Vai de ônibus?
Salas de espera, banheiros e lancherias: como estão as rodoviárias do Litoral Norte
Pontos de embarque e desembarque nas praias apresentam diferenças de estrutura



O verão movimenta as praias gaúchas, e muitos veranistas optam por viajar de ônibus. Com o aumento do fluxo de passageiros, a qualidade da infraestrutura oferecida nas rodoviárias impacta quem utiliza o serviço. Salas de espera, lancherias, banheiros e limpeza estão entre os pontos mais observados pelos usuários.
No Litoral Norte, seis cidades contam com rodoviárias. A reportagem de Zero Hora esteve em Balneário Pinhal, Cidreira, Tramandaí, Imbé, Capão da Canoa e Torres para verificar as condições dos locais. Confira abaixo:
Balneário Pinhal
Balneário Pinhal conta apenas com uma agência rodoviária, localizada na Rua João Guimarães Chiden. O ponto é administrado pela empresa Expresso Palmares.
A compra de bilhetes ocorre em um contêiner instalado em uma praça, enquanto a espera pelos ônibus acontece no outro lado da rua, próximo a uma lancheria. Entre os boxes destinados aos coletivos, há alguns bancos de concreto. O local não conta com banheiros e nem com sala de espera.
Morador de Capivari do Sul, Gerson Matos, 57 anos, utiliza semanalmente a linha intermunicipal para ir até Pinhal. Segundo ele, os principais problemas são a oferta de horários, limpeza e ausência de banheiros:
— São poucos horários de ônibus. Hoje mesmo esperei 1h30min na parada. Falta muita estrutura para um município desse tamanho. Não tem banheiro nem bebedouro para esses dias de calor, fora o lixo espalhado no chão.
Procurado, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) afirma que, como o município conta apenas com um ponto de venda de passagens, não é obrigatória a oferta de banheiros para atendimento ao público.
Capão da Canoa
Com a estrutura mais ampla do Litoral Norte, a rodoviária de Capão da Canoa funciona na Rua João Cristiano Scheffer Filho. O terminal movimenta cerca de mil passageiros por dia e dispõe de banheiros adaptados, fraldários, lanchonetes e espaço de espera.
Mas o município deve ganhar uma nova rodoviária. O terminal será construído em um terreno da prefeitura, na Avenida Paraguassu com a Rua Alfa do Centauro, próximo à Praia Arco-Íris. A área fica a cerca de três quilômetros do prédio atual.
A mudança é necessária porque, em julho do ano passado, o proprietário do imóvel onde funciona a atual rodoviária vendeu o terreno a uma construtora. Segundo a prefeitura, o processo está em análise pelo Executivo e ainda não há previsão para o início das obras.
Cidreira
Localizada no centro da cidade, a rodoviária de Cidreira possui banheiros masculinos, femininos e adaptados para pessoas com deficiência. O espaço, também administrado pela Expresso Palmares, conta com sala de espera e lancheria.
Conforme trabalhadores do local, além das viagens entre municípios do Litoral, há partidas para Porto Alegre e cidades do Vale do Sinos.
Entre os pontos destacados por passageiros estão as dificuldades em relações as ofertas de horários para os trajetos.
Imbé
Instalada na Avenida Paraguassu, a rodoviária de Imbé é administrada pela empresa Castelani Ltda. Embora simples, a estrutura conta com áreas cobertas, banheiros e lancheria. No entanto, não há local determinado como sala de espera.
A partir do terminal, saem ônibus para cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Torres
Funcionando em uma sede considerada provisória, a Estação Rodoviária de Torres fica na Estrada do Mar. O espaço é pequeno e opera junto a um restaurante. A estrutura conta com banheiros e uma área reduzida para espera.
O principal problema apontado pelos passageiros é a localização, afastada do centro da cidade. Para quem utiliza o serviço diariamente, a situação se torna ainda mais complicada, como relata a moradora Marli Schutt Pereira, 58 anos:
— Eu uso todo fim de semana. É sempre complicado porque fica longe de tudo. A gente desce aqui e precisa pegar um carro para ir até o centro. A outra rodoviária tinha acesso melhor.
O prédio onde funcionava a antiga estação, na região central da cidade, era alugado. Não houve interesse dos proprietários em manter o contrato com a empresa que administra o terminal, a Kurz e Leal Ltda. No entanto, mesmo fechado, passageiros de linhas intermunicipais seguem desembarcando no local.
Tramandaí
Em novo endereço desde 2022, a rodoviária de Tramandaí está instalada em uma antiga garagem de ônibus, na Rua Saldanha da Gama. O local foi reformado e tem banheiros adaptados, sala de espera e lancherias.
No entanto, os boxes de estacionamento dos ônibus são divididos em dois pontos. Parte dos passageiros aguarda no acesso principal, enquanto outra espera sob uma estrutura de concreto no meio do terreno. Para quem precisa esperar o coletivo que partem desta estrutura, opta por sentar no chão de concreto.
Uma moradora de Bento Gonçalves, na Serra, que prefere não se identificar, relatou que caiu ao descer de um ônibus. Segundo ela, as plataformas são baixas e não há rampas de acesso.
— Eu veraneio aqui há anos e nunca pensei que fosse cair. Na hora de descer, não tem uma lomba ou algo que ajude, eu caí direto no chão. Fora que aqui (na rua) não tem nem lugar para sentar. Eu não gostei dessa rodoviária — disse.
O local é administrado pela Stradale Terminais Rodoviários. A reportagem tentou contato com a empresa, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto para manifestação.
Como é feita a fiscalização
Os terminais rodoviários são fiscalizados pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), autarquia responsável pela gestão do transporte rodoviário no Rio Grande do Sul.
Conforme o órgão, no Litoral Norte existem estações rodoviárias em Capão da Canoa, Cidreira, Imbé, Osório, Torres e Tramandaí. Em Balneário Pinhal, funciona uma agência rodoviária.
Em 2022, a estação de Arroio do Sal foi fechada em razão da falta de interessados em administrar o espaço. Os terminais de Maquiné, Terra de Areia e Três Cachoeiras também deixaram de funcionar.