Volta às aulas
Início do ano letivo de 2026 em Porto Alegre é marcado por apreensão dos pais com mudanças no Ensino Fundamental
Rede estadual também está retomando as atividades; no total, são esperados mais de 787 mil alunos, somando as redes da capital


Correção: o número de matrículas na rede municipal de Porto Alegre é 60.061 em 2026 e não de 87,3 mil em 2026, como publicado entre as 8h e as 10h30min de 18 de fevereiro. O texto já foi corrigido.
Milhares de alunos estão retornando às salas de aula na manhã desta quarta-feira (18) no Rio Grande do Sul, sendo 700 mil em escolas de rede estadual e outros 60.061 mil na rede municipal de Porto Alegre.
Os estudantes e suas famílias estão sendo recebidos nas unidades para iniciar o ano letivo de 2026. No total, a rede estadual conta com 2.338 escolas. Na Capital, são 102 escolas municipais e outras 221 parceiras.
Na rede estadual, também começou nesta quarta-feira a distribuição dos uniformes escolares. Também estão sendo retomadas as atividades em boa parte das escolas particulares, com 496 mil alunos em todo o Estado.
Na Escola Visconde do Rio Grande, no bairro Cavalhada, em Porto Alegre, o movimento começou por volta das 7h. Diversos pais acompanharam os filhos na chegada para as aulas, que começaram às 7h30min.
Os estudantes foram acolhidos pela direção, com uma recepção calorosa no pátio. São 17 turmas de Ensino Médio e 18 de Ensino Fundamental, com cerca de 820 estudantes, além da Educação de Jovens e Adultos (EJA) à noite.
Conforme a equipe diretiva, o quadro de professores ainda não está completo – faltam profissionais nas áreas de Matemática, Biologia, Inglês, Artes e Língua Portuguesa.
— Está faltando professor em algumas áreas, mas já encaminhamos os pedidos com urgência. Estamos com 62, precisaria de um pouco mais de 70, temos muitas turmas. Acredito que não demore muito — afirmou a diretora, Ingrid Coutinho Page.
Segundo a supervisora escolar, Paula Silveira, um dos motivos do atraso foi a demora no fechamento do estudo de quadro de professores, que foi concluído somente na semana passada. Outra razão é a saída de profissionais no final do ano.
— Vários professores deixaram a escola, seja porque foram para outros lugares, ou porque passaram em concurso da prefeitura, ou foram para a rede privada — diz Paula.
As gestoras afirmam que a tendência é que novos professores cheguem nas próximas semanas. Enquanto isso, outros profissionais do colégio substituem os professores, sempre que necessário.
Entre os preparativos para o ano letivo estão reformas, que devem encerrar nesta semana. Estão sendo feitas obras para melhorias nos banheiros e na sala dos funcionários.
Efetivação da matrícula
Vale lembrar que, nos próximos dias, pais e responsáveis que ainda não efetivaram a matrícula devem ir presencialmente nas escolas para a efetivação. Devem ser apresentados os seguintes documentos:
- RG e CPF do aluno e dos responsáveis
- Comprovante de residência
- Histórico escolar
- Rede estadual também está retomando atividades; no total, são esperados mais de 787 mil alunos, somando as redesFoto 3x4
Retorno nas escolas municipais
O ano começa em meio às mudanças devido ao processo de municipalização. Os estudantes que iriam para o 1º ano na rede estadual passam a ser atendidos pelas escolas municipais.
Em 2027, serão remanejados os alunos que iriam para o 2º ano, e assim sucessivamente. Futuramente, a rede estadual ficará responsável pelo Ensino Médio e Anos Finais (6º ao 9º ano), e os municípios somente por Educação Infantil e Anos Iniciais (1º ao 5º ano).
Com isso, diversas famílias estão tendo que se adaptar a uma nova rotina, tanto no que diz respeito a questões logísticas quanto aspectos pedagógicos.

A Escola Municipal de Ensino Fundamental Aramy Silva, no bairro Camaquã, é uma das que encerrou oferta de 6º ano na Capital. Para a secretária Andreia Rocha, mãe do Lorenzo, 10 anos, que estuda desde pequeno no local, o ano é de apreensão, porque será o último dele na escola.
— Como ele está começando o 5º ano, depois não vai ter mais turma. Na metade do ano eu já vou ter que arrumar outra escola para ele para o ano que vem. E monitor por via judicial ainda, porque eu batalhei para conseguir no município, agora vou ter que batalhar no Estado. Meu filho é portador de síndrome de Down com autismo — conta.
Ela afirma que preferia mantê-lo em uma escola municipal, mas será necessário buscar um colégio estadual adequado às necessidades da família. A dona de casa Cláudia Gomes é mãe de Luiza, 14 anos, que também possui Transtorno do Espectro Autista (TEA) e está iniciando o 9º ano no Aramy Silva.
A expectativa dela para o ano é que sejam contratados mais monitores de educação inclusiva ou profissionais de apoio para dar maior suporte às crianças.
— Aqui eles têm apoio, tem alguns monitores, mas eles não recebem toda a atenção necessária. E também não são todas as escolas estaduais que estão preparadas. E justamente as que a gente queria, que são próximas da nossa casa, não têm esse suporte — relata Cláudia.
Falta de monitores preocupa famílias
Para a analista de qualidade Gabriela Aguiar, mãe de Caio, 11 anos, que tem transtorno do espectro autista (TEA), a principal preocupação é garantir atendimento pedagógico de qualidade para o filho. Ele estudava na Escola Municipal de Ensino Fundamental João Goulart.
Contudo, na nova instituição para a qual ele foi designado, a Escola Municipal Décio Martins Costa, no bairro Sarandi, não há monitor exclusivo de educação especial.
A família contava com esse suporte na unidade anterior, que é referência em educação inclusiva. O aluno está ingressando no 6º ano.
Gabriela conta que o sentimento neste começo de ano letivo é de apreensão.
— É um sentimento de angústia e de incerteza, porque a gente vem de um lugar onde já tinha toda uma estrutura, para um lugar que a gente não sabe como que vai ser. Com o decorrer dos dias, a gente vai ver como ele vai ser recepcionado, como os professores estão preparados para recebê-lo e tratá-lo. E como é que vai ser essa logística sem o monitor nesse primeiro momento — lamenta Gabriela.
Ela está formalizando pedido de urgência na Defensoria Pública do Estado do RS (DPE-RS) para que seja contratado monitor, direito garantido pela legislação. A comunidade escolar também enfrenta questões de mobilidade e segurança.
Segurança também é um fator importante
Para a dona de casa Lúcia Martins, de Porto Alegre, o principal receio é em relação à vulnerabilidade da região da nova escola.
A filha Isadora, de 11 anos, foi designada para a Escola Estadual de Ensino Fundamental Piauí, no bairro Nonoai. A aluna estudou a vida toda na Escola Municipal Vereador Martim Aranha, que foi uma das que teve turmas de 6º ano encerradas.
— Muitos alunos não querem mais estudar, falaram que vão incomodar na nova escola. Eles querem ser expulsos para voltar para a escola anterior. Muitas crianças e jovens vão parar de estudar. Eu estudei pouco, e por esse motivo não quero que minha filha desista. Vou ver se consigo transferência de escola — afirma.
Todas as famílias que se manifestaram conseguiram vaga, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação (Smed). A pasta informa que está realizando busca ativa dos alunos ainda não matriculados nos 6º ano, após a confirmação de matrícula pela Secretaria da Educação do RS (Seduc).
Questionada sobre o assunto, a secretária da Educação do RS, Raquel Teixeira, afirmou em entrevista que o Estado garantiu todas as vagas necessárias para os novos alunos da rede:
— Vaga não é questão de conseguir ou não, é obrigação do Estado. Então, se houver uma demanda, a gente tem que dar um jeito de atender, nem que isso signifique abrir turma nova na escola. É claro que você pode, às vezes, com um ou dois alunos, colocar numa sala que já está formada. Depende do número de alunos. Mas, em princípio, não deve haver falta de vaga.
Educação Infantil
Vale lembrar que está em andamento o segundo período de designação de vagas na Educação Infantil.
Até 27 de fevereiro as crianças que não foram contempladas na etapa anterior e ficaram como suplentes serão designadas para as respectivas escolas da rede. As famílias serão comunicadas pela prefeitura.