SEU PROBLEMA É NOSSO
Calorão no ônibus é rotina no transporte público da Capital
Passageiros de Porto Alegre relatam que a falta de ar-condicionado é constante em parte da frota; fiscalização pública busca resolver entrave


Uma lei em Porto Alegre obriga os ônibus do município a ligarem o ar-condicionado quando os termômetros marcam 24°C ou mais. A ação, junto com a incorporação de novos ônibus à frota das concessionárias de transporte público da Capital, vem para melhorar a rotina de quem depende desses veículos para se deslocar.
A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) de Porto Alegre reforça que, em comparação com as outras capitais, a cidade “é uma das que possuem maior percentual de ônibus com ar-condicionado na frota do transporte público”. Porém, essa percepção não reverbera a todos os usuários.
Ana Volkmann, 23 anos, se inclui nesse grupo. Usuária das rotas transversais operadas pela Carris T1 e T7, que levam passageiros de um extremo da cidade a outro, e de linhas administradas pela VivaSul que saem da Zona Sul e desembarcam na Avenida Salgado Filho, no centro da Capital, ela relata que o calor é presença constante, principalmente no segundo grupo de linhas.
— Esses ônibus que vão para o Centro muitas vezes não estão com ar-condicionado ligado em dias muito quentes. Ou o ônibus não tem ar ou não está com ele ligado. As janelas estão todas abertas para tentar dar conta, mas ainda assim não é suficiente. Os que mais percebo este problema são o Juca Batista (184), Liberal (189) e Cohab (165) — relata ela.
Reparos
Conforme a EPTC, 95% da frota está apta a circular com condicionamento de ar em dias de semana. Nos finais de semana, a projeção do órgão é mais otimista: 100% dos veículos em operação são climatizados.
Na tarde do último sábado, porém, quando Porto Alegre chegou a registrar 30°C, Ana pegou dois veículos da linha Liberal — um no sentido bairro-Centro e outro no Centro-bairro. De acordo com ela, nenhum deles estava com ar-condicionado ligado.
— A situação do transporte público em Porto Alegre tem piorado cada vez mais. A gente está andando com uma frota muito antiga e muitos desses ônibus acabam dando problema. Eu trabalho no Centro e seguidamente eu vejo ônibus estragados, parados, com pessoas descendo. Isso mostra como a frota está antiga. Precisa de reparos, precisa de novos ônibus. Esse ano acho que até peguei mais ônibus com ar-condicionado, mas às vezes eles estão tão cheios que acaba não dando vencimento — diz.
EPTC aponta renovação da frota
Ao mesmo tempo em que recebeu 538 novos veículos desde 2022, de acordo com a EPTC, a frota também conta com ônibus antigos, incorporados antes de 2016 e dentro da vida útil de 15 ou 16 anos a depender da categoria. De acordo com o órgão, esse grupo está autorizado a circular sem ar-condicionado, mas está em “processo gradual de substituição”.
A projeção da empresa para este ano é de que 100 novos ônibus — todos com ar-condicionado e tecnologia sustentável — comecem a circular na Capital. Além disso, o órgão aponta que a substituição de veículos sem condicionamento de ar, tanto os que operam regularmente quanto os que descumprem a legislação municipal, é uma “questão de tempo”.
A EPTC também reforça, em nota, que intensificou ações de fiscalização em terminais, corredores de ônibus e garagens, para apurar eventuais descumprimentos:
“No período entre 1° de janeiro e 15 de fevereiro, foram fiscalizados 2.354 ônibus, com registro de 59 autuações por sistema de ar condicionado inoperante”, informa. Quando um flagrante ocorre, a empresa é notificada e o veículo é retirado de circulação para manutenção. Ele só é autorizado a voltar à circulação após uma nova vistoria.
Como denunciar?
Para apontar irregularidades dos ônibus, a EPTC orienta os usuários do transporte público que a denúncia deve conter:
/// Prefixo (que é o número da lateral da lataria do ônibus, que identifica e é diferente para cada veículo)
/// Nome da linha (ex. Liberal – 184)
/// Horário em que frequentou o ônibus
A denúncia pode ser feita pelos canais da Central de Atendimento ao Cidadão 156 ou 118.
* Com orientação e supervisão de Lis Aline Silveira