Notícias



Direto da Redação

Emily Barcellos: meio misteriosa, meio científica

Jornalistas do Diário Gaúcho opinam sobre temas do cotidiano

04/02/2026 - 05h00min


Emily Barcellos
Enviar E-mail
Agência RBS/Agência RBS
Direto da Redação

Minha história preferida começa antes de eu ter memória – o que já a torna um pouco suspeita. Ela é contada pela minha mãe e remonta aos meus primeiros meses de vida, quando eu ainda era um bebê. Não posso confirmar a veracidade e, como quase jornalista, tenho certo apreço pela apuração dos fatos. Ainda assim, é uma boa história. E algumas boas histórias sobrevivem mesmo quando a verdade não é totalmente verificável. 

Estávamos eu, minha mãe e minha tia no quarto, reunidas sob uma grande janela de vidro. Entre um papo e outro, o inesperado: a janela simplesmente estoura. O vidro se fragmenta em milhões de cacos que despencam sobre nós três. Não sei qual seria a explicação científica, se foi tensão térmica, falha estrutural, força cinética. A física certamente teria algo a dizer. Mas minha mãe, detentora de um saber místico convicto, prefere outra versão: forças maiores do que nossa capacidade de compreensão. 

Ela conta que tanto ela quanto minha tia ficaram com pequenos arranhões. Eu, no entanto, saí ilesa. Ao redor do carrinho, vários cacos de vidro fincados, como se algo tivesse desenhado um limite invisível entre o perigo e eu. 

Anjo da guarda, coincidência, fenômeno físico ou apenas uma boa história para contar – pouco importa. É, sem dúvida, a minha favorita. Acredito, sim, que existam forças invisíveis no mundo. Mas também gosto de pensar, com certa vaidade, talvez eu seja especial em alguns sentidos. 

Hoje em dia, talvez eu tenha perdido parte da crença nos mistérios à medida que cresci. Isso acontece com frequência: crescer é, muitas vezes, aprender a duvidar. Ainda mais nessa profissão que pratico. 

Embora eu saiba que ao decorrer da vida muitas coisas nos são roubadas, como a capacidade de acreditar nesses mistérios, continuo surpreendida quando coisas assim acontecem, sem explicação aparente. Pois juro que são nesses momentos que a vida parece mais interessante.


MAIS SOBRE

Últimas Notícias