumprem seu papel. Antigamente eram garantia de sucesso, agora não mais. Nessa batalha inglória em busca do fogo, a gente acaba chamuscando a ponta dos dedos. Acende e apaga, acende e apaga. Repetição de movimentos, a artrose que lute.
Nostalgia
Ah, mas já inventaram acendedor automático e isqueiro. Prefiro o fósforo basicão, não me pergunte por quê. Talvez seja a nostalgia das caixinhas colecionáveis que os hotéis, bares e restaurantes ofereciam a seus frequentadores. Nunca colecionei, muito menos fumei pra precisar de uma delas. Culpa de Hollywood. O cinema com seus filmes de suspense e os dramas policiais, onde uma caixinha de fósforos revela um endereço suspeito e se torna uma pista importante na investigação.
Minha necessidade é mais vida real. Fazer fogo, como os nossos ancestrais. Acender velas quando falta luz ou pra fazer bonito na mesa posta. Se for um jantar romântico, a pólvora ruim acaba com o clima. Se for na hora do Parabéns a Você, o aniversariante tem que manter a pose (e a paciência) até que algum fósforo pegue no tranco e acenda todas as velinhas do bolo. Na sua casa também é assim? A gente só quer que o produto comprado funcione.