Notícias



Papo Reto

Manoel Soares: "Não há cobra nem toco"

Colunista escreve no Diário Gaúcho aos sábados 

24/01/2026 - 05h00min


Diário Gaúcho
Diário Gaúcho
Manoel Soares/Arquivo Pessoal
Hoje, ele reflete sobre a relação das pessoas com seus traumas

Sabe quando você tem medo de dar um passo adiante por causa de uma situação vivida no passado? Isso é um instinto animal que temos, que vai além de nossa compreensão e não necessariamente é a realidade. 

Isso me lembra uma história que ouvi na infância: um homem passava com seu cavalo ao fim do dia perto de um arbusto, na entrada da fazenda. De repente, o cavalo deu um pinote, pois viu enrolada em um toco uma cobra.

Ao tentar atacar o homem e o cavalo, a cobra foi golpeada com o facão, mas o cavalo continuou assustado por dias após o fato. Sempre que passava pela entrada da fazenda, o cavalo dava pulos, pois lembrava da cobra. O homem, para tentar acalmar seu cavalo, queimou o arbusto e decepou o toco, mas ainda assim o cavalo se assustava ao passar pelo local. No fim, para garantir a qualidade de suas obrigações diárias, teve que trocar de cavalo, pois o outro ficou sem utilidade por conta do trauma. 

Às vezes somos como esse cavalo. Os traumas limitam nossas habilidades, nos imobilizam, e olha que não estou falando somente de traumas fatais, mas de pessoas que nos ofendem, nos traem, nos humilham, situações de decepção ou desavença. Assim como o cavalo tinha medo de uma cobra que não estava mais lá, nós tememos comportamentos que estão no passado. O toco foi decepado e a cobra foi morta, mas o impacto daquele dia fez com que o cavalo perdesse sua utilidade, precisando ser trocado.

Assim também é em nossa vida. Nem sempre o mundo vai entender nossos traumas e se moldar, às vezes seremos somente deixados para trás com nossas dores. A moral é entender que não existe mais o toco nem a cobra, podemos seguir nosso caminho, ou ficaremos parados nele.





MAIS SOBRE

Últimas Notícias