Notícias



Erros em série

Ciclofaixa ocupa a calçada, tem piso tátil para cegos e poste no meio da via em Cachoeirinha

Segundo a prefeitura, haverá ajustes para garantir a segurança no trecho e uma investigação sobre a execução da obra, feita por uma terceirizada

28/02/2026 - 21h28min


Vinicius Coimbra
Vinicius Coimbra
Enviar E-mail

Moradores de Cachoeirinha, na Região Metropolitana, reclamam da instalação de uma ciclofaixa sobre a calçada na Avenida Fernando Ferrari, uma das principais vias da cidade. Em um dos trechos, o trajeto criado para ciclistas passa por um piso tátil destinado à orientação de pessoas cegas. 

Segundo a prefeitura, a obra tem recursos federais e foi executada por uma empresa terceirizada contratada na gestão anterior. Também assegurou que fará intervenções para garantir a segurança no trecho e que investigará o episódio.

Atualmente, Cachoeirinha está com uma administração interina, já que há eleição marcada para 12 de abril depois que dois prefeitos foram cassados em três anos no município.

Na manhã deste sábado (28), Zero Hora esteve em um trecho próximo ao cruzamento da Fernando Ferrari com a Avenida Flores da Cunha, onde moradores alegam não haver espaço para comportar pedestres e ciclistas

O trecho integra um investimento federal feito nos últimos anos para melhorar a mobilidade urbana, com vários quilômetros de vias para bicicletas na cidade.

Além disso, perto de um posto de combustíveis localizado na Fernando Ferrari, esquina com a Rua Vereador Ruy Souza Feijó, há um poste no meio da ciclofaixa.

— Ficou ruim, não há onde o pedestre passar, só tem espaço para ciclistas. O maior fluxo é de pessoas, e não de bicicletas. É algo desnecessário, poderiam ter investido em saúde — disse o frentista Davi Rodrigues de Vargas, 29 anos.

várias lojas com estacionamento para clientes, situação que faz com que veículos parados nesses pontos fiquem em cima da via para ciclistas. Também existem oficinas de veículos, prédios e garagens, com fluxo contínuo sobre a via.

— Achei ridículo. O espaço da calçada já é estreito. Tem escola na região, bastante pedestre caminhando e uma ciclovia interfere bastante. Pode causar muitos acidentes futuramente — disse Andryos da Cruz Reis, 30 anos, morador da região.

Francisco Thomaz, 55 anos, que andava de bicicleta na faixa por volta das 11h, apoiou o investimento, mas com ressalvas:

— Essa ciclovia é útil porque aqui tem muito engarrafamento, então o pessoal usa bike para fazer a locomoção. Nesse sentido, é perfeito, mas acho muito estreito, fica complicado ter pedestres e quem anda de bicicleta no mesmo espaço.

Vinicius Coimbra/Agencia RBS
Francisco Thomaz disse que uma via para ciclistas no local é útil.

Já o empresário Leandro Silva dos Santos, 45 anos, que tem uma lancheria na Fernando Ferrari, disse que a instalação tem pontos positivos e negativos.

— A ideia foi boa porque a cidade não tem uma infraestrutura assim, mas o lugar em que foi feito é ruim, por ser na calçada onde as pessoas circulam e pela questão do piso tátil — comentou.

O que diz a prefeitura

Segundo a administração municipal, a obra integra o Pró-Transporte, um programa do governo federal. O investimento apresentou atrasos durante a execução, como mostrou a reportagem de Zero Hora em março de 2022.

— Nós também fomos surpreendidos com essa “anomalia”. Estamos vendo o caminho legal com o governo federal para retirar. Nosso entendimento é que a ciclofaixa deve estar na pista de rolamento, jamais na calçada — disse Cláudio Ávila, assessor especial da prefeita interina Jussara Caçapava.

Segundo ele, a prefeitura irá desfazer a pintura do piso tátil e estuda implementar um sistema de alerta com placas para garantir a segurança do fluxo de ciclistas e pedestres.

Além disso, foi determinada instauração de um processo interno para apurar possíveis irregularidades no empreendimento.

— Chegamos em uma cidade que não tinha o básico. Era um cenário de caos administrativo. Isso aí (a ciclofaixa) é só mais uma herança — acrescentou Ávila.

Por e-mail, Zero Hora questionou o Ministério das Cidades sobre o assunto, mas não obteve resposta até a publicação desta notícia.


MAIS SOBRE

Últimas Notícias