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PIQUETCHÊ

Reencontro inspira a criação de piquete

Criado por amigos da década de 1970, o Alma Polivalente transforma amizades em pertencimento e reforça a cultura gaúcha

23/02/2026 - 14h27min


Henrique Moreira
Henrique Moreira
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Susana Lima Andrade/Arquivo pessoal
A estreia foi em janeiro e reuniu mais de 60 pessoas.

O reencontro de ex-alunos da década de 1970 da antiga Escola Polivalente, hoje Escola Estadual de Ensino Médio Visconde do Rio Branco, em Canoas, sempre foi marcado por memória, afeto e convivência. Ao longo dos anos, essas reuniões informais mantiveram viva uma ligação construída ainda na juventude, fortalecida pelo tempo e pela vontade de permanecer juntos. O que era apenas saudade compartilhada começou, pouco a pouco, a ganhar contornos de algo maior.

O grupo reúne cerca de cem ex-alunos e promove encontros anuais que se tornaram tradição. Em 2023, esse vínculo ganhou registro permanente com o lançamento de um livro de memórias na Feira do Livro de Porto Alegre, reunindo relatos pessoais de quem viveu o cotidiano da escola naquele período. As confraternizações seguiram crescendo, com festas, aniversários e jantares realizados na casa de colegas, até que surgiu a percepção de que faltava um espaço comum para todos.

A iniciativa de transformar o convívio em projeto partiu de Susana Lima Andrade, 62 anos, conselheira tutelar e formada pela escola em 1979. Foi ela quem apresentou a ideia de criar um piquete, procurou os colegas e iniciou os primeiros movimentos para tirar o projeto do papel, unindo o desejo de convivência à valorização da cultura gaúcha.

– A gente gostava muito de festa e precisava sempre da casa de alguém. Então, pensei: por que não fortalecer nossas tradições e criar um piquete que fosse de todos? – diz.


Persistência 

O caminho até a concretização exigiu organização e persistência. A primeira tentativa foi buscar um espaço no Parque Eduardo Gomes, o Parcão de Canoas, mas a falta de registro formal impediu o avanço. A partir disso, o grupo decidiu estruturar a patronagem, organizar a documentação necessária e definir uma sede provisória, cedida por um casal de integrantes, que já recebia encontros e ações solidárias.

Foi nesse espaço que o Piquete Alma Polivalente foi oficialmente registrado e inaugurado, em 24 de janeiro. A estreia reuniu mais de 60 pessoas e superou as expectativas, com elogios e manifestações de pertencimento compartilhadas entre os participantes. O piquete passou a ser visto não apenas como local de encontro, mas como símbolo de união e continuidade.

Hoje, a patronagem é formada por sete pessoas, entre três casais e uma mulher. Muitos nunca haviam participado de um piquete tradicionalista e passaram a aprender coletivamente sobre pilcha, normas e rituais. O apoio de um padrinho experiente, que faz parte de um piquete já estabelecido, tem sido fundamental nesse processo de formação.

– As pessoas estão felizes, comprando pilcha, querendo aprender. Para nós, tudo isso também é novidade, mas é algo que aproxima e fortalece o grupo – afirma Susana.

Além da convivência, o Piquete Alma Polivalente faz ações sociais, com arrecadação de brinquedos e apoio solidário em momentos de necessidade. 

O grupo também utiliza contribuições coletivas para viabilizar eventos e manter as atividades, reforçando o espírito comunitário.

Doações 

O piquete arrecada roupas, calçados, brinquedos e material escolar para crianças. Confira como acompanhar os eventos, realizar doações e participar das ações:

/// Sede: Antônio Ficagna, 1.033, bairro Fátima – Canoas

/// Instagram: @piquetealmapolivalente

/// Pix para Joselia do Carmo Borowsky: (51) 98473-3198


* Com orientação e supervisão de Lis Aline Silveira





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