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Altura, material e posição de dormir: como escolher o travesseiro ideal para ter uma boa noite de sono
Guia reúne os principais pontos para entender o que avaliar na hora da compra e como adaptar a escolha às suas necessidades

Escolher um travesseiro parece uma decisão simples, até perceber que ele pode ser o responsável tanto por uma noite de sono restauradora quanto por aquele torcicolo que insiste em aparecer pela manhã. Altura, posição em que você dorme e até o formato dos seus ombros influenciam no conforto e no cuidado com a coluna.
E, como cada pessoa dorme de um jeito, não existe um "travesseiro universal", mas sim o travesseiro ideal para cada um.
Zero Hora construiu este guia, que reúne os principais pontos de atenção para ajudar a entender o que considerar na hora da compra e como adaptar a escolha às suas necessidades e particularidades. Para isso, conversou com o chefe do Serviço de Neurocirurgia do Hospital Cristo Redentor (HCR) e membro do Projeto Educa Dor, Ericson Sfreddo, e com o chefe do Serviço de Ortopedia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Lucas Jacobus.
Como escolher o melhor travesseiro
O médico Ericson reforça que, antes de analisar as características do produto, é essencial observar as do próprio corpo. Não existe um modelo universal: o travesseiro ideal varia conforme a estrutura anatômica de cada pessoa e a posição em que ela costuma dormir.
O especialista Lucas Jacobus destaca também que o ponto-chave da escolha é o alinhamento da coluna cervical. O travesseiro precisa manter a cabeça na mesma linha do tronco, sem forçar o pescoço para frente, nem deixá-lo inclinado para trás ou para os lados.
Atente-se para o seu biotipo
O biotipo é importante para selecionar a altura do travesseiro porque cada corpo ocupa um espaço diferente entre o ombro e a cabeça, e esse “vão” precisa ser preenchido de forma adequada para manter a coluna cervical alinhada durante o sono. Por exemplo:
- Ombros largos: pessoas com essa estrutura requerem travesseiros maiores e mais altos, especialmente para quem dorme de lado
- Ombros estreitos: precisam de menos altura para manter o eixo da coluna
- Pescoço mais longo: exige boa sustentação, normalmente alturas médias a altas
- Pessoas menores e baixas: tendem a se adaptar melhor a travesseiros de altura baixa a média
- Pessoas mais pesadas: tendem a preferir um modelo um pouco mais alto e firme
- Pessoas mais leves: podem se adaptar melhor aos mais baixos e macios
Entenda qual a sua posição de dormir
Cada posição de dormir exige um apoio diferente para manter o alinhamento. Como a cabeça assume inclinações distintas, o travesseiro deve compensar essas variações para mantê-la no mesmo eixo do tronco.
- Dorme de lado: o travesseiro deve ajudar a manter a coluna cervical alinhada, por isso prefira os mais altos e firmes. Ele deve preencher completamente o espaço entre o ombro e a cabeça
- Dorme de costas: o produto deve ser capaz de sustentar a cabeça sem elevá-la demais. O ideal é um travesseiro de altura média, com firmeza moderada
- Dorme de bruços: a orientação é evitar essa posição. Mas, caso mantenha o hábito, procure um bem baixo, macio ou nenhum
Verifique a espuma e a sustentação

A espuma é um dos elementos que mais determinam a sustentação do travesseiro. Por isso, entender as diferenças entre os tipos disponíveis no mercado ajuda a escolher um modelo que ofereça conforto e apoio. Mais importante do que a marca ou a tecnologia é que o produto mantenha a capacidade de alinhar cabeça e pescoço até a manhã seguinte.
- Espuma comum (poliuretano): é a mais tradicional, encontrada em diferentes densidades. Pode oferecer bom custo-benefício, mas perde a forma mais rápido
- Viscoelástico (memory foam): molda-se ao contorno da cabeça. Oferece boa sustentação, porque distribui a pressão e mantém a curvatura natural do pescoço
- Látex: destaca-se pela firmeza e pela sustentação uniforme. Costuma ser mais caro
- Pena/pluma: são bem macios, mas oferecem pouco suporte
Teste a capacidade de manter a forma durante a noite
O atributo do travesseiro de manter a forma, de voltar ao formato inicial após o uso e também de não deformar ao longo dos meses, é uma característica a ser considerada.
Essa capacidade é percebida quando o usuário muda de posição ou no dia seguinte. É uma medida de durabilidade e estabilidade do material, não necessariamente de apoio.
- Um travesseiro de látex, por exemplo, costuma manter a forma muito bem e oferecer boa sustentação
- Já um travesseiro de pluma, apesar de macio e aconchegante, mantém pouco a forma e oferece baixa sustentação
- O viscoelástico (memory foam) retorna de modo mais lento, mas oferece boa sustentação para muita gente
Alergias e sensibilidade
Pessoas com rinite, asma ou sensibilidade a ácaros, poeira e fungos se beneficiam de modelos feitos com materiais hipoalergênicos e com capas antiácaros.
E para crianças, a escolha é diferente?
Neste caso, de acordo com o ortopedista Lucas Jacobus, é interessante fazer algumas distinções. Em crianças, o foco é mais em segurança e no conforto:
- Bebês não devem usar travesseiro. A recomendação é superfície firme e plana, por segurança
- Crianças pequenas podem usar travesseiros baixos e simples, apenas para conforto
- Não há necessidade de modelos anatômicos sofisticados ou tecnologia específica

Preferências pessoais também importam
Outro ponto fundamental é considerar as preferências individuais na hora de escolher o produto. Isso porque, mesmo que ele seja tecnicamente adequado, se não proporcionar a sensação de bem-estar ao deitar, dificilmente haverá descanso pleno.
Por isso, a escolha ideal deve aliar ajuste técnico com conforto subjetivo.
Observe características essenciais na hora da compra
Antes da compra, procure se fazer algumas perguntas para acertar na escolha:
- O travesseiro mantém a cabeça alinhada com a coluna?
- A altura está adequada ao biotipo e à posição de dormir?
- Oferece sustentação sem ser desconfortável?
- Tem retorno lento, rápido ou é maleável?
Quando trocar?
Mesmo o travesseiro ideal não dura para sempre. A maioria precisa ser substituída a cada um a dois anos. Além disso, há sinais de que é hora de trocar, como perda de altura, deformações, odores e incômodo ao acordar.
E o preço?
Estes produtos podem ser encontrados facilmente em lojas físicas ou online, em redes de varejo e em estabelecimentos especializados em cama, mesa e banho.
No Brasil, o preço médio de um travesseiro varia entre R$ 40 e R$ 120 para a maioria dos modelos usados no dia a dia. Contudo, há produtos “premium” que naturalmente ultrapassam os R$ 150.
*Sob supervisão de Lou Cardoso