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O ano, enfim, começa

Fim do veraneio e volta às aulas: calor extremo dará trégua nas próximas semanas

Período inicial do ano letivo deve ocorrer sob condições mais amenas em todo o Estado, com temperaturas próximas da média histórica

17/02/2026 - 10h24min


Leonardo Martins
Leonardo Martins
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Jonathan Heckler/Agencia RBS
Máximas na maioria das regiões do Rio Grande do Sul não deve passar dos 30ºC até março.

As próximas semanas, que marcam a reta final do verão, começam no Rio Grande do Sul sob um padrão bem diferente daquele observado recentemente. 

Depois de episódios de calor extremo que colocaram cidades gaúchas entre as mais quentes do país, a tendência agora é de temperaturas mais moderadas e próximas da média histórica, justamente no período de volta às aulas da rede estadual e de muitas escolas particulares.

Fevereiro, porém, já registrou alguns dos dias mais quentes de 2026. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostram que municípios gaúchos chegaram a liderar o ranking nacional de temperaturas no início do mês.

São Luiz Gonzaga, nas Missões, registrou a maior temperatura do Estado (39,6ºC), seguida por Sapucaia do Sul (39,1ºC), na Região Metropolitana, e Campo Bom (38,9ºC), no Vale do Sinos.

Porto Alegre foi a capital mais quente do país no dia 6, segundo o Inmet, com 36ºC na estação do bairro Jardim Botânico. Ainda assim, não foi o dia mais quente do ano na cidade, já que em janeiro a temperatura atingiu 37,1ºC.

Calor extremo não deve retornar até o fim do verão

Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Previsão indica sol entre nuvens e pancadas de chuva com trovoadas no RS nesta terça (17).

Apesar desse histórico recente, as projeções meteorológicas indicam que o padrão atmosférico mudou. Segundo análise da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), não há sinal de ingresso de massas de ar intensas capazes de provocar alterações bruscas, sejam elas de frio ou de calor.

O cenário esperado é de relativa estabilidade térmica. Para Porto Alegre e grande parte da metade norte do Estado, as mínimas devem ficar entre 20ºC e 23ºC e as máximas próximas de 30ºC ao longo dos próximos dias. 

Esses valores são típicos de fevereiro e caracterizam um calor de verão sem extremos.

Nesta terça-feira (17), a previsão indica sol entre nuvens e pancadas de chuva com trovoadas ao longo da tarde e da noite para a maior parte do Estado.

Em Porto Alegre, a máxima deve se aproximar dos 33ºC, com alta umidade e possibilidade de temporais isolados. Trata-se de chuva irregular, típica do verão, que não atinge todas as áreas ao mesmo tempo.

Na quarta-feira (18), quando parte dos estudantes retorna às aulas, o tempo ainda não estará completamente firme. São esperadas pancadas rápidas e isoladas ao longo do dia, intercaladas com períodos de sol.

André Ávila/Agencia RBS
Em março de 2025, uma onda de calor persistente atingiu o sul do Estado e levou à suspensão das aulas.

O volume de precipitação tende a ser baixo, e a temperatura máxima deve ficar em torno de 30ºC. Embora o dia possa começar com tempo instável, a tendência é de melhora gradual ao longo das horas.

A partir de quinta-feira (19), a atmosfera tende a se estabilizar. O dia deve ter muitas nuvens, mas pouca ou nenhuma chuva, com máxima também próxima de 30ºC.

Nos dias seguintes, o padrão predominante será de sol entre nuvens, calor moderado e baixa probabilidade de precipitação significativa.

Temperaturas amenas

As projeções para o restante do mês e começo de março, segundo a Climatempo, indicam um comportamento típico de fim de verão.

As máximas devem variar principalmente entre 25ºC e 30ºC, com períodos de nebulosidade e episódios pontuais de chuva.

Mesmo nos dias mais quentes, os termômetros devem permanecer bem abaixo dos valores próximos de 40ºC já registrados neste verão.

Até o momento, não há indicativo de uma nova onda de calor intensa no curto prazo.

Suspensão de aulas marcou início do ano letivo em 2025

Jonathan Heckler/Agencia RBS
Dias de sol escaldante devem ficar para trás, segundo meteorologia.

O cenário atual difere daquele observado no começo do ano letivo anterior. Em março de 2025, uma onda de calor persistente atingiu o sul do Estado e levou à suspensão das aulas em vários municípios da Região Sul, entre eles Pelotas, Rio Grande, Capão do Leão, São José do Norte e Turuçu.

As decisões foram tomadas diante de sensação térmica próxima dos 40ºC e da dificuldade de muitas escolas em garantir condições adequadas para alunos e professores.

Naquele ano, as aulas haviam começado em 17 de fevereiro, mas o calor extremo se intensificou nas semanas seguintes, obrigando medidas emergenciais já no início de março.

O que esperar para o começo deste ano letivo

Em 2026, ao menos por enquanto, o retorno às aulas ocorre sob condições consideradas normais para o verão gaúcho. O calor continua presente, mas sem extremos, e a chuva tende a se concentrar no começo da semana, dando lugar a um período mais estável a partir de quinta-feira.

O verão ainda não terminou e mudanças no padrão atmosférico são sempre possíveis. Mesmo assim, os dados atuais indicam que a fase mais intensa de calor já ficou para trás.

Orientações para a comunidade escolar

Um documento da Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul (Seduc), encaminhado às Coordenadorias Regionais de Educação e às direções das escolas, reúne recomendações para reduzir riscos à saúde durante períodos de calor intenso. Confira as orientações:

Atividades escolares

  • Ajustar, se necessário, os horários de entrada e saída para evitar os momentos mais quentes do dia
  • Reorganizar as aulas de Educação Física, priorizando o início da manhã ou o fim da tarde e locais cobertos ou sombreados
  • Reduzir a intensidade das atividades físicas, com pausas regulares para hidratação e descanso
  • Substituir exercícios ao ar livre por atividades mais leves quando as temperaturas estiverem muito elevadas, como conteúdos teóricos, debates, jogos educativos ou brincadeiras calmas
  • Manter atenção a sinais de desidratação e insolação, garantindo atendimento imediato aos estudantes
  • Incentivar o uso de roupas leves e o porte de garrafas individuais de água
  • Garantir ventilação adequada em ambientes fechados e monitorar a previsão do tempo para ajustar a programação quando necessário
  • Evitar horários de pico em atividades externas de escolas técnicas ou cursos com exposição direta ao sol, reorganizando as práticas sempre que preciso
  • Manter diálogo constante com estudantes e responsáveis sobre cuidados com a saúde no calor
  • Preparar a escola para adaptar o planejamento sempre que necessário, assegurando segurança nas atividades, especialmente esportivas
  • Promover ações pedagógicas relacionadas à educação climática, justiça ambiental e educação socioemocional, fortalecendo a consciência sobre os impactos do calor e das mudanças climáticas

Adaptação de ambientes escolares

  • Direcionar estudantes e responsáveis, sempre que possível, para áreas internas sombreadas nos horários de entrada e saída
  • Disponibilizar pontos de hidratação acessíveis
  • Manter salas de aula bem ventiladas, abrindo portas e janelas em horários de menor incidência solar
  • Utilizar cortinas ou persianas para reduzir a entrada direta de sol
  • Usar ventiladores, climatizadores ou aparelhos de ar-condicionado quando disponíveis

Alimentação escolar

  • Garantir acesso contínuo a água potável ao longo de todo o dia
  • Incentivar que os alunos tragam garrafas individuais para facilitar a hidratação frequente
  • Priorizar alimentos leves e frescos, como frutas e saladas
  • Evitar preparações pesadas e gordurosas, que aumentam o desconforto térmico
  • Reforçar cuidados com armazenamento, especialmente de alimentos perecíveis, mantendo-os refrigerados
  • Adotar rigor na higiene durante o preparo para evitar contaminações
  • Controlar a temperatura de alimentos prontos para consumo
  • Consumir refeições logo após o preparo ou mantê-las sob condições adequadas até a distribuição
  • Manter vigilância sanitária constante, já que o calor favorece doenças alimentares

Bem-estar

  • Recomendar o uso de roupas leves e frescas
  • Observar sinais de mal-estar como fraqueza, tontura, dor de cabeça, náuseas, irritabilidade, dificuldade de concentração, transpiração excessiva, fadiga, desmaios ou pele muito avermelhada
  • Encaminhar estudantes com sintomas para atendimento na rede de saúde do município, como Unidade Básica de Saúde ou Unidade de Pronto Atendimento
  • Acionar, quando necessário, as equipes do Núcleo de Cuidado e Bem-estar Escolar e das Coordenadorias Regionais, que estão disponíveis para orientar as escolas

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