Coluna da Maga
Magali Moraes e o macaco rejeitado
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


Essa semana a internet foi às lágrimas com o drama do macaquinho Punch, abandonado por seus pares. A história aconteceu num zoológico japonês e viralizou. O filhote estava isolado desde que nasceu, rejeitado pela própria mãe. Tempos depois, os tratadores o trouxeram de volta ao convívio com os macacos. Deu no que deu: o póbi foi enxotado por todos, e de novo pela mãe. Escanteado e isolado. As cenas são de cortar o coração, você viu? Fui avisada antes. “Te prepara pra chorar”.
Ando sensível aos animais desde que me assumi como vó de pet. Inclusive o meu netinho Chimmy está longe (e eu, louca de saudade). Mas o assunto é o bullying com o macaquinho. O pessoal do zoo arranjou um orangotango de pelúcia pra ser a sua companhia e funcionar como um escudo emocional. Claro que o bichinho real se apegou ao brinquedo à sua imagem e semelhança - o que rendeu mais vídeos e fotos de emocionar. Vulnerabilidade é uma coisa que comove e gera empatia.
Bando
Alguns dias depois, a turma finalmente aceitou o filhote no bando. Até o fechamento dessa coluna, parecia estar tudo bem entre ele e sua mamis. E se de lá pra cá a macacada surtar de novo e abandonar de vez o Punch? Bom, não vai faltar orangotango pra ele. Na Ikea, onde a pelúcia foi comprada pelos tratadores, as vendas dispararam. A presidente da rede de lojas foi ao zoológico e entregou muitos bichinhos fofos pros animais brincarem. Não perdeu a oportunidade, certa ela.
Tem jogadas de marketing que nascem sozinhas, basta estar de olho e ser rápido. Agora as imagens de ternura e solidão do macaquinho nem a IA faz tão bem. Aquela carinha real de sofrência (que dó!). Os abraços no orangotango. Punch o carregando por toda a parte e se aninhando a ele, em busca de afeto. Existe amor no reino dos primatas, não importa se é de pelúcia ou não. Fica o recado: todos nós precisamos de acolhimento. Não é fácil nem pra macaco ser rejeitado.