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Cães e gatos

Doação de sangue entre animais salva vidas, mas demanda ainda supera o número de doadores

Veterinária explica como funciona o processo, quais os critérios para doar e por que os bancos enfrentam dificuldades para manter os estoques

15/03/2026 - 21h43min


Kizzy Abreu
Kizzy Abreu
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Assim como na medicina humana, a doação de sangue também pode salvar a vida de cães e gatos. No entanto, a realidade nos hospitais veterinários ainda é marcada pela escassez de doadores e pela dificuldade de manter estoques. Em Porto Alegre, poucos locais possuem bancos de sangue especializados.

O processo de doação envolve uma série de critérios para garantir segurança tanto para o animal que doa quanto para o que recebe. Segundo a médica veterinária Rubia Esmeris, do Projeto Pet Doador, o procedimento inclui exame físico e coleta de sangue para um check-up detalhado, com o objetivo de verificar se o animal está saudável e apto para a doação.

No caso dos cães, é necessário ter no mínimo 25 quilos e idade entre 1 e 8 anos. Já os gatos precisam pesar ao menos 4 quilos e também ter entre 1 e 8 anos.

— Gatinhos são sedados, porque é mais seguro e a gente evita trauma. Já os cães a gente não seda, mas usa algumas artimanhas que eles adoram. A gente preza muito por uma doação de sangue com segurança. Precisamos pensar no cão doente, mas aqui no banco de sangue o meu papel, antes de tudo, é pensar na segurança do doador — diz.

Tipos sanguíneos

Cães e gatos também têm diferentes tipos sanguíneos, o que torna essencial identificar a compatibilidade antes de uma transfusão.

— Nos cães, os tipos sanguíneos são divididos em grupos: DEA, Dal e Kai. Já o gato tem o grupo A, B, AB e Mik — afirma Rubia.

A veterinária destaca a importância de procurar locais com estrutura para garantir exames confiáveis e segurança. Ela lembra que manter um banco de sangue veterinário envolve investimentos em equipamentos, exames laboratoriais, calibragem, manutenção, custos de deslocamentos. 

— A gente precisa de cães muito grandes, às vezes cães até de 80 quilos, para os responsáveis trazerem esses cães é muito difícil. Então, por vezes, a tem que ir até eles. Isso gera custo — explica a veterinária.

Falta de estoque preocupa

Um dos principais desafios enfrentados pelos bancos de sangue veterinários é a falta de estoque. Diferentemente da medicina humana, que conta com campanhas permanentes, a doação entre animais ainda depende muito da mobilização de tutores.

Na maioria das vezes, a busca por doadores acontece apenas quando um animal precisa urgentemente de uma transfusão.

— As pessoas procuram um banco de sangue quando estão precisando. E aí elas percebem o quão difícil é conseguir uma bolsa. Se na medicina humana é tão difícil conseguir doador, triplica para a medicina veterinária.

A expectativa dos profissionais é ampliar a conscientização entre tutores, para que mais animais saudáveis se tornem doadores e possam ajudar a salvar outras vidas.

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