Coluna da Maga
Magali Moraes e o garoto de Ouro
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


Nevou no meu Carnaval, e no teu? Quando me dei conta, estava cercada de montanhas brancas e lendo tudo sobre o esquiador Lucas Pinheiro Braathen que conquistou o primeiro Ouro da vida pro Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina 2026 (e segue acontecendo na Itália). Nas edições passadas, a única prova que eu já havia espiado era o Curling - aquela em que os atletas parecem empurrar uma chaleira com um rodo de chão, esporte curioso que rende vários memes.
Tudo começou quando bati o olho na cerimônia de abertura dos jogos e vi um loirinho sorridente desfilando de porta-bandeira com o uniforme mais lindo da festa: uma capa longa e acolchoada, branca por fora e revelando por dentro a bandeira do nosso país. Aqui, o Brasil suando e pulando o carnaval. Lá nos Alpes italianos, Lucas se apresentando com seu talento, carisma e dupla nacionalidade: filho de pai norueguês e mãe brasileira. A técnica nórdica com o gingado brasileiro.
Elite
Que pessoa interessante, eu pensava a cada entrevista dele que assistia. Onde esse guri estava o tempo todo? Competindo em montanhas nevadas e treinando feito louco, como fazem os atletas de elite. Eu é que não ligava pros esquiadores. Afinidade zero com esse esporte, nunca esquiei (só passei vergonha numa aula no Snowland em Gramado). E morro de medo da altura daqueles teleféricos onde qualquer um que vá esquiar tem que subir pra depois descer.
Aí descubro o Lucas voando de esquis e sambando no pódio. Um guri cheio de atitude e personalidade que também ama futebol, moda, churrasco e vive desde pequeno a nossa cultura. Ele, que foi sempre considerado o diferente - porque lá na Noruega é o brasileiro e aqui no Brasil é o gringo - agora usa isso como um super poder. Sorte nossa que é bem mais legal, livre e inspirador assumir o sobrenome Pinheiro e deixar de cantinho o Braathen. Viva o nosso país, que segue na boca do mundo.