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Treinamento coletivo

"É triste que a gente tenha de aprender a se defender": aula de defesa pessoal reúne mais de cem mulheres em Porto Alegre

Iniciativa gratuita foi organizada por uma academia de artes marciais da Capital

28/03/2026 - 21h59min


Vinicius Coimbra
Vinicius Coimbra
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Como reagir a uma situação de violência? Correr, dar um chute ou uma cotovelada no agressor? Qual a técnica correta para se defender? Na manhã deste sábado (28), mais de cem mulheres se reuniram para conhecer as noções básicas de defesa pessoal, em Porto Alegre.

Chamada de “Eu, meu porto seguro”, a atividade foi gratuita e ocorreu no ginásio do parque esportivo da PUCRS.

É triste que a gente tenha de aprender a se defender, mas é extremamente importante porque não é algo que vai mudar tão rápido. Fiquei com vontade de aprender mais — disse Sarah Rezende Moura, 24 anos, professora de Inglês.

A aula coletiva foi gratuita e ministrada por André Gardini, 54 anos, professor de boxe e kickboxing e proprietário da academia de artes marciais G10, da Capital. Foi o primeiro encontro da iniciativa, que deve ocorrer ao menos uma vez por mês.

Defesa pessoal não é fitness, não é briga, é sobrevivência. Serve para resolver a situação o mais rápido e seguro possível. Vivemos um momento de muita violência contra a mulher. Esperamos que elas não precisem usar esses conhecimentos, mas é bom que saibam se defender — disse o profissional, que dá aulas há mais de 30 anos.

Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
A estilista Juliana Rezende Moura, 39 anos, foi uma das participantes da aula gratuita.

Esposa de Gardini, Caroline Machado, 49, disse ter aprendido as noções de defesa pessoal nas quase duas décadas de academia.

— Me sinto empoderada e preparada para agir em situações de prevenção, além de conseguir visualizar melhor potenciais riscos. Em qualquer situação do dia a dia, consigo visualizar melhor para agir preventivamente — pontuou a empresária.

Como foi o treinamento

Além de Gardini, outros 12 instrutores participaram do treinamento, que durou uma hora e 30 minutos. Os profissionais simularam situações de violência e deram instruções sobre táticas para escapar de abordagens criminosas e se defender de agressores. A iniciativa teve 397 inscrições, entre adolescentes, adultas e idosas da Região Metropolitana.

— Dificilmente, sem treinamento, vamos saber o que fazer em uma situação ruim. Então, (a defesa pessoal) representa uma chance. Teve bastante prática e a explicação foi acessível. Agora me sinto mais confiante — disse a estilista Juliana Rezende Moura, 39, mãe de Sarah.

Igual à maioria das participantes, Carina Grimaldi, de 42, não tinha noções básicas de defesa pessoal até a manhã deste sábado.

— As mulheres estão vulneráveis, acontecem muitos episódios de agressão, de violência. Sinto a necessidade de ter esse conhecimento e ensinar para minha filha, de 10 anos, como se defender, como se safar de uma situação que espero que não aconteça — disse.


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