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Direto da Redação

Michele Vaz Pradella: "Quando ser bem informado faz mal"

Jornalistas do Diário Gaúcho opinam sobre temas do cotidiano

11/02/2026 - 13h56min


Michele Vaz Pradella
Michele Vaz Pradella
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Agência RBS/Agência RBS
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O início do ano foi tenso para quem costuma acompanhar as notícias. Feminicídios, cachorro espancado até a morte, importunação sexual no Big Brother Brasil, ameaça de guerra dos Estados Unidos contra o mundo... A gente querendo sol, mar e água fresca, mas levou um tsunami de más notícias na cara. 

Foi em uma sexta-feira, depois de uma overdose de postagens sobre o cão Orelha, que eu senti os primeiros sinais. Faltou o ar, o coração acelerou, os pensamentos pareciam brigar dentro da mente. Indícios claros de uma crise de ansiedade iminente. Ali, resolvi fazer algo quase impossível para muitos de nós hoje em dia: largar o celular. Consegui fazer isso por 48 horas, afinal, o trabalho me exigiria voltar às redes sociais na segunda-feira. Fazer terapia há muitos anos me ajuda a perceber o colapso mental se instalando e a saber o antídoto para acalmar a mente e o coração. Para não surtar, fiquei sem saber notícias do mundo por dois dias. E deu certo.

Li tempos atrás que, no mundo em que vivemos, ou se está com a saúde mental em dia, ou se está bem informado. Traduzindo: a ignorância é uma bênção. Mas e aí, ficaremos alienados do que acontece lá fora para não adoecermos? A saída, por mais difícil que seja, é o caminho do meio. Aprecie com moderação, já diziam as propagandas de cerveja.

Meio-termo

O problema é lidar com a nossa necessidade de mergulhar fundo em certos assuntos. Foi o que quase me deixou em crise. Passei a consumir vorazmente as notícias sobre o cãozinho assassinado em Santa Catarina. Assisti a vídeos de influenciadores revoltados com o caso, segui hashtags relacionadas, li tudo o que a imprensa – séria ou fofoqueira – divulgou sobre o assunto. A ânsia masoquista de saber sempre além do que gostaríamos ou teríamos capacidade de absorver, isso sim é uma droga que só cabe a nós evitar. Devemos encontrar um meio-termo. Nossa mente agradece.


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