Cuidados
Por que o RS tem tantas águas-vivas? O que fazer em caso de queimadura? Entenda
Mais de 23 mil ocorrências foram contabilizadas nesta temporada, evidenciando a necessidade de esclarecimentos sobre o tema
O litoral gaúcho tem registrado aumento expressivo nos casos de queimaduras causadas por águas-vivas. Segundo dados recentes, mais de 23 mil ocorrências foram contabilizadas nesta temporada.
A maior presença das águas-vivas no mar do Rio Grande do Sul está relacionada a fatores ambientais, climáticos e ecológicos. O prolongamento dos verões, aliado à presença de pessoas nas praias por mais tempo, contribui para o aumento das ocorrências. Além disso, a corrente do Brasil, que traz águas quentes do norte para o sul do país, favorece a migração desses animais para o litoral gaúcho.
O ciclo de vida das águas-vivas também influencia a incidência de queimaduras. Elas se reproduzem com maior frequência durante o verão, época em que as condições de temperatura e disponibilidade de alimento são mais favoráveis.
Outro aspecto relevante é o declínio das populações de tartarugas marinhas, predadores naturais das águas-vivas. A pesca predatória, especialmente em alto-mar, tem reduzido significativamente o número desses animais, agravando o desequilíbrio ecológico.
— Estamos perdendo os predadores naturais das águas-vivas — alerta a bióloga marinha, professora e cientista da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Carla Menegola.
A falta de fiscalização adequada, devido à extensão da costa brasileira e à carência de recursos, dificulta o controle da pesca ilegal, ampliando o impacto sobre as tartarugas e, consequentemente, sobre a proliferação das águas-vivas.
Águas-vivas são importante para equilíbrio ecológico
Carla Menegola explica que as águas-vivas desempenham papel fundamental no equilíbrio ecológico dos oceanos.
Dotadas de um mecanismo de defesa e alimentação, elas liberam toxinas através de células presentes em seus tentáculos. Essas toxinas, que servem para paralisar pequenos animais marinhos, provocam sensação de queimadura ao entrar em contato com a pele humana.
— Não deve ser interpretado como um ataque, e, sim, como uma defesa do animal — explica, reforçando que o contato é resultado do ciclo natural desses organismos, que são levados pelas ondas de forma passiva, e não de uma ação agressiva.
O que fazer em caso de queimaduras
O uso de vinagre de álcool é indicado para aliviar os sintomas das queimaduras, devendo ser aplicado imediatamente após o contato.
— Causa um alívio quase que imediato — diz Carla Menegola, que recomenda que os banhistas levem vinagre para a praia.
O uso de água doce, por outro lado, deve ser evitado, pois pode agravar a lesão ao estimular a liberação adicional de toxinas.
Em situações de reação alérgica ou persistência dos sintomas, é fundamental procurar atendimento médico em unidades de saúde.