Em alerta
Mpox: quantos casos da doença foram registrados no Brasil em 2026? Saiba como é feito o diagnóstico e como se prevenir
Maioria dos registros está em São Paulo; RS tem duas confirmações, segundo o Ministério da Saúde


O Brasil soma, até o momento, 87 casos confirmados de mpox em 2026, conforme balanço do Ministério da Saúde. A maior parte das ocorrências está concentrada em São Paulo, que responde por 63 registros.
Os demais casos foram notificados no Rio de Janeiro (15), Rondônia (4), Minas Gerais (3), Rio Grande do Sul (2), Distrito Federal (um), Santa Catarina (um) e Paraná (um).
Vale lembrar que no dia 17 fevereiro, a Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre confirmou o primeiro caso na capital gaúcha neste ano. O paciente reside no município, mas teria contraído a infecção fora do Estado. Até a publicação desta matéria, não havia confirmação sobre o local provável de infecção.
A transmissão da mpox ocorre principalmente por contato direto com lesões de pele, secreções, mucosas ou objetos contaminados. Por isso, situações com aglomeração e contato físico próximo acendem o alerta para possível aumento de casos.
São Paulo concentra a maioria das notificações
Na cidade de São Paulo, 18 casos haviam sido confirmados até o fim de janeiro. O painel do Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde (Nies) contabiliza em todo o estado paulista 51 confirmações, número inferior ao informado pelo Ministério.
Ao todo, são 292 notificações em 2026: 144 como suspeitas, 77 foram descartadas e um caso é classificado como provável.
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que mantém monitoramento contínuo do cenário epidemiológico e que todas as unidades seguem protocolos de vigilância, testagem e acompanhamento.
O Ministério da Saúde, por sua vez, afirma que o Sistema Único de Saúde (SUS) está preparado para identificação precoce, manejo clínico e rastreamento de contatos por 14 dias, medida considerada essencial para interromper cadeias de transmissão.
Até o momento, não há registro de óbitos no país em 2026. Em 2025, foram 1.079 casos confirmados e dois óbitos.
O que é a mpox e quais são as cepas
A mpox é causada por um vírus da família Orthopoxvirus, a mesma da varíola humana, erradicada em 1980. A doença ganhou projeção internacional em 2022, quando se espalhou por mais de 100 países e levou a Organização Mundial da Saúde a declarar emergência de saúde pública global, status encerrado em maio de 2023.
Existem dois grandes grupos genéticos: Clado 1 (associado historicamente à África Central) e Clado 2 (ligado à África Ocidental e responsável pelo surto global de 2022).
Dentro deles, há subtipos, como Ia, Ib, IIa e IIb. Neste ano, a OMS confirmou ainda a identificação de uma nova variante resultante da recombinação entre subtipos Ib e IIb.
O clado IIb foi o principal responsável pela disseminação internacional em 2022, especialmente por transmissão sexual. Já o clado Ib tem sido descrito como potencialmente mais grave, embora essa percepção venha sendo revista.
Sintomas e gravidade
Na maioria dos casos, a mpox evolui de forma leve ou moderada. Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, cansaço e ínguas.
Em seguida, surgem lesões na pele que podem começar como manchas e evoluir para bolhas com pus, formando crostas que secam e caem naturalmente.
O período de incubação varia de três a 21 dias, com média entre 10 e 16 dias. A recuperação costuma ocorrer em até três semanas. A letalidade estimada varia de 1% a 10%, com maior risco para crianças e pessoas imunossuprimidas.
Como se prevenir
As autoridades reforçam que medidas simples ajudam a conter a disseminação. Confira a seguir.
- Evitar contato íntimo ou físico prolongado com pessoas que apresentem lesões suspeitas
- Não compartilhar copos, talheres, garrafas, cigarros, roupas ou toalhas
- Higienizar as mãos com frequência especialmente após tocar superfícies em locais públicos, usar transporte coletivo ou interagir com outras pessoas
- Em aglomerações muito densas, máscaras podem oferecer proteção adicional, principalmente se houver circulação ativa do vírus
- Procurar atendimento de saúde em caso de sintomas e manter isolamento até avaliação médica.
O Brasil oferece vacinação para públicos específicos, como pessoas que vivem com HIV com baixa contagem de células CD4 e profissionais que atuam diretamente com Orthopoxvírus em laboratório.
Há também estratégia de imunização pós-exposição para contatos de casos confirmados ou suspeitos.