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Prevista para 2023, obra do Quadrilátero Central chega ao fim na próxima semana: "Faltam apenas acabamentos"

Secretaria de Obras e Infraestrutura de Porto Alegre prevê para quarta-feira, no máximo, conclusão dos trabalhos iniciados em 2022

22/02/2026 - 14h23min


Marcelo Gonzatto
Marcelo Gonzatto
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André Ávila/Agencia RBS
Últimos bloqueios devem ser removidos nos próximos dias.

Com pouco mais de dois anos de atraso, a prefeitura de Porto Alegre prevê terminar até o meio da próxima semana as obras de revitalização no chamado Quadrilátero Central — conjunto de vias no Centro Histórico que recebeu melhorias de pavimento, iluminação, redes de infraestrutura e paisagismo a um custo aproximado de R$ 20 milhões.

A última etapa do serviço envolve a recolocação de pedras portuguesas no trecho da Rua da Praia junto à Praça da Alfândega, nas proximidades da Rua General Câmara.

O titular da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi), André Flores, afirma que a conclusão deve acontecer entre terça (24) e quarta-feira (25) e permitir a retirada dos últimos tapumes e a desmobilização do canteiro de obras localizado no entorno.

Conforme a prefeitura, esse trecho final é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e, por isso, requer um trabalho mais cuidadoso para preservar as características originais da área. Flores afirma que a parte mais pesada do trabalho já foi feita, com a finalização do piso de concreto, a instalação de juntas de metal na divisa com as seções de pedras portuguesas e a recolocação da maior parte dessas pedras.

Faltam apenas acabamentos, uma pedra aqui, outra ali, porque é um trabalho especializado, artesanal, e tudo precisa ficar bem assentado. Quando chove, o serviço tem de parar. Mas o passeio está liberado, não tem nada mais que interfira na mobilidade — acrescenta o secretário.

Impacto do atraso

O término da recomposição desse pavimento vai marcar o final de uma longa reforma no coração da cidade. Iniciada em junho de 2022, a recuperação realizada em oito vias deveria ter sido concluída no ano seguinte. Porém, a revitalização acabou se alongando muito além do esperado — o que motivou reclamações de comerciantes prejudicados pela queda de movimento.

Segundo o titular da Smoi, três fatores acabaram comprometendo o cronograma:

— Tivemos dificuldades com o cadastro do subsolo (para saber onde se localizavam exatamente cabos e tubulações de infraestrutura). A segunda coisa foi que procuramos amenizar o impacto social da obra, o que exigiu mais tempo e, por fim, enfrentamos períodos de clima severo, como em 2023 e 2024, com todo o efeito da enchente de 2024 que afetou não só o próprio local, mas até fornecedores.

Flores afirma que, apesar dos contratempos, durante o período de trabalho nos 11 quilômetros de vias foi registrado um aumento de 17,5% no número de empresas registradas na região, e a arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS) cresceu 21%.

Durante o mês e meio em que as obras tomaram a frente de sua loja, porém, o comerciante Éverton Mendes amargou uma redução de até 80% nos negócios. Com a proximidade do final dos trabalhos e a diminuição da área bloqueada aos pedestres, agora comemora a retomada no movimento.

— Eu vinha emitindo quatro, cinco notas (fiscais) por dia. Ontem (quinta-feira, dia 19), já foram 18. O piso aqui na frente ficou muito bem feito. Acredito que, a partir de agora, o movimento vai melhorar ainda mais — analisa Mendes.

Trabalhos pontuais seguem

Na sexta (20), havia um pequeno trecho cercado por cones, telas e tapumes no encontro das ruas da Praia e General Câmara, além do canteiro de obras localizado nas proximidades. André Flores afirma que, mesmo com a conclusão formal da obra no quadrilátero, a prefeitura seguirá realizando trabalhos de recuperação e manutenção, como substituição de lajes danificadas. Em alguns pontos, como junto da Esquina Democrática, o piso tátil (com relevo para orientar pessoas cegas ou com pouca visão) já apresenta algumas peças parcialmente soltas.

Para o gerente de cafeteria Eduardo Andrades, as condições de circulação na área central melhoraram bastante.

— A parte cimentada tirou um pouco da identidade que se tinha aqui no local, mas a acessibilidade ficou bem mais ampla — opina.

Camelôs ainda são encontrados na região

André Ávila/Agencia RBS
Ainda se veem vendedores em pontos ao longo da Rua da Praia.

Outro desafio, a partir de agora, será cumprir a promessa do prefeito Sebastião Melo de manter as áreas recém-recuperadas sem a presença de vendedores ambulantes irregulares. No começo da tarde desta sexta, Zero Hora observou produtos de camelôs em pontos da Rua da Praia próximos à Esquina Democrática, e nas esquinas com a Vigário José Inácio e com a Marechal Floriano.

— Esse é um trabalho constante de fiscalização. Claro, tem pontualmente alguém que quer vender uma fruta, outro que vende fone de ouvido, mas não há mais aquela presença que impeça o trânsito — argumenta o secretário da Smoi.

As vias recuperadas

  • Marechal Floriano Peixoto
  • Andradas
  • Uruguai
  • General Vitorino
  • Vigário José Inácio
  • Voluntários da Pátria
  • Borges de Medeiros
  • Otávio Rocha

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