Em uma década
Santa Casa de Porto Alegre registra maior número de transplantes em um mês
Em janeiro deste ano, foram realizados 59 procedimentos. Levantamento é referente aos últimos 10 anos


A Santa Casa de Porto Alegre registrou em janeiro de 2026 o maior número de transplantes de órgãos para um mês dos últimos 10 anos. Foram 59 procedimentos no mês passado. O número supera as 57 cirurgias feitas em julho de 2024, que era até então o recorde do complexo hospitalar desde 2017.
Entre as cirurgias realizadas no mês passado, estão três transplantes de coração, três de pulmão, 42 de rim e 11 de fígado.
Para a direção do complexo hospitalar, o novo recorde se explica não apenas pela capacidade técnica da Santa Casa de Porto Alegre, mas também pela solidariedade, uma vez que cada procedimento realizado depende do consentimento das famílias dos doadores:
— Temos capacidade para aumentar o número de transplantes, as nossas equipes estão preparadas do ponto de vista técnico e o hospital também. Então, é importante acender uma luz para as famílias discutirem esse assunto, porque isso tem que ser conversado antes para que não seja algo apenas na hora da morte encefálica — afirma o diretor médico e de Ensino e Pesquisa da Santa Casa, Antonio Kalil.
Conforme o mais recente Registro Brasileiro de Transplantes, elaborado pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, a média nacional de recusa familiar é de 45%. O Rio Grande do Sul registra 47%, pouco acima da média nacional.
Até setembro de 2025, conforme o relatório, o Rio Grande do Sul apresentava um total de 2.395 pacientes ativos em lista de espera por órgãos e tecidos.
Busca ativa por órgãos
O balanço histórico de transplantes da Santa Casa de Porto Alegre, em janeiro, não soma os procedimentos envolvendo tecidos como córnea, pele e músculo esquelético, nem transplante de medula óssea.
Além da capacidade técnica, o complexo conta com um setor específico de busca ativa por doadores, chamado Organização de Procura de Órgãos (OPO).
— Nós vamos até Canoas fazendo essa procura ativa nas UTIs, falando com familiares no momento em que é possível doar os órgãos. Mas além disso, fazemos vários trabalhos em termos de educação com algumas repercussões na sociedade para tentar aumentar essa perspectiva de doação de órgãos — explica Kalil.
Em 2025, a Santa Casa de Porto Alegre foi responsável por 60,6% dos transplantes feitos no Rio Grande do Sul. Dos 773 procedimentos realizados no Estado, 469 ocorreram na instituição.