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Referência no RS

Hospital Universitário de Canoas é parcialmente interditado devido a falta de médicos e insumos

Ficam suspensas novas internações e atendimentos, inclusive no centro obstétrico e na UTI neonatal

19/02/2026 - 10h52min


Lisielle Zanchettin
Lisielle Zanchettin
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Vinicius Coimbra/Agência RBS
HU é referência para mais de 150 municípios gaúchos.

O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) anunciou a interdição parcial do Hospital Universitário de Canoas. A ação ocorre devido a falta de profissionais e insumos, e começa a valer a partir das 11h de sexta-feira (20). 

Com a decisão, ficam suspensas novas internações e atendimentos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, no centro obstétrico e sala de parto, no alojamento conjunto e na internação pediátrica. 

A instituição é referência para a realização de pré-natal e partos de alto risco em toda Região Metropolitana.

De acordo com o Cremers, a medida busca a proteção dos pacientes internados e da população. Com a interdição ética cautelar, também passa a ser proibido o trabalho de médicos nos setores. 

O Hospital Universitário de Canoas é referência para mais de 150 municípios gaúchos. Um plano de contingência deverá ser montado pela Secretaria Estadual da Saúde (SES), direcionando novos pacientes para outras instituições. 

Em nota (leia a íntegra abaixo), a Associação Saúde em Movimento (ASM), que administra o hospital, informou que irá acatar a decisão do Cremers sobre a interdição cautelar parcial. A instituição esclareceu que mesmo que o instrumento seja voltado para proteção dos médicos, impactará diretamente na política pública de saúde dos municípios atendidos. A ASM afirmou também que prepara um plano de contingência, e que prestará as informações atualizadas para o Cremers no dia em que a medida entrar em vigor.

Procurada, a prefeitura de Canoas comunicou, em nota (leia abaixo), que não foi informada sobre a interdição. Também disse que "segue trabalhando em conjunto com a empresa gestora para garantir a assistência integral da população".

Principais problemas  

Lacunas em escalas e falta de itens básicos estão entre os principais problemas apontados no Hospital Universitário. 

A reportagem de Zero Hora apurou que, setores que deviam funcionar com no mínimo quatro médicos, operavam apenas com um profissional. 

No dia 11 de fevereiro, o atendimento no centro de obstetrícia da instituição foi restringido pela falta de médicos especialistas. 

Na ocasião, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) afirmou que não havia profissionais disponíveis para a troca de turno, fazendo com que os médicos de plantão permaneçam além do horário previsto.

Nota da Associação Saúde em Movimento (ASM), que administra o hospital: 

"A ASM, atual gestora do Hospital Universitário de Canoas, vem informar que acata respeitosamente a decisão do Conselho Regional de Medicina - CREMERS - , que definiu na noite desta quarta-feira, 18, pela interdição ética cautelar parcial para novas internações e atendimentos dos serviços de Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, Centro Obstétrico e Sala de Parto e Alojamento Conjunto e Internação Pediátrica do Hospital Universitário (HU) de Canoas, a partir das 11h de sexta-feira (20), ressalvando todos os argumentos lançados na defesa entregue ao CREMERS em 16/02/2026, os quais acredita-se que sequer foram analisados.

A ASM está trabalhando no plano de contingenciamento e reafirma que não houve nenhuma desassistência hospitalar durante o período fiscalizado.

É importante que se esclareça que a interdição ética é instrumento voltado à proteção dos médicos, sendo certo que impactará diretamente na política pública regional de saúde (153 municípios).

Sob o ponto de vista estrutural, o CREMERS não possui competência para reorganizar fluxos assistenciais do SUS e/ou para suspender oferta de serviços públicos essenciais, tal ato ingressa na esfera da gestão hospitalar e organização da rede pública.

A interdição cautelar exige risco irreversível e ineficácia de medidas menos gravosas, hipóteses que sequer foram aventadas pelo órgão fiscalizador. Em resumo, em constatando irregularidades, o CREMERS deveria ter expedido recomendações, fixado prazo de adequação e determinado correções graduais. A própria decisão demonstra que não há risco absoluto, pois mantém médicos atuando.

O Hospital Universitário atende mais de 150 municípios, sendo certo que a manutenção da decisão resultará em sobrecarga de outras unidades, bem como risco sistêmico maior do que o alegado risco interno.

ASM entende que pode ter havido pressão política coordenada de outras entidades interessadas, o que configuraria certa confusão entre função fiscalizatória e reivindicação corporativa.

De outro lado, importa esclarecer que as novas empresas que estão assumindo a gestão das escalas médicas já estão atuando, com inícios programados desde 16/02/2026 até 01/03/2026, o que garantirá a estabilidade e a qualidade do serviço.

A reorganização contratual das novas empresas demonstra o esforço proativo e ininterrupto da instituição em garantir a melhor assistência possível, reestruturando as parcerias e implementando medidas de contingência eficazes para alcançar níveis ainda mais elevados de segurança para os pacientes. 

Finalmente, ante os termos da decisão, a ASM informa que até sexta-feira, dia 20, quando a interdição ética passa a ter efeitos, prestará informações atualizadas ao CREMERS acerca das medidas adotadas a partir de 16/02/2026, data em que entregou seus esclarecimentos ao órgão, ao que apresentará as escalas médicas completas dos meses de fevereiro e março — atendendo ao compromisso inabalável com a assistência à comunidade de Canoas e dos municípios referenciados, ao que requererá, finalmente, a integral revisão do ato administrativo.

Cabe salientar que a ASM é uma organização social sólida, transparente e voltada integralmente aos projetos sociais e SUS, possuindo atuação nacional e total idoneidade na condução dos seus projetos, o que fortalece ainda mais o compromisso assumido junto ao Município de Canoas."

Nota da prefeitura de Canoas:

"A Prefeitura de Canoas, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, informa que não recebeu nenhuma comunicação oficial do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) informando sobre resultado de votação ocorrida na noite desta quarta-feira (18). A administração municipal esclarece que o Hospital Universitário (HU) não está interditado e a Prefeitura segue trabalhando em conjunto com a empresa gestora para garantir a assistência integral da população."

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