Fique alerta!
Tempo seco no RS: saiba por que a umidade cai durante o calor e como evitar desidratação
Padrão atmosférico persistente afeta a qualidade do ar, exige medidas preventivas e antecede uma virada gradual no cenário

O Rio Grande do Sul enfrenta um período de calor intenso, com temperaturas acima da média e reflexos diretos não apenas no desconforto térmico, mas também na umidade relativa do ar.
Em meio à onda de calor, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alertas para umidade baixa em grande parte do Estado, com índices que podem ficar abaixo de 30% em várias regiões.
Embora não seja classificada como uma situação extrema, a condição representa risco à saúde e ao meio ambiente, especialmente nos períodos mais quentes do dia.
Por que a umidade relativa do ar cai durante ondas de calor?
A chamada umidade relativa do ar indica a quantidade de vapor d'água presente na atmosfera em relação ao máximo que o ar consegue reter em determinada temperatura. E esse é o ponto-chave: quanto mais quente o ar, maior é a sua capacidade de "armazenar" vapor d'água sem que ele condense.
Quando o ar está saturado, como ocorre em situações de nevoeiro ou formação de nuvens, a umidade relativa é de 100%. Mas, à medida que a temperatura sobe, sem que haja entrada de mais vapor d'água, essa porcentagem cai rapidamente.
— A umidade relativa depende muito da temperatura. Durante a tarde, quando as temperaturas chegam perto de 40ºC, é quando a umidade relativa vai abaixo de 30% — explica o meteorologista Henrique Repinaldo, do Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
Calor, céu aberto e pouco vapor d'água
O cenário observado no Rio Grande do Sul nos últimos dias reúne todos os fatores que favorecem o ar seco: chuva escassa, longos períodos de estiagem, pouca nebulosidade e temperaturas muito elevadas.
Sem nuvens, o solo e o ar próximo à superfície aquecem com mais intensidade ao longo do dia. Ao mesmo tempo, há pouco aporte de umidade, ou seja, o transporte de vapor d’água de outras regiões do continente está reduzido.
— Nos últimos dias, temos recebido pouco aporte de umidade. Está sendo um tempo muito quente e seco. Esse transporte de umidade não está ocorrendo — destaca Repinaldo.
Esse conjunto de fatores faz com que, especialmente entre o fim da manhã e o meio da tarde, a umidade relativa do ar despenque, atingindo níveis considerados prejudiciais.
Quais são os riscos da umidade baixa?

Quando o ar está muito seco, o organismo perde água com mais facilidade. O suor evapora rapidamente, o que até pode gerar uma sensação momentânea de resfriamento, mas aumenta significativamente o risco de desidratação, muitas vezes sem que a pessoa perceba.
— Quando a umidade é muito baixa, o nosso suor evapora muito rapidamente, então o risco de desidratação é muito alto — alerta o meteorologista Henrique Repinaldo.
Segundo o nutricionista clínico Fabrício Degrandis, a desidratação associada à baixa umidade costuma ser silenciosa, já que nem sempre vem acompanhada de suor intenso.
— Mesmo sem suor aparente, a gente perde água pela respiração e pela pele, o que impacta vários sistemas do corpo — explica.
Entre os principais efeitos da baixa umidade do ar estão:
- ressecamento das vias aéreas, com aumento de irritação nasal, tosse e crises de rinite, sinusite e asma
- ressecamento da pele, dos olhos e dos lábios, favorecendo fissuras, ardência e inflamações
- maior risco de desidratação, que pode se manifestar por dor de cabeça, cansaço, tontura e queda no rendimento físico
- agravamento de doenças respiratórias, especialmente em pessoas que já têm algum diagnóstico prévio
Os impactos tendem a ser ainda mais intensos em idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas, que têm menor percepção da sede ou maior dificuldade de manter o equilíbrio hídrico.
Além disso, há o risco ambiental, com possíveis queimadas e incêndios florestais devido à vegetação mais seca.
Como se proteger em períodos de ar seco?
A prevenção envolve medidas simples, mas que fazem diferença no dia a dia. Degrandis recomenda:
- aumentar a ingestão de água ao longo do dia, mesmo sem sentir sede
- evitar atividades físicas intensas nos períodos mais quentes e secos
- reduzir a exposição ao sol nas horas de maior calor
- hidratar a pele, os lábios e as mucosas, usando cremes e soluções salinas nasais quando necessário
- utilizar umidificadores de ar ou alternativas caseiras, como bacias com água ou toalhas úmidas em ambientes fechados
- manter os ambientes ventilados, evitando o uso prolongado de ar-condicionado sem umidificação
- apostar em uma alimentação rica em frutas, verduras e legumes, que também contribuem para a hidratação e fornecem antioxidantes importantes
Até quando o calor e o ar seco devem persistir?
Segundo o Inmet, a onda de calor se mantém pelo menos até sábado (7), mas a boa notícia é que já há sinais de mudança no padrão atmosférico.
— Nesta sexta-feira (6), o calor segue muito forte até o meio da tarde. Da tarde para a noite, a frente fria começa a mudar o tempo e traz um refresco — explica o meteorologista do Inmet Marcelo Schneider.
A reversão do quadro começa com a entrada de uma frente fria vinda da Argentina e do Uruguai, que avança inicialmente sobre a metade sul do Rio Grande do Sul e, na sequência, alcança o norte do Estado.
Esse sistema deve provocar:
- aumento da nebulosidade
- pancadas de chuva
- queda gradual das temperaturas
- rajadas de vento
- risco de temporais isolados
Em algumas áreas, especialmente no Sul e no Oeste, os volumes de chuva podem variar entre 40 e 50 milímetros. Com mais nuvens, precipitação e queda nas temperaturas, a tendência é de elevação gradual da umidade relativa do ar.
Durante o sábado e o domingo (8), o cenário deve ser de temperaturas mais amenas em todo o Estado, marcando o fim do período de calor extremo e, consequentemente, dos episódios mais críticos de ar seco associados a essa onda.