Notícias



Dívida

Arquitetos e engenheiros que atuaram na enchente aguardam pagamentos da prefeitura de Canoas desde 2024

Profissionais fizeram laudos imobiliários para que o município pudesse receber verbas para reconstrução

06/03/2026 - 10h31min


Kyane Sutelo
Kyane Sutelo
Enviar E-mail
Gelson Saldanha/Arquivo Pessoal
Cerca de 100 pessoas foram contratadas para vistoriar residências e outras estruturas afetadas na cheia.

Quase dois anos após a enchente que atingiu o Estado, a prefeitura de Canoas ainda não pagou profissionais por contratos feitos meses após a tragédia. Os relatos são de arquitetos e engenheiros contratados para vistoriar residências e outras estruturas do município, após a tragédia de maio de 2024. A prefeitura confirma a dívida.

Alguns dos trabalhadores ingressaram com ações na Justiça contra o Executivo. Eles afirmam que foram cerca de 100 contratos com arquitetos e engenheiros ao todo, envolvendo orçamento de aproximadamente R$ 3 milhões. Reuniões e tratativas de negociação por e-mail terminaram sem sucesso, alegam.

A engenheira Paola dos Santos, 30 anos, é uma das profissionais que aguarda pagamento. Ela afirma que seu prejuízo foi de R$ 29 mil. A prefeitura de Canoas também teria uma dívida de R$ 31 mil com o noivo dela, Lorenzo Delgado, 29 anos. Ambos atuaram durante a enchente. Paola conta que desistiu de tentar negociar com a gestão do município, após diversas reuniões.

— Estive à frente da cobrança da prefeitura durante o ano passado, mas, este ano, acabei desistindo um pouco e penso em colocar na Justiça mesmo — pondera a engenheira.

A alternativa já foi escolhida por colegas, como o arquiteto Gelson Saldanha, 37 anos, que também não chegou perto de uma solução concreta. Ele acionou a prefeitura de Canoas na Justiça em novembro e afirma que o processo ainda não avançou. O profissional estima ao menos R$ 43 mil de prejuízo, sendo R$ 37 mil do contrato assinado, R$ 5 mil de imposto antecipado e mais as custas da ação judicial.

— Eu sou um microempresário, não tenho grandes contratos. Qualquer custo impacta na minha receita e vida particular. Para realizar o trabalho, eu parei umas duas semanas da minha vida e fui todos os dias visitar os imóveis, tive custo com deslocamento e material — conta Gelson.

Paola e Gelson integram um grupo de mais de 70 profissionais que se reuniu em um aplicativo de mensagens para acompanhar em conjunto o andamento das cobranças. Eles ainda se dividem entre quem entrou na Justiça e quem preferiu aguardar. Porém, nenhum recebeu até o momento.

O que diz a prefeitura

A prefeitura de Canoas confirma débitos de R$ 130 milhões em aberto em razão da enchente, sendo R$ 3,5 milhões referentes aos laudos imobiliários. Segundo nota enviada pela Secretaria Municipal da Fazenda, o município busca "recursos para quitar todos os débitos em aberto deste período".

Conforme o Executivo, os profissionais serão pagos com verba federal. Porém, não foi informado se há previsão de chegada desses recursos ou negociações em andamento com o governo federal, até a publicação desta matéria.

Leia a nota:

"A Prefeitura de Canoas, através da Secretaria Municipal da Fazenda, esclarece que os valores em aberto com arquitetos e engenheiros são relativos à confecção dos laudos imobiliários em função da enchente de 2024. A Prefeitura possui um passivo de aproximadamente R$130 milhões ainda da enchente, sendo R$3,5 milhões referente aos laudos.

Desde janeiro de 2025 a administração municipal trabalha na busca de recursos para quitar todos os débitos em aberto deste período. A verba utilizada para garantir estes pagamentos será oriunda do governo federal."

Últimas Notícias