EntreVilas
Arquitetura para todos
Nas sextas-feiras, o colunista Émerson Santos escreve sobre educação, cultura, inovação e toda a diversidade presente nas comunidades

Na Restinga, zona sul de Porto Alegre, uma jovem arquiteta juntou sua dedicação à profissão com o desejo de colaborar com a transformação social da sua quebrada. Karol Rosa de Almeida está à frente da Kopa Coletiva Arquitetura Popular, um negócio que gera renda para profissionais, investe na mão de obra da própria comunidade e ajuda os moradores de bairros periféricos a terem moradias mais dignas.
A ideia veio logo que ela concluiu a graduação. Ao escutar Karol falar de seu negócio, é possível perceber que uma iniciativa que surgiu com o objetivo de ser um caminho para ela se inserir no mercado de trabalho foi se fortalecendo enquanto um propósito de vida.
A arquiteta é cria da Restinga. Para estudar, precisou enfrentar barreiras de distância, econômicas e de tempo. Mas conseguiu. E hoje é ativa no território onde cresceu. Karol fala que entende o potencial do arquiteto de ser um agente de impacto nas periferias. Por isso, atende intencionalmente populações de baixa renda.
É uma ação que pensa em políticas públicas. Para manter o negócio, a Kopa trabalha de três formas. No primeiro eixo, o foco está em oferecer projetos de arquitetura econômicos e parcelados para moradores de bairros populares. A ideia aqui é atender aquelas pessoas que vão fazer suas reformas, seus puxadinhos, mas precisam de uma ajuda técnica para isso:
— Pessoas que, geralmente, gastam muito mais do que precisam pela falta de assistência técnica.
O arquiteto urbanista não é uma figura que está presente nesses territórios. Então, a gente consegue atender esse público que já tem ali uma grana e já vai gastar em obra com projetos parcelados acessíveis.
Em outra frente de trabalho, o foco está na parceria com ONG e associações comunitárias. É feito um projeto para essas instituições que irão buscar financiamento para a execução. Quando conseguem verba, fazem o pagamento.
E para fechar o tripé da Kopa, tem a ação de atendimento a famílias em extrema vulnerabilidade social. Instituições parceiras doam o valor da obra para que Karol e sua equipe executem.
Um negócio que faz a economia local girar
Um ponto que chama a atenção no trabalho da Karol é o investimento nos profissionais das comunidades onde atua. Se a obra for realizada no Sarandi, por exemplo, seu negócio vai priorizar a contratação de pedreiro local e vai comparar materiais de construção em lojas do próprio território. Isso faz a economia local girar.
Ela explica que a Kopa Coletiva não é uma empresa de formato tradicional, que pensa principalmente no lucro, mas também não é uma ONG. Destaca isso porque todos os profissionais envolvidos nos seus projetos são remunerados pelos trabalhos que executam. Ou seja, uma iniciativa que surgiu para que ela tivesse renda, hoje também é fonte financeira para outras pessoas.
E o compromisso social dos projetos é percebido pela rede que Karol mobiliza. Além de ter outros arquitetos parceiros, ela mantém contato com lideranças comunitárias e Centros de Referência de Assistência Social (Cras), que ajudam no contato com os moradores dos territórios.
A Kopa levou Karol a acumular experiências que foram enriquecendo ainda mais a sua trajetória. Exemplo foi ter se envolvido com trabalhos de grandes instituições, como Gerdau e a ONG Habitat Brasil; participado de um evento em Brasília com a Caixa Federal e o Ministério das Cidades, do governo federal.
No Instagram, é possível acompanhar esse trabalho. Basta acessar o @kopacoletiva.