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Desafios de acessibilidade 

Um ano após reabertura, estação Mercado da Trensurb segue sem elevadores por conta da enchente

Problema afeta pessoas com deficiência ou com dificuldades motoras. Dois novos elevadores devem ser instalados até março

07/01/2026 - 11h45min


Sofia Lungui
Sofia Lungui
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Duda Fortes/Agencia RBS
Na falta dos elevadores, escadas rolantes têm sido usadas para conduzir pessoas com deficiência na estação Mercado.

Um ano após a reabertura, em dezembro de 2024, a estação Mercado da Trensurb segue sem elevadores, danificados por conta da enchente em Porto Alegre. Os equipamentos servem para conduzir pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida ao embarque e desembarque, ou ainda idosos, gestantes, pessoas com carrinho de bebê ou bagagens pesadas.

Com obra em andamento, a Trensurb informa que até o início de março de 2026 devem ser instalados dois novos elevadores na estação em frente ao Mercado Público. Os novos equipamentos irão substituir os antigos, que já apresentavam falhas de funcionamento antes da enchente.

— Antes do alagamento, tínhamos duas plataformas elevatórias, um tipo de elevador, só que hidráulico. Elas já estavam com a manutenção antiga, então, funcionavam parcialmente. Agora, teremos elevadores elétricos, mais modernos, do mesmo tipo que já temos em outras estações — afirma o chefe do Setor de Projetos e Obras da Trensurb, Alexandre Morcinek.

Morcinek informa que os elevadores estão sendo fabricados, enquanto o local para receber as estruturas é preparado. No embarque, a área onde ficará o novo equipamento ainda não passou por intervenções.

Ajuda de funcionários

Sem elevadores, os usuários da estação Mercado que possuem deficiência física ou dificuldades motoras dependem de auxílio de funcionários para serem conduzidos na chegada ou saída da plataforma. É o caso de Aline Barbosa, 35 anos, que usa cadeira de rodas.

— Onde peguei o trem tinha elevador, na estação Niterói, mas aqui não tem. Aqui tenho que esperar para o moço me descer. Eles preferem que eles façam para não dar nenhum problema — conta a moradora de Canoas, que utiliza o trem ocasionalmente e foi conduzida pela escada rolante por um funcionário.

A estação conta com cadeira de rodas e "garaventas", plataformas portáteis utilizadas para condução de pessoas com deficiência em escadas fixas, além de rampa para acesso à estação. Mas, para embarque e desembarque de cadeirantes na plataforma, tem sido usada a escada rolante, mesmo não sendo um equipamento de acessibilidade.

A estação também dispõe de banheiros acessíveis na área de embarque, que, nesta segunda-feira (5), estavam interditados para manutenção. Conforme a Trensurb, trata-se de manutenção de rotina, sem relação com problemas da enchente.

— Contando todas as estações, estamos atendendo com 82% de acessibilidade. É difícil alcançar 100%, porque, ano a ano, vão mudando as normas, as leis. Então, estamos sempre correndo atrás — complementa Morcinek.

Melhorias

A obra que prevê instalação de novos elevadores na estação Mercado contempla uma série de outras intervenções, abrangendo também as estações Rodoviária, São Pedro e Farrapos, na Capital. Os serviços vão além das reformas emergenciais feitas após a enchente, para retomada do funcionamento das estações. O novo contrato foi assinado em abril de 2025, com vigência de 12 meses.

Em relação à acessibilidade, uma das melhorias é a implantação de faixa de segurança para pedestres próximo à saída lateral do Mercado Público, ligando diretamente à rampa de acessibilidade de acesso à estação, na Av. Júlio de Castilhos. Também está prevista construção de rampa de acesso à estação Rodoviária, com início da reforma em março.

Escada rolante interditada

Mateus Bruxel/Agencia RBS
Escadas rolantes externas estão interditadas na estação Mercado.

As escadas rolantes externas da estação Mercado, interditadas desde a enchente de 2024, só serão recuperadas e reativadas após a conclusão das obras do acesso ao terminal, com a instalação dos novos portões. Os trabalhos devem ser executados até março.

— Vi que tem escadas interditadas. Às vezes para de funcionar, por questão de manutenção. Mas acho que agora está normalizando, à vista do que era logo depois da enchente — relata a diarista Glaci Silva, 63 anos, que mora em Esteio e usa diariamente o meio de transporte.

Os aparelhos servem para melhorar o fluxo interno das estações e são utilizados frequentemente por pessoas com mobilidade reduzida, como idosos que usam bengala. Estão funcionando normalmente as escadas fixas e a rampa de acesso, assim como as escadas rolantes internas, que dão acesso à plataforma e foram reativadas em dezembro de 2024.

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