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Raio X das estações da Trensurb: problemas de manutenção geram queixas de usuários

Quem utiliza o serviço reclama de falhas na estrutura das estações e de demora para o conserto. Enchente de 2024 e vandalismo são as causas, diz a empresa.

23/01/2026 - 14h02min

Atualizada em: 23/01/2026 - 14h03min


Gabriel Vieira*
Gabriel Vieira*
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André Ávila/Agencia RBS
Em São Leopoldo, sanitários e escadas rolantes precisam de reparos.

De estação em estação, usuários da Trensurb se deparam com problemas estruturais que interferem diretamente na rotina de quem depende do transporte metroviário para circular pela Região Metropolitana. Banheiros interditados e equipamentos sem funcionamento adequado estão entre as principais reclamações.

Um dos relatos chegou ao Diário Gaúcho por meio do WhatsApp. O vendedor Fabrício, de 45 anos, afirma que a situação tem se repetido nas estações que utiliza com mais frequência.

– Em São Leopoldo, desde novembro os banheiros estão fechados em qualquer horário do dia. Na estação Esteio, a mesma coisa, e pode até fazer mais tempo – relata.



Segundo o usuário, as áreas destinadas aos sanitários também estão isoladas há meses, sem informações visíveis sobre previsão de reabertura. Além disso, na estação Esteio, as escadas rolantes também estão fora de operação, obrigando os passageiros a utilizarem as escadas fixas. 

A situação se agrava  para pessoas com mobilidade reduzida, idosos ou usuários com algum tipo de limitação física, que enfrentam dificuldades para acessar a estação ou circular pelo local.


Insatisfação

O vendedor afirma que já registrou reclamação na Ouvidoria da Trensurb, mas não recebeu retorno nem prazo para a resolução dos problemas.

– A gente paga a passagem e, no dia que precisei, não consegui usar o banheiro. Eu desço na estação e tenho que ir até a parada para pegar um ônibus para Cachoeirinha, é complicado – conta.

Além das estações de Esteio e São Leopoldo, outros pontos da linha metroviária também apresentam falhas estruturais. Segundo relatos de usuários, além dos problemas já citados, os elevadores de algumas estações também não estão funcionando. Há a cobrança por mais transparência sobre os reparos.


O raio X da situação

A reportagem procurou a Trensurb, solicitando um balanço sobre as estações que apresentam problemas e previsão para manutenção. Em nota, a empresa informa que conta com 50 escadas rolantes nas estações, das quais 42 estão funcionando. As oito escadas temporariamente desativadas encontram-se nas estações Mercado, Rodoviária, Mathias Velho, Luiz Pasteur, Unisinos, São Leopoldo (duas) e Rio dos Sinos. Leia na íntegra o que diz a Trensurb:

/// “No caso da estação Mercado, a escada rolante de acesso externo foi afetada pela enchente de 2024, porém, por questões de segurança, os serviços de recuperação devem ser realizados somente após a conclusão das obras do acesso à estação, com a instalação de novos portões, o que deve ser executado até março.

/// Na estação Rodoviária, a escada está funcional, porém, devido aos impactos da enchente, no momento não há energia suficiente para seu uso. O restabelecimento do funcionamento depende da instalação de uma nova subestação elétrica no local, que deve estar operacional ainda no primeiro semestre.

/// Na estação Luiz Pasteur, a escada passa por inspeção e manutenção geral e preventiva. O processo consiste na desmontagem, inspeção e limpeza de todos os componentes da escada, com a recuperação ou substituição deles conforme necessário. A retomada do funcionamento deve ocorrer ainda em janeiro.

/// Na estação São Leopoldo, há um problema de infraestrutura elétrica que necessita de uma intervenção mais complexa e impede o funcionamento de duas escadas rolantes. A empresa trabalha para viabilizar uma solução, porém ainda não há previsão de retomada do funcionamento.

/// As demais escadas encontram-se desativadas por questões de manutenção corretiva, porém não temos previsão de restabelecimento do funcionamento no momento. Quando há uma falha, a empresa contratada responsável pelos reparos é acionada e busca solucionar o problema da forma mais breve possível, porém, eventualmente, é necessária a substituição de componentes que precisam ser encomendados, o que pode estender o tempo de conserto.

Elevadores e sanitários

/// Quanto aos elevadores das estações, de um total de 35, dois estão inoperantes: um, na estação Rio dos Sinos, por necessidade de reparo na caixa de corrida, porém não temos previsão para o restabelecimento de sua operação; já o da estação Anchieta apresentou falha na quarta-feira e a empresa contratada responsável pela manutenção já foi acionada.

/// A estação Mercado possuía duas plataformas elevatórias hidráulicas que já apresentavam problemas antes da enchente e agora estão em processo de substituição por elevadores convencionais similares aos de outras estações, previstos para entrar em operação em março.

/// Quanto aos sanitários, de um total de 70, há 16 interditados, nas estações Mercado, Fátima, Mathias Velho, Petrobras, Esteio, Sapucaia e São Leopoldo. Infelizmente, diversos banheiros têm passado por ocorrências de vandalismo, mau uso e furto de equipamentos, gerando sua interdição. 

/// Devido à prioridade dada a adequações necessárias em função das enchentes de 2024, a mão de obra e os recursos do contrato de manutenção predial vigente têm sido insuficientes para dar conta também das necessidades de manutenção dos sanitários. Porém está sendo montada uma força-tarefa da equipe da empresa contratada responsável para permitir a liberação desses banheiros nas próximas semanas. 

Especificamente no caso da estação Mercado, historicamente, a pressão da água fornecida pelo Dmae fica baixa na região, gerando problemas de abastecimento e a interdição de sanitários. Para contornar esse problema, a Trensurb está estudando a possibilidade de aquisição de reservatório e bomba adicionais.

/// Ao flagrar algum tipo de vandalismo às estações, as denúncias podem ser realizadas por meio de ligação para o telefone (51) 3363-8026 ou envio de SMS para (51) 98463-9863. Ambos os números estão disponíveis, 24 horas por dia, para situações de urgência ou emergência”.


*Com orientação e supervisão de Émerson Santos


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