Maria da Penha
Câmara aprova licença para servidoras vítimas de violência doméstica em Porto Alegre
Afastamento poderá ser de até 15 dias consecutivos, sem prejuízo salarial, mediante comprovação da situação de violência. Período poderá ser prorrogado conforme complexidade do caso


A Câmara de Vereadores de Porto Alegre aprovou em sessão plenária, nesta quarta-feira (4), um projeto de lei complementar que prevê a concessão de uma licença para servidoras públicas municipais vítimas de violência doméstica e familiar. A chamada Licença Maria da Penha passou por unanimidade pela Casa e agora segue para sanção do Executivo.
De autoria do vereador Giovani Culau e Coletivo (PCdoB), o texto altera o Estatuto dos Funcionários Públicos do Município, incluindo a nova modalidade de afastamento entre as licenças já previstas em lei.
Conforme a regra aprovada, a servidora vítima de violência doméstica e familiar poderá se afastar do trabalho por até 15 dias consecutivos, sem prejuízo na remuneração. O período poderá ser prorrogado ou renovado, conforme a análise e complexidade do caso.
Para ter acesso ao benefício, será necessário apresentar documentos que comprovem a situação de violência, como medida protetiva de urgência deferida ou quaisquer documentos oficiais provenientes de delegacia especializada, laudos técnicos psicológicos ou decisões judiciais.
Acolhimento institucional
Na justificativa do projeto, o vereador Giovani Culau destacou que a medida busca garantir acolhimento institucional em um momento de vulnerabilidade, além de estimular a denúncia e o rompimento do ciclo de violência.
— A aprovação da licença Maria da Penha garante às servidoras municipais vítimas de violência doméstica o direito de afastamento temporário sem prejuízos salariais e isso é um marco de uma garantia pioneira de respeito e dignidade às servidoras municipais que também têm sido alvo da violência — defendeu o vereador.
Segundo o texto aprovado, a criação da licença não gera novos custos ao município, já que a remuneração das servidoras que eventualmente forem afastadas já está prevista no orçamento.
Como pedir ajuda
Brigada Militar | 190
- Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas em todo o Estado
Polícia Civil
- Se a violência já aconteceu, a vítima deverá ir, preferencialmente, à Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de Polícia para fazer o boletim de ocorrência e solicitar as medidas protetivas
- Em Porto Alegre, há duas Delegacias da Mulher. Uma fica na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia, no bairro Azenha. Os telefones são (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172 ou 197 (emergências)
- A outra foi inaugurada em 2024. O espaço fica entre as zonas Leste e Norte, na Rua Tenente Ary Tarrago, 685, no Morro Santana. A repartição conta com uma equipe de sete policiais e funciona de segunda a sexta, das 8h30min ao meio-dia e das 13h30min às 18h.
- As ocorrências também podem ser registradas em outras delegacias. Há DPs especializadas no Estado. Confira a lista neste link
Delegacia Online
- É possível registrar o fato pela Delegacia Online, sem ter que ir até a delegacia, o que também facilita a solicitação de medidas protetivas de urgência
Central de Atendimento à Mulher 24 Horas | Disque 180
- Recebe denúncias ou relatos de violência contra a mulher, reclamações sobre os serviços de rede, orienta sobre direitos e acerca dos locais onde a vítima pode receber atendimento. A denúncia será investigada e a vítima receberá atendimento necessário, inclusive medidas protetivas, se for o caso. A denúncia pode ser anônima. A Central funciona diariamente, 24 horas, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil
Ministério Público
- O Ministério Público do Rio Grande do Sul atende em qualquer uma de suas Promotorias de Justiça pelo Interior, com telefones que podem ser encontrados no site da instituição
- Neste espaço é possível acessar o atendimento virtual, fazer denúncias e outros tantos procedimentos de atendimento à vítima. Acesse o site
Defensoria Pública | Disque 0800-644-5556
- A vítima pode procurar a Defensoria Pública, na sua cidade ou, se for o caso, consultar advogado(a)
Disque 100 | Direitos Humanos
- Serviço gratuito e confidencial do Governo Federal, disponível 24 horas por dia, para proteção e denúncias de violações de direitos humanos