Notícias



Cuidados

Por que o RS tem tantas águas-vivas? O que fazer em caso de queimadura? Entenda

Mais de 23 mil ocorrências foram contabilizadas nesta temporada, evidenciando a necessidade de esclarecimentos sobre o tema

05/01/2026 - 09h24min


Zero Hora
Enviar E-mail

O litoral gaúcho tem registrado aumento expressivo nos casos de queimaduras causadas por águas-vivas. Segundo dados recentes, mais de 23 mil ocorrências foram contabilizadas nesta temporada.

A maior presença das águas-vivas no mar do Rio Grande do Sul está relacionada a fatores ambientais, climáticos e ecológicos. O prolongamento dos verões, aliado à presença de pessoas nas praias por mais tempo, contribui para o aumento das ocorrências. Além disso, a corrente do Brasil, que traz águas quentes do norte para o sul do país, favorece a migração desses animais para o litoral gaúcho. 

O ciclo de vida das águas-vivas também influencia a incidência de queimaduras. Elas se reproduzem com maior frequência durante o verão, época em que as condições de temperatura e disponibilidade de alimento são mais favoráveis. 

Outro aspecto relevante é o declínio das populações de tartarugas marinhas, predadores naturais das águas-vivas. A pesca predatória, especialmente em alto-mar, tem reduzido significativamente o número desses animais, agravando o desequilíbrio ecológico. 

— Estamos perdendo os predadores naturais das águas-vivas — alerta a bióloga marinha, professora e cientista da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Carla Menegola.

A falta de fiscalização adequada, devido à extensão da costa brasileira e à carência de recursos, dificulta o controle da pesca ilegal, ampliando o impacto sobre as tartarugas e, consequentemente, sobre a proliferação das águas-vivas.

Águas-vivas são importante para equilíbrio ecológico

Carla Menegola explica que as águas-vivas desempenham papel fundamental no equilíbrio ecológico dos oceanos. 

Dotadas de um mecanismo de defesa e alimentação, elas liberam toxinas através de células presentes em seus tentáculos. Essas toxinas, que servem para paralisar pequenos animais marinhos, provocam sensação de queimadura ao entrar em contato com a pele humana. 

— Não deve ser interpretado como um ataque, e, sim, como uma defesa do animal — explica, reforçando que o contato é resultado do ciclo natural desses organismos, que são levados pelas ondas de forma passiva, e não de uma ação agressiva.

O que fazer em caso de queimaduras

O uso de vinagre de álcool é indicado para aliviar os sintomas das queimaduras, devendo ser aplicado imediatamente após o contato. 

— Causa um alívio quase que imediato — diz Carla Menegola, que recomenda que os banhistas levem vinagre para a praia. 

O uso de água doce, por outro lado, deve ser evitado, pois pode agravar a lesão ao estimular a liberação adicional de toxinas.

Em situações de reação alérgica ou persistência dos sintomas, é fundamental procurar atendimento médico em unidades de saúde. 



MAIS SOBRE

Últimas Notícias