Coluna da Maga
Magali Moraes e a desimportância das coisas
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


Tem uma expressão que circula na internet, e eu gostaria de ter escrito: “Dar a devida desimportância”. Não sei de quem é a autoria, sem dúvida é uma frase de efeito (daquelas com gostinho de coach). Mas merece atenção porque traz verdades. Simpatizei com ela, tem uma quebra de expectativa e o chapéu serviu. Costumo dar importância pra coisas que parecem super mega importantes, e a realidade é outra. Na hora, não percebo. Quando baixa a poeira é que fica evidente.
Ser uma pessoa ansiosa faz isso com a gente. Damos a devida importância a coisas que nem aconteceram ainda. Rapidamente se tornam preocupações que vão crescendo dentro da nossa mente, e quase sempre não chegam a acontecer. A aparente importância gera urgência, antecipação e infinitas minhocas na cabeça. Então quando leio “Dar a devida desimportância”, sinto um alívio imediato. Tem até um bom humor nas entrelinhas dizendo “Relaxa, deixa pra lá, desapega”.
Limite
Nos ensinam a dar a devida importância ao trabalho, por exemplo. Mas importância tem limite. Se ela invadir a nossa vida, tirar a paz e o sono, derrubar a autoestima e prejudicar a saúde, melhor rever esse trabalho aí. Aliás, tem outra frase de efeito sobre o assunto que mais parece uma armadilha: “Trabalhe com aquilo que você ama, e nem parecerá trabalho”. É trabalho, sim. Nem vem. Trabalho é pra se sustentar (e até se realizar), vida é pra viver. Deve haver um equilíbrio nisso.
Também aprendemos a dar a devida importância a pessoas. Eu complemento: a pessoas que fazem por merecer o nosso tempo, a nossa atenção, a nossa confiança, o nosso afeto. Se é alguém que te coloca pra baixo, dá a devida desimportância. E vale pra nós mesmos. Não se levar muito a sério, não se achar a última bolacha do pacote, não acreditar que é um alecrim dourado (superior aos outros, raro, perfeito). São as inseguranças, imperfeições e erros que nos tornam humanos.