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"Mais resiliente": com bares e banheiros reabertos, obra de recuperação do trecho 3 da orla do Guaíba é finalizada

Investimento para reparar estragos da enchente de 2024 passou dos R$ 6 milhões. Aporte veio de uma construtora, em contrapartida por um empreendimento

27/02/2026 - 09h59min


Guilherme Gonçalves
Guilherme Gonçalves
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Após mais de um ano, o trecho 3 da orla do Guaíba, voltado a esportes e lazer, teve sua obra de revitalização finalizada. Os trabalhos foram necessários para recuperar estragos causados pela enchente de maio de 2024, que destruiu mobiliários, quadras esportivas e os espaços dos bares e banheiros.

Segundo a prefeitura, o investimento na obra foi R$ 6,4 milhões. Os recursos vieram de contrapartidas por empreendimentos da incorporadora Cyrela Golsztein, incluindo um prédio sendo construído bastante próximo da Orla.

De acordo com o secretário municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade, Germano Bremm, entre as intervenções feitas desde novembro de 2024 estão:

  • Reforma dos espaços de bares e banheiros
  • Plantio de 555 mudas para qualificar arborização
  • Instalação de novos bancos e lixeiras
  • Instalação de chuveiros nos banheiros
  • Melhorias nas quadras
  • Climatização da sala de segurança
  • Criação de novos passeios 
Jonathan Heckler/Agencia RBS
Reparos no trecho 3 da Orla começaram em novembro de 2024.

Ao longo de 2025, frequentadores e comerciantes da Orla queixaram-se da demora para o fim das obras. Em especial, pediam pela reabertura dos sanitáriosdurante o período, foram disponibilizados banheiros químicos.

— Depois da enchente, grande parte do território foi afetada: uma delas, a Orla, que fica fora do sistema de proteção. A partir de quando começamos a recuperar equipamentos públicos, escolas e unidades básicas de saúde foram a prioridade. As orlas vieram depois, quando tivemos oportunidade de recursos. Além dos trechos 1 e 3, começamos Ipanema, onde faremos a entrega em março — adianta o secretário Germano Bremm.

Apesar do período em que espaços do trecho 3 estiveram fechados, os prazos de entrega estipulados pela prefeitura foram cumpridos.

Não é uma nova obra de orla. Não traz aquele impacto visual, mas volta sendo uma orla mais resiliente. Foi usado um recurso significativo, pois o espaço foi destruído. O custo de uma orla nova passa dos R$ 60 milhões. Ali fizemos uma recuperação com bem menos investimento, mas que foi eficaz — completa Bremm.

Os serviços foram executados pela empresa Ducatti Engenharia. A entrega oficial do espaço acontece em evento na tarde desta quinta-feira (26), com a presença do prefeito Sebastião Melo.

Bares mais "resilientes"

Enquanto os espaços dos bares estiveram em reformas, os estabelecimentos Espartano e Sunset da Orla operaram em contêineres instalados na parte superior do passeio do trecho 3. Em dezembro, a prefeitura entregou os pontos para que os empresários fizessem suas obras de adaptação.

Até agora, apenas o Espartano abriu a sua unidade, que fica próxima da pista de skate. Depois que o Sunset reinaugurar suas duas operações — ambas próximas das quadras de futebol e de tênis —, os contêineres na parte de cima serão removidos pela prefeitura.

Segundo Bremm, as estruturas dos bares e dos banheiros estão agora "mais resilientes" em caso de novas cheias. O secretário explica que a estrutura elétrica foi posicionada em partes mais altas das lojas, portas de vidro agora são removíveis, balcões foram construídos em concreto e as novas esquadrias são de material mais resistente.

Obras seguem no trecho 1

Agora é a vez do trecho 1. Revitalizado em 2018, o espaço entre a Usina do Gasômetro e a Rótula das Cuias também foi fortemente atingido na enchente. Desde maio do ano passado, a área de 1,3 quilômetro também passa por obras para recuperar estragos

Segundo a prefeitura, serão necessários R$ 12 milhões para recuperar o trecho — metade vindo também da incorporadora Cyrela Goldsztein. Quando Zero Hora esteve no local, na manhã desta quinta-feira, viu grama alta em diferentes pontos e canteiros de obra, mas sem trabalhadores realizando serviços.

Jonathan Heckler/Agencia RBS
Grama alta toma conta do trecho 1 da Orla.

Com previsão de entrega total no final de 2026, os trabalhos estão sendo executados em três etapas:

Etapa 1 - posto da Guarda e espaço de ambulantes:

Esta etapa abrange a reforma das duas áreas utilizadas por ambulantes que vendiam bebidas e alimentos. Também serão realizadas a demolição dos bares, vestiários e lojas e a construção de novo espaço para a Guarda Civil Metropolitana. A previsão é de que isso fique pronto até maio.

Jonathan Heckler/Agencia RBS
Na primeira etapa da obra no trecho 1, espaços de bares começaram a ter estruturas demolidas.

Etapa 2 - bares e banheiros: 

A segunda fase engloba a reconstrução dos espaços dos bares e dos banheiros. As paredes internas receberão blocos de concreto mais resistentes aos impactos da água em comparação com a alvenaria convencional, novos revestimentos no piso e teto, além de melhorias nas esquadrias, instalações elétricas e climatização.

A previsão da prefeitura é de entregar os banheiros e os espaços dos bares para os permissionários em dezembro.

Edemir Simonetti, dono do 360 Poa Gastrobar, aguarda para poder reabrir outro negócio que tinha na Orla, o Baruno:

— O ideal era recebermos ali por setembro, para dar tempo de trazer nossa obra e estarmos abertos no verão, quando tem bom movimento. A orla fechada nos prejudica muito. Nunca é bom estar sozinho. As pessoas vão onde há opção — diz o empresário.

Simonetti, que é diretor do Sindicato de Hospedagem e Alimentação de Porto Alegre (Sindha), também faz um apelo para que a prefeitura reabra a Usina do Gasômetro com a realização de eventos para movimentar a Orla enquanto a empresa que vai administrar o espaço não é escolhida.

Recentemente, a loja de conveniências Alegrow fechou a operação que tinha no trecho 1 da Orla alegando baixo fluxo de clientes no local.

Etapa 3 - proteção e paisagismo: 

Por fim, a terceira fase prevê a construção de estruturas para reforçar a proteção contra enchentes, como gaiolas metálicas preenchidas com pedras nas áreas de deques de madeira. Taludes também serão recuperados e reforçados.

Deques de madeira e metálicos também passarão por processo completo de reforma, com limpeza, substituição de peças danificadas, tratamento e pintura. Postes de iluminação ao longo do trecho também passarão por reparos.

A prefeitura ainda prevê corrigir erosões que surgiram junto aos deques ainda antes da enchente do ano passado.

Jonathan Heckler/Agencia RBS
Na terceira etapa, serão corrigidas erosões que surgiram junto aos deques de madeira.

A pracinha, as academias e demais estruturas danificadas também serão recuperadas ou substituídas. A requalificação também prevê a retirada de ervas daninhas de toda a extensão do parque para o replantio de grama, a instalação de paisagismo com mudas do viveiro municipal e a colocação de novas lixeiras e bancos de concreto.

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