Violência na Capital
Preso por tentativa de feminicídio contra ex-companheira não tinha sido intimado sobre medida protetiva concedida há 10 dias
Homem de 32 anos foi detido em flagrante no bairro Bom Fim, em Porto Alegre, por perseguição, violência psicológica e resistência nesta sexta-feira (30)


O homem de 32 anos preso na tarde desta sexta-feira (30), no bairro Bom Fim, em Porto Alegre, após perseguir a ex-companheira até o local de trabalho, na Avenida Osvaldo Aranha, ainda não havia sido intimado sobre a Medida Protetiva de Urgência (MPU) solicitada pela vítima.
A decisão judicial havia sido concedida à mulher em 19 de janeiro, mas o agressor ainda não tinha sido formalmente comunicado sobre a medida até esta sexta — 10 dias após a determinação.
Zero Hora entrou em contato com o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que informou que casos de violência doméstica tramitam sob sigilo.
Tentativa de feminicídio
De acordo com a Polícia Civil, a mulher, de 37 anos, sofreu uma tentativa de feminicídio em 17 de janeiro. O suspeito, que não aceitava o fim do relacionamento, foi até a residência da vítima, no bairro Azenha, efetuou disparos de arma de fogo contra ela e a irmã, que tentou intervir para protegê-la. O homem também desferiu coronhadas na cabeça da ex-companheira.
A Brigada Militar foi acionada, mas o homem conseguiu fugir do local e estava foragido desde então. As vítimas procuraram atendimento médico.
A ex-companheira solicitou, então, uma medida protetiva contra ele, que foi deferida pelo Judiciário no dia 19 de janeiro — dois dias após o ataque, de acordo com a Polícia Civil. Mesmo com a medida de proteção ativa, no entanto, oficiais de Justiça não conseguiram intimar formalmente o suspeito.
Por essa razão, o agressor não pôde ser autuado pelo crime de descumprimento de medida protetiva nesta sexta-feira. Ele foi preso em flagrante pelos crimes de perseguição, violência psicológica e resistência. A polícia também cumpriu o mandado de prisão preventiva pela tentativa de feminicídio.
— Ele não tinha sido intimado formalmente e dependia dessa formalidade para incidir na prática do crime de descumprimento — afirmou a delegada Thaís Dias Dequech, titular da 1ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Porto Alegre.
Perseguição
Desde o ataque, o homem vinha perseguindo a vítima por meio de mensagens e ligações, inclusive a partir de diferentes números de telefone, segundo a Polícia Civil.
Nesta sexta-feira, ele foi pessoalmente até o local de trabalho da ex-companheira, mas a ação foi impedida pelo porteiro do edifício, que identificou o agressor e alertou a vítima. A Brigada Militar foi acionada e efetuou a prisão em flagrante no local.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram o momento em que dois brigadianos tentam imobilizá-lo. Ele resiste à abordagem, entra em luta corporal com os agentes e grita por socorro.
Em nota, a Brigada Militar afirmou que a ação "foi determinante para impedir a consumação de nova tentativa de feminicídio".
Na quinta-feira (29), a Brigada Militar informou que já havia sido acionada para atendimento de uma ocorrência envolvendo o mesmo homem. Ele estaria rondando uma residência com o intuito de localizar a vítima que tinha solicitado a medida protetiva.
— As forças de segurança evitaram hoje, com certeza, mais um feminicídio. É um criminoso com vasta ficha criminal, quatro folhas de antecedentes criminais, muito perigoso, e ele não aceitava o fim do relacionamento — destacou a Diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher da Polícia Civil, a delegada Waleska Alvarenga.
O preso tem antecedentes por crimes como homicídio, ameaça e lesão corporal.
Vítima "aliviada" com a prisão
A delegada Waleska Alvarenga revela, ainda, que conversou nesta sexta-feira com a vítima da tentativa de feminicídio. Segundo a ela, a mulher demonstrou alívio pela prisão do ex-companheiro.
— A vítima me disse hoje, aos prantos, que ele não aceitava o fim do relacionamento, uma pessoa muito possessiva, ciumento. Eles namoraram durante dois anos, não têm filhos em comum. Ela está aliviada por ele ter sido preso hoje.
A mulher foi alertada sobre a presença do ex-companheiro no local pelo porteiro do prédio onde ela trabalha. Ao confirmar a situação, ela ligou para Brigada Militar.
— Ela acionou a Brigada (Militar) e foi (até o local) a mesma equipe que já havia sido acionada em relação a este fato — disse Waleska.
O caso segue em investigação.