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Estrelas da Periferia

Posada reflete própria história em lançamento de novo álbum

Multiartista realizou o pré-lançamento de “Flecha Envenenada” na última sexta-feira, no Espaço Marcelina, em Porto Alegre

20/01/2026 - 10h49min


Diário Gaúcho
Diário Gaúcho
Igor de Paula/Divulgação
Trabalho carrega também vivências no RS.

Mulher, indígena, DJ e outras tantas nomenclaturas podem descrever Paula Posada, 32 anos. A multiartista, que viveu a infância no Rio Grande do Sul, reuniu as experiências no Pará, Estado da mãe, e a descendência colombiana, vinda do pai, para criar o álbum Flecha Envenenada.

Graduada em Música Popular pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Posada desenvolveu sua pesquisa artística a partir da relação entre corpo, território e memória. Sua atuação atual se concentra na música eletrônica e na música urbana.

A nova obra autoral da artista nasceu de sua vivência como mulher indígena em contexto urbano. Ela conta que um momento emblemático do processo de criação foi a pandemia, período em que realizou um exercício de autoconhecimento.

— Na pandemia, teve esse momento mais específico, mais íntimo e individual, que possibilitou olhar para a minha história, para a minha identidade, minhas dores e minhas conquistas — relata.

Ela destaca que, em 2019, havia passado por um período de formação ao participar de uma residência artística, vivenciando novas experiências que serviram como um laboratório e espaço de criação:

— Tudo isso, com certeza, me levou por esse caminho de produzir músicas e beats. Eu lancei coletâneas nesse período e comecei a escrever mais meus poemas e minhas músicas.

Mistura de ritmos

No mesmo período, a artista finalizava a faculdade de Música, o que permitiu que Flecha Envenenada tomasse forma.

— O álbum foi o título do meu trabalho de conclusão. Então foi a partir dessa narrativa de me colocar como essa artista indígena em contexto urbano, envolvida nesses movimentos de ocupação de espaços públicos, e de contar a minha trajetória dentro e fora da universidade pública — conta.

Em paralelo, a obra possibilitou que Posada fizesse um resgate de identidade, descrito por ela como uma forma de expressão, de se colocar no mundo e de se fortalecer em um momento marcado por desafios.

O disco mistura música urbana latina, eletrônica e memória ancestral. Para a multiartista, ver suas referências traduzidas em música surgiu de forma natural e orgânica, por já estar inserida nos movimentos que a inspiraram.

— Eu me permiti criar algo que trouxesse um pouquinho de cada uma dessas cenas, junto com as minhas histórias, minhas narrativas e o meu dia a dia, muito nessa busca de trazer algo novo, original, com a minha cara e que me represente — relembra.

A arte no mundo

Entre as inspirações, ela destaca a riqueza cultural dos territórios em que pôde conviver e absorver histórias, como o Rio Grande do Sul, o território amazônico, o colombiano e as influências latino-caribenhas. Segundo ela, foi importante conseguir concentrar toda essa diversidade de sonoridades no disco.

A partir de vivências ligadas a manifestos artísticos, Posada propõe reflexão e ampliação do conhecimento como parte do lançamento do projeto. Para além do álbum, Flecha Envenenada se desdobra em show, formação e debate:

— Para mim, Flecha Envenenada, além de dar nome ao álbum, representa muito os movimentos nos quais eu acredito.

Gratidão

Ao refletir sobre a multiplicidade de frentes em que atua, entre pistas, estúdios, ações formativas e curadoria cultural, Posada avalia que esse percurso revela a forma como se construiu enquanto artista.

– Ao longo desses anos, sempre me permiti experimentar diferentes linguagens musicais – afirma.

Segundo ela, essa compreensão se tornou mais clara recentemente, a partir de uma maior consciência sobre a própria caminhada. O álbum Flecha Envenenada possui oito faixas, com participações especiais de outros artistas. O pré-lançamento ocorreu na última sexta-feira, no Espaço Marcelina, em Porto Alegre. 

Em um evento aberto ao público, a artista propôs que a chegada da obra reunisse, majoritariamente, mulheres, pessoas negras, indígenas e LGBT+. Sobre o evento de pré-lançamento, Posada afirma que a experiência foi marcada por gratidão, orgulho e sensação de realização:

— Foi muito legal ver como as músicas tocaram cada uma das pessoas que estavam lá.

Segundo ela, a experiência trouxe energia e expectativa para os próximos passos do projeto:

— O espaço se transformou em um momento de trocas, convivência e afirmação coletiva. 

Anota aí

O lançamento oficial do álbum nas plataformas digitais ocorrerá em breve e será divulgado no Instagram @barraposada.

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