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Preço do aluguel sobe 18,4% em Porto Alegre em um ano; veja bairros com o metro quadrado mais caro

Levantamento realizado pela Loft indica um mercado imobiliário "aquecido e resiliente" na Capital

26/02/2026 - 09h36min


Bruna Oliveira
Bruna Oliveira
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Jonathan Heckler/Agencia RBS
Média mais alta por metro quadrado foi registrada no Jardim Europa, com R$ 78,14.

Viver de aluguel ficou mais caro em Porto Alegre no último ano. O preço médio do metro quadrado aplicado na Capital subiu 18,4% em relação a janeiro de 2025, chegando à média de R$ 41, conforme levantamento feito pela Loft. Jardim Europa, Três Figueiras e Rio Branco encabeçam a lista entre os mais caros para locar (veja abaixo).

O estudo de mercado foi feito com base em 3 mil anúncios residenciais ativos na Capital. Foram considerados bairros que apresentaram ao menos nove anúncios em janeiro de 2025 e nove em janeiro de 2026.

Gerente de dados da Loft, Fábio Takahashi analisa que a alta nos aluguéis reflete um mercado aquecido e resiliente na cidade. O aumento, considerado expressivo, está acima da inflação registrada no período, que foi de 4,44%.

Ao menos 15 bairros considerados na pesquisa apresentam valores médios de aluguel por metro quadrado superiores à média geral na cidade. No Jardim Europa, por exemplo, essa diferença chega a 90%.

Bairros de Porto Alegre com os aluguéis mais caros

Preço médio por metro quadrado

  • Jardim Europa: R$ 78,14
  • Três Figueiras: R$ 65,22
  • Rio Branco: R$ 62,93
  • Bela Vista: R$ 58,49
  • Auxiliadora: R$ 57,04
  • Mont'Serrat: R$ 55,86
  • Petrópolis: R$ 50,78
  • Praia de Belas: R$ 50,26
  • Jardim do Salso: R$ 50,08
  • Moinhos de Vento: R$ 49,82
  • Jardim Botânico: R$ 49,18
  • Passo D'areia: R$ 48,89
  • Boa Vista: R$ 45,84
  • Higienópolis: R$ 44,37
  • Cidade Baixa: R$ 43,86

Para o especialista, a localização é ponto fundamental na valorização dos imóveis. Reservadas as características de cada bairro, todos os listados entre os mais caros apresentam este ponto em comum. Além disso, a disponibilidade de serviços nesses locais, como bares e restaurantes, além de áreas verdes e tranquilas, aumentam a atratividade, o que, inevitavelmente, aumenta os valores pedidos.

— E o mercado vê isso. São bairros com boa estrutura, boa localização. O mercado investe nisso, chegam novos imóveis, e o preço valoriza — diz Takahashi.

Entre os bairros com o metro quadrado mais caro, os maiores crescimentos anuais entre os bairros mais valorizados foram registrados no Jardim Botânico, com alta de 51%, seguido por Auxiliadora (50%) e Bela Vista (44%). São bairros com potencial de crescimento, e, por isso, valorizados. Veja as altas:

  • Jardim Botânico: +51%
  • Auxiliadora: +50%
  • Bela Vista: +44%
  • Rio Branco: +36%
  • Três Figueiras: +28%
  • Petrópolis: +25%
  • Mont'Serrat: +19%
  • Cidade Baixa: +19%
  • Higienópolis: +17%
  • Passo D'areia: +12%
  • Jardim do Salso: +11%
  • Moinhos de Vento: +10%
  • Praia de Belas: +4%
  • Boa Vista: +1%
  • Jardim Europa: +7%

Tíquete médio

O valor médio gasto mensalmente pelos locatários, ou tíquete médio, também foi considerado na pesquisa. Neste recorte, os bairros com imóveis de amplas metragens e alto valor agregado lideram o ranking.

Três Figueiras é o mais caro deles, com média de R$ 9.376 por aluguel. Depois, aparecem Jardim Europa (R$ 8.264) e Chácara das Pedras (R$ 7.847).

  • Três Figueiras: R$ 9.376
  • Jardim Europa: R$ 8.264
  • Chácara Das Pedras: R$ 7.847
  • Bela Vista: R$ 7.294
  • Moinhos de Vento: R$ 6.784
  • Boa Vista: R$ 6.099
  • Ipanema: R$ 5.959
  • Mont'Serrat: R$ 5.541
  • Higienópolis: R$ 4.958
  • Rio Branco: R$ 4.892
  • Petrópolis: R$ 4.875
  • Jardim Lindoia: R$ 4.657
  • Tristeza: R$ 4.568
  • Auxiliadora: R$ 4.237
  • Independência: R$ 4.176

Quanto ao crescimento do tíquete médio no último ano, os saltos mais expressivos entre os bairros mais valorizados foram observados nos bairros Tristeza (81%), Higienópolis (74%) e Independência (64%). A “pulverização de bairros” na lista, ou seja, com diferentes localidades sendo citadas, reforça a percepção de mercado aquecido, conforme o especialista da Loft:

— Mostra uma cidade de mercado bem ativo. Traz também a necessidade de o locatário procurar muito e entender o que está acontecendo. O mercado está aquecido e isso gera necessidade de mais pesquisa para um bom negócio.

Efeitos lá e cá

Mais de um fator explica a alta dos valores entre janeiro de 2024 e janeiro de 2025, um de ordem macroeconômica e outro local. No campo macro, como a taxa básica de juros se mantém alta no país, o financiamento de imóveis fica mais caro.

Na prática, quem precisa ou quer se mudar adia a compra de um imóvel próprio e opta pelo aluguel. O efeito afeta especialmente a classe média. Quanto mais pessoas buscando locação, mais o preço fica pressionado, explica o gerente de dados da Loft.

Já no âmbito local, Takahashi avalia que o momento ainda é de uma readequação de mercado, após a enchente de 2024, que impactou também o setor.

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