TUA SAÚDE
Suplementos: riscos que você precisa saber
Consumo sem avaliação profissional pode mascarar doenças, provocar excessos e sobrecarregar órgãos como fígado e rins


A popularização dos suplementos alimentares tem levado cada vez mais pessoas a buscar vitaminas, minerais e compostos prontos para consumo como solução rápida para cansaço, queda de cabelo, baixa imunidade e até melhora estética. Impulsionado por modismos e pela influência das redes sociais, esse comportamento transforma em hábito o que deveria ser tratado com acompanhamento médico.
Para entender os riscos desse consumo feito por conta própria, conversamos com Raissa Gorczevski, nutricionista assistencial do Hospital Moinhos de Vento. Ela explica que o uso sem avaliação gera excessos, interações medicamentosas e pode mascarar sintomas importantes, atrasando diagnósticos que dependeriam de exames e análise profissional.
– A aparência inofensiva desses produtos cria uma falsa sensação de segurança – afirma.
Segundo Raissa, nenhum suplemento substitui uma alimentação equilibrada, uma boa rotina de sono ou o manejo adequado do estresse. E, embora muitos sejam vendidos sem prescrição, isso não significa que sejam seguros para todos.
O que diz a especialista
A suplementação deve ser iniciada por conta própria?
/// Não. Mesmo quando parece inofensiva, a suplementação não deve ser iniciada sem avaliação profissional. Uma consulta clínica e nutricional permite analisar saúde, hábitos, rotina, objetivos e, quando necessário, exames laboratoriais. Muitas vezes, o suplemento imaginado como necessário não traz benefício real ou até mascara problemas que precisam ser investigados.
Quais são os riscos de comprar suplementos sem prescrição?
/// O principal é o consumo inadequado das doses, que pode gerar toxicidade e sobrecarga de fígado e rins. Também é comum o uso sem necessidade real. Certos suplementos interferem na ação de medicamentos. Outro problema é mascarar sintomas importantes. E há grande variação na qualidade entre laboratórios.
Ser vendido sem receita significa que é seguro?
/// Não. Venda livre não significa segurança. O fato de um produto ser “natural” não o torna isento de riscos. Nada em excesso faz bem. Recomendações genéricas não consideram o que a pessoa realmente consome ou necessita. Cada organismo tem demandas específicas.
Quais erros são mais comuns na automedicação com suplementos?
/// Muitos usam sem necessidade porque o amigo toma, porque viram na internet ou porque parece fazer bem. Já atendi quem tomava oito suplementos ao mesmo tempo, com doses alteradas e produtos que anulavam o efeito uns dos outros. Outro erro é achar que suplemento substitui refeição, o que não acontece.
Suplementos podem mascarar doenças?
/// Podem, e isso é frequente. Um cansaço, por exemplo, pode ser desidratação, estresse, alterações hormonais ou doenças que precisam de diagnóstico precoce. Já vimos casos graves que poderiam ter sido identificados antes, mas foram encobertos pelo uso de suplementos.
Há risco de sobrecarga hepática ou renal?
/// Sim. Fígado e rins metabolizam tudo que consumimos. Quando há excesso, pode ocorrer sobrecarga. Vitaminas lipossolúveis acumulam e podem causar toxicidade. Vitamina C em altas doses aumenta risco de cálculos renais. Suplementos proteicos sobrecarregam os rins, especialmente se houver condição não diagnosticada.
Como saber se cansaço, queda de cabelo ou imunidade baixa indicam deficiência?
/// É preciso avaliação clínica detalhada: histórico alimentar, sono, estresse, atividade física, medicamentos e fase da vida. Só exames laboratoriais direcionados confirmam uma deficiência e devem ser interpretados junto ao quadro clínico.
Existe modismo na suplementação?
/// O marketing e as redes sociais impulsionam produtos sem evidência robusta. Há exagero no consumo de itens “detox” e vitaminas associadas a promessas rápidas. O organismo já tem mecanismos naturais de limpeza, principalmente o fígado. Sobrecarregá-lo com suplementos desnecessários não faz sentido.
Qual é a orientação para quem já usa suplementos por conta própria?
/// Suplemento não é tratamento preventivo universal. Excesso faz mal e, muitas vezes, de forma silenciosa. Quem já usa deve buscar avaliação profissional e levar uma lista completa com tempo de uso. Não é recomendado ajustar doses sozinho.
* Com orientação e supervisão de Lis Aline Silveira