Direto da Redação
Émerson Santos: A volta pra casa
Jornalistas do Diário Gaúcho opinam sobre temas do cotidiano


Desde que voltei de uma viagem recente, quando ando pelas ruas de Porto Alegre um sentimento muito genuíno de estar em casa tem me surgido, mais do que das outras vezes. Há um contexto para isso, e eu explico.
Dessa saída para aproveitar as férias, acabei adoecendo. Parte da viagem foi na cama do quarto, em pleno pré-Carnaval. Foram angustiantes momentos longe da minha terra, sem ter muita certeza de todos os caminhos possíveis para se buscar ajuda.
A questão aqui não é exatamente a trágica (ou cômica) desventura, mas sim o que ela me fez desejar: uma vontade imensurável de estar no meu chão. Quando estava lá, os meses programando esse passeio se apagaram, eu só queria voltar.
Quando cheguei a Porto Alegre, passei a ver as suas cores em tons diferentes. Desde então, ao caminhar pela cidade, observo com mais atenção os prédios, as casas e as esquinas por onde passo cotidianamente. Percebo seus detalhes, penso sobre suas estruturas, converso sobre sua arquitetura. Vejo com mais presença.
Ver os detalhes
Me pareceu curiosa essa mudança de olhar. Ao pensar sobre isso, então, cheguei a uma conclusão. Viver aquele trágico fato, em um local tão distante, realimentou em mim uma noção de pertencimento. De acolher e ser acolhido pelo lugar onde nasci.
Não romantizo a cidade, que acumula problemas a serem resolvidos, mas me pego refletindo que a rotina cria um piloto automático que faz esses detalhes passarem despercebidos. E por que precisamos vivenciar certas situações para levar um “sacudidão” da vida e voltar a olhar com mais atenção?
A viagem não foi de todo ruim, é claro. Deu para aproveitar alguns dias (e tenho uma boa desculpa para voltar). Mas uma das contribuições que ela me deu foi sentir o grande prazer de se estar em casa.