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Transporte público é alvo de queixas em Sapucaia do Sul

Atrasos frequentes, ônibus que não passam e frota em más condições são as principais reclamações de quem depende do serviço para trabalhar ou estudar 

17/02/2026 - 17h48min

Atualizada em: 17/02/2026 - 17h50min


Rayne Sá*
Rayne Sá*
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Vitória Borges/Arquivo pessoal
Segundo moradores, situação piora no verão e no período de férias escolares

Moradores de Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana, têm relatado problemas recorrentes com o transporte público do município. Atrasos frequentes, ônibus que não passam e frota em más condições são os principais apontamentos de quem depende do serviço para trabalhar ou estudar.  

Segundo depoimentos de usuários, a situação piora no verão e no período de férias escolares, quando horários se tornam imprevisíveis e a operação das linhas fica ainda mais irregular. 

Vitória Borges Leal, 29 anos, usuária das linhas L14 (Pasqualine) e L8 (Walderez), afirma que “as linhas não têm horário fixo entre dezembro e março”. Para ela, falta empatia por parte da empresa, que teria justificado os problemas com o período de férias. 

– A empresa relata que estão em horário de férias escolares, mas o restante dos moradores não são estudantes e sim, trabalhadores como eu, que há mais ou menos quatro anos, pegam ônibus no mesmo horário para se deslocar ao trabalho. Um total descaso com a população  – lamenta a analista de atendimento. 

A moradora Cristiane Flor, 49 anos, relata que tenta sair mais cedo, no horário das 6h, para não perder o trem rumo a Novo Hamburgo, onde trabalha como analista de departamento pessoal, mas ainda assim enfrenta atrasos e falta de ônibus.  

– Muitas vezes vou a pé até o trem, um trajeto de 15 minutos, sendo que agora é tranquilo. No inverno, quando ainda não amanheceu, pode ser perigoso – comenta.  

Já o morador Aryel de Freitas Barbosa, 33 anos, chama a atenção para problemas nos ônibus, como ausência de ar-condicionado e botões de parada que não funcionam.  

– Alguns dispositivos para solicitar parada estão inoperantes. Diversos atrasos nas linhas, algumas não passam, e simplesmente decidem não passar do nada – afirma ele.  

Histórico 

O transporte coletivo municipal passou por várias mudanças nos últimos anos. Em 2020, após a suspensão da concessão da empresa anterior, a Expresso Charqueadas Transportes Ltda. assumiu o serviço em caráter emergencial, com contrato de seis meses, com a promessa de manter linhas, itinerários e horários, além de incorporar um aplicativo para consulta de horários e itinerário, numa tentativa de regularizar o serviço.  

Em outubro de 2025, a prefeitura assinou contrato com a Transbus, vencedora do processo licitatório, com a promessa de uma nova frota de 30 ônibus zero-quilômetro, com ar-condicionado, acessibilidade e rastreamento por aplicativo, cujo início estava previsto para até março de 2026. Porém, em novembro do mesmo ano, foi suspenso pela Justiça. 

Adicionalmente, no fim de 2025, um incêndio atingiu o pátio da garagem da Expresso Charqueadas, destruindo seis veículos, entre ônibus e um caminhão, o que levou a ajustes temporários nos serviços e redução de viagens em algumas linhas. 

Contraponto

/// Em nota oficial, a prefeitura de Sapucaia do Sul informou que acompanha a situação do contrato emergencial com a empresa Expresso Charqueadas, atualmente responsável pelo transporte coletivo no município, cujo contrato tem término previsto para setembro de 2026, e que a empresa já sinalizou que não pretende renovar a prestação do serviço. 

/// A administração municipal ressaltou que o serviço atual apresenta inconformidades em relação à legislação municipal e não atende integralmente aos padrões de qualidade e aos direitos assegurados aos usuários. “Diante disso, o município já estuda alternativas e providências para viabilizar a contratação de nova empresa para manter a prestação do serviço.” 

/// Segundo a prefeitura, o processo licitatório concluído em outubro de 2025 permanece suspenso por decisão judicial, o que impede, neste momento, a formalização da concessão definitiva. “Diferentemente do que vem sendo divulgado em canais não oficiais, não há qualquer contato ou acordo com qualquer empresa para substituir a atual operadora. A prefeitura está organizando um novo contrato emergencial, conforme previsto na legislação e em observância aos princípios da legalidade, impessoalidade e transparência.” Por fim, esclarece que segue adotando as medidas para assegurar a continuidade do transporte público até a conclusão do processo judicial que mantém a licitação suspensa.

* Com orientação e supervisão de Lis Aline Silveira


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