Veraneio sossegado
Mar cristalino e espaço na areia: conheça praias que são refúgios para quem quer ficar longe do agito no Litoral Norte
Balneários vizinhos de badaladas praias gaúchas são opções para quem busca curtir o verão mais próximo da natureza e com mais tranquilidade

Parecem praias privativas, mas qualquer um pode acessá-las. Ficam a poucos quilômetros de distância de badaladas cidades no litoral norte gaúcho, mas não reproduzem o movimento, trânsito e agitação das áreas mais conhecidas.
A reportagem de Zero Hora visitou quatro balneários entre Torres e Arroio do Sal onde não há disputa pela faixa de areia ou caixas de som. São regiões que dividem o mesmo mar: que está quente e cristalino neste início de ano.
Duas praias pertencem ao município de Torres e duas fazem parte de Arroio do Sal. Em ambas a população não chega a mil pessoas. Contudo, esses balneários começaram a ser descobertos por veranistas da Região Metropolitana e da serra gaúcha.
Apesar da calmaria, nem tudo é perfeito. Quem opta por veranear nessas praias abre mão de algumas coisas. Não há supermercados, shoppings ou restaurantes. Se não se organizar, talvez precise mudar a receita do almoço ou pegar o carro para comprar mais insumos em cidades vizinhas.
Ainda assim, quem frequenta os locais garante que a paz vale mais que o fervo dos agitados centrinhos do Litoral Norte.
Confira os balneários visitados pela reportagem de Zero Hora.
Praia Azul (Arroio do Sal)
Na Praia Azul, que pertence ao município de Arroio do Sal, não há calçadão junto à praia e a maioria das ruas no caminho até a faixa de areia não é pavimentada. Mesmo sem muros, alguns dos caminhos parecem ser parte de propriedades privadas, então ninguém se arrisca a estacionar. O pescador Leonardo Silva de Oliveira, 28 anos, passa os verões na Praia Azul desde criança.
— Sempre vim para cá. É uma paz, jamais trocaria por outra praia. Minha avó tem casa aqui. Quando minha família descobriu essa praia, ela não era tão movimentada como é hoje, isso que o movimento ainda é baixo — diz Leonardo.

Enquanto Leonardo pescava na beira do mar, o casal Alexandre Moura, 56, e Isabel Moura, 55, tomava banho de sol. Os dois vieram de São Leopoldo para fugir do caos urbano.
O casal de aposentados peregrina por praias gaúchas e catarinenses há um ano. A Praia Azul era um dos últimos destinos que faltava da lista. Resta ainda eles conhecerem o Cassino, no sul do Estado.
O casal é aventureiro. Em vez de pagar por hospedagens, prefere acampar. Na mala, trazem barraca, mesinha, camas de campanha e até air fryer.
— Já fomos mais raiz. Hoje estamos meio "nutella" — brinca Isabel.
— Geralmente chegamos na praia às 7h30min e vamos embora 17h. A gente traz bebida e almoça no quiosque. O Alexandre até dorme depois do almoço na barraca — completa a aposentada.
Depois de conhecer todas as praias do RS e SC, o casal diz que escolherá uma para comprar uma casa e se mudar para o litoral.

Rondinha (Arroio do Sal)
Além de não ter calçadão, a praia de Rondinha, também em Arroio do Sal, conta com ainda menos estrutura do que a vizinha Praia Azul. Ao caminhar pelas ruas se vê pouco comércio e muitos terrenos vazios - incluindo áreas de destaque na beira-mar.
A faixa de areia é pouquíssimo disputada, parece um deserto. No raio de quase 1 quilômetro, a reportagem avistou apenas um quiosque. O dono do estabelecimento é Islan Fransischetto, 38, que se mudou para a cidade ainda quando era criança.
— O movimento aqui até que é razoável, dá para viver (do quiosque). A praia não é muito grande, então movimenta mesmo no Carnaval e na virada do ano. Gira muito o público que vem aqui, mas temos aquele cliente fiel que é morador — conta Islan.
Fora da temporada, Islan fecha o quiosque e se sustenta com a pesca. Natural de Veranópolis, na Serra, o pequeno empreendedor lembra que foi parar na cidade por causa dos pais, que já veraneavam no local.

Assim como Islan, veranistas e outros moradores pedem que o calçadão de Arroio do Sal se estenda até Rondinha. Para isso, no entanto, são necessárias desapropriações de casas e autorizações da Fepam.
Mesmo sem calçadão, moradores locais tentam criar focos de comércio e gastronomia. Em uma quadra junto à faixa de areia, o artesão Antônio Ribeiro, 57, construiu casinhas de madeira para seus filhos trabalharem. Em uma das estruturas são vendidas bebidas e na outra, churrasquinhos.

Há 10 anos, Antônio fechou seu bar em Bento Gonçalves e foi morar na praia. Isso aconteceu após muita insistência dos filhos.
— Os piás pediam demais. A gente já veraneava aqui e uma hora eu cedi — lembra Antônio.
Foi sentindo a brisa do mar que ele aprendeu sua nova vocação: fazer objetos talhados com madeira. Ele os vende para outros negócios e também para famílias que vieram morar na praia. Segundo ele, muitas vieram na pandemia e na enchente.
Isso é qualidade de vida. A gente dorme ouvindo o barulho do mar.
ANTÔNIO RIBEIRO
Artesão
Praia Paraíso (Torres)

O nome se justifica. A Praia Paraíso fica a 18 quilômetros do centro de Torres, tem tranquilidade e amplo espaço. O balneário conta com mais infraestrutura do que as pequenas praias de Arroio do Sal.
Tem calçadão, minimercados e uma única barraca de crepe. Um restaurante na beira da praia é ponto de encontro dos veranistas locais.
De Estância Velha, o casal Marcos Roberto da Silva, 45, e Márcia dos Reis, 38, planeja se mudar para a Praia Paraíso em breve. Enquanto o sonho ainda não é concretizado, aproveitam por ali o verão, já que a mãe de Marcia tem casa na cidade.
Quem vem, gosta. A água é limpa como nas praias mais badaladas de Torres.
MARCOS ROBERTO DA SILVA
— O que mais apreciamos é a tranquilidade e o sossego. Pegamos nossas bikes e viemos dar uma pedalada para cá no final da tarde. O dia sempre termina de frente para o mar — completa a esposa.
O veranista Diego Ferreira da Silva gosta tanto da praia que saiu de onde está alugando casa neste verão, na Praia Real, para passar a tarde da segunda-feira (5) no balneário vizinho. Ele estava acompanhado do filho Joaquim e da afilhada Heloísa.

— Aqui não tem guarda-sol um em cima do outro e nem caixas de som. É sempre tranquilo. Até nos dias mais movimentados a praia é vazia. Um clima totalmente familiar — descreve Diego.
Itapeva (Torres)
Para quem não quer ir muito longe e ainda assim deseja fugir do agito das praias mais famosas de Torres, uma boa opção é Itapeva.

O bairro torrense possui cerca de 6 quilômetros de extensão, e está localizado depois do Parque da Guarita. Fica dentro do Parque Estadual da Itapeva, que também é uma unidade de preservação com fauna e flora silvestre.
É a natureza da paisagem que pesou na escolha do veranista Paulo Airton Hartmann, 55. Ele comprou um imóvel na região, e depois de anos alugando apartamento na região, terá casa própria neste verão.
— Juntamos nossas economias, compramos um terreninho e fizemos uma casa. Construímos para comportar toda a família. Estar junto a esta área de preservação é muito bom. Adoro fazer caminhadas e andar de bicicleta na reserva — diz Paulo.
— É uma praia bem familiar. Tem bastante criança. No Ano Novo dá mais movimento, mas normalmente é bem tranquilo. Quando queremos passear ou fazer compras vamos ao centro de Torres. De resto, ficamos por aqui — completa a esposa de Paulo, Luciane.
