Custo de vida
Preço do aluguel sobe 18,4% em Porto Alegre em um ano; veja bairros com o metro quadrado mais caro
Levantamento realizado pela Loft indica um mercado imobiliário "aquecido e resiliente" na Capital


Viver de aluguel ficou mais caro em Porto Alegre no último ano. O preço médio do metro quadrado aplicado na Capital subiu 18,4% em relação a janeiro de 2025, chegando à média de R$ 41, conforme levantamento feito pela Loft. Jardim Europa, Três Figueiras e Rio Branco encabeçam a lista entre os mais caros para locar (veja abaixo).
O estudo de mercado foi feito com base em 3 mil anúncios residenciais ativos na Capital. Foram considerados bairros que apresentaram ao menos nove anúncios em janeiro de 2025 e nove em janeiro de 2026.
Gerente de dados da Loft, Fábio Takahashi analisa que a alta nos aluguéis reflete um mercado aquecido e resiliente na cidade. O aumento, considerado expressivo, está acima da inflação registrada no período, que foi de 4,44%.
Ao menos 15 bairros considerados na pesquisa apresentam valores médios de aluguel por metro quadrado superiores à média geral na cidade. No Jardim Europa, por exemplo, essa diferença chega a 90%.
Bairros de Porto Alegre com os aluguéis mais caros
Preço médio por metro quadrado
- Jardim Europa: R$ 78,14
- Três Figueiras: R$ 65,22
- Rio Branco: R$ 62,93
- Bela Vista: R$ 58,49
- Auxiliadora: R$ 57,04
- Mont'Serrat: R$ 55,86
- Petrópolis: R$ 50,78
- Praia de Belas: R$ 50,26
- Jardim do Salso: R$ 50,08
- Moinhos de Vento: R$ 49,82
- Jardim Botânico: R$ 49,18
- Passo D'areia: R$ 48,89
- Boa Vista: R$ 45,84
- Higienópolis: R$ 44,37
- Cidade Baixa: R$ 43,86
Para o especialista, a localização é ponto fundamental na valorização dos imóveis. Reservadas as características de cada bairro, todos os listados entre os mais caros apresentam este ponto em comum. Além disso, a disponibilidade de serviços nesses locais, como bares e restaurantes, além de áreas verdes e tranquilas, aumentam a atratividade, o que, inevitavelmente, aumenta os valores pedidos.
— E o mercado vê isso. São bairros com boa estrutura, boa localização. O mercado investe nisso, chegam novos imóveis, e o preço valoriza — diz Takahashi.
Entre os bairros com o metro quadrado mais caro, os maiores crescimentos anuais entre os bairros mais valorizados foram registrados no Jardim Botânico, com alta de 51%, seguido por Auxiliadora (50%) e Bela Vista (44%). São bairros com potencial de crescimento, e, por isso, valorizados. Veja as altas:
- Jardim Botânico: +51%
- Auxiliadora: +50%
- Bela Vista: +44%
- Rio Branco: +36%
- Três Figueiras: +28%
- Petrópolis: +25%
- Mont'Serrat: +19%
- Cidade Baixa: +19%
- Higienópolis: +17%
- Passo D'areia: +12%
- Jardim do Salso: +11%
- Moinhos de Vento: +10%
- Praia de Belas: +4%
- Boa Vista: +1%
- Jardim Europa: +7%
Tíquete médio
O valor médio gasto mensalmente pelos locatários, ou tíquete médio, também foi considerado na pesquisa. Neste recorte, os bairros com imóveis de amplas metragens e alto valor agregado lideram o ranking.
Três Figueiras é o mais caro deles, com média de R$ 9.376 por aluguel. Depois, aparecem Jardim Europa (R$ 8.264) e Chácara das Pedras (R$ 7.847).
- Três Figueiras: R$ 9.376
- Jardim Europa: R$ 8.264
- Chácara Das Pedras: R$ 7.847
- Bela Vista: R$ 7.294
- Moinhos de Vento: R$ 6.784
- Boa Vista: R$ 6.099
- Ipanema: R$ 5.959
- Mont'Serrat: R$ 5.541
- Higienópolis: R$ 4.958
- Rio Branco: R$ 4.892
- Petrópolis: R$ 4.875
- Jardim Lindoia: R$ 4.657
- Tristeza: R$ 4.568
- Auxiliadora: R$ 4.237
- Independência: R$ 4.176
Quanto ao crescimento do tíquete médio no último ano, os saltos mais expressivos entre os bairros mais valorizados foram observados nos bairros Tristeza (81%), Higienópolis (74%) e Independência (64%). A “pulverização de bairros” na lista, ou seja, com diferentes localidades sendo citadas, reforça a percepção de mercado aquecido, conforme o especialista da Loft:
— Mostra uma cidade de mercado bem ativo. Traz também a necessidade de o locatário procurar muito e entender o que está acontecendo. O mercado está aquecido e isso gera necessidade de mais pesquisa para um bom negócio.
Efeitos lá e cá
Mais de um fator explica a alta dos valores entre janeiro de 2024 e janeiro de 2025, um de ordem macroeconômica e outro local. No campo macro, como a taxa básica de juros se mantém alta no país, o financiamento de imóveis fica mais caro.
Na prática, quem precisa ou quer se mudar adia a compra de um imóvel próprio e opta pelo aluguel. O efeito afeta especialmente a classe média. Quanto mais pessoas buscando locação, mais o preço fica pressionado, explica o gerente de dados da Loft.
Já no âmbito local, Takahashi avalia que o momento ainda é de uma readequação de mercado, após a enchente de 2024, que impactou também o setor.