Coluna da Maga
Magali Moraes e a bateria social
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


Lá venho eu com outra expressão que ainda engatinha no vocabulário atual, mas cresce a passos largos. Como entender o que é bateria social sem pensar na sua origem? Vem de bateria do celular, só pode. A gente vive de olho naqueles risquinhos que mostram a quantas anda o carregamento do smartphone, numa dependência completa e cada vez maior do seu funcionamento. Ficar sem bateria é o caos. A saúde do celular se tornou mais importante que a nossa saúde.
É aí que entra a bateria social. Nesse mundo de telas, onde muitos se enganam achando que o bacana da vida acontece apenas no ambiente digital, o convívio presencial passa a exigir de nós uma energia maior. Então a bateria (essa que se carrega em qualquer tomada) serve de parâmetro pra outras coisas não tão fáceis assim de reenergizar, como a motivação. Não somos robôs, talvez num futuro próximo inventem um chip que nos mantenha carregados, por enquanto a energia tem que vir de nós.
Café
Bateria social é ter ânimo e disposição pra tudo que signifique socializar: sair de casa, sair da bolha, sair da zona de conforto. Deixar de ser bicho do mato e interagir mais com os humanos. Desde marcar um café (e ir) com amigos, encontrar a família, almoçar com colegas do trabalho, ser quem convida. O recente carnaval exigiu uma carga enorme de bateria social de quem se dispôs a pular no bloquinho, no salão do clube, criar fantasia. Se é algo de que se gosta, a bateria recarrega sozinha.
Diferente do celular, cada pessoa tem a sua bateria social. Ser extrovertido não garante carregamento automático, mas traços de personalidade podem ajudar. Ser educado e gentil deveria ser o básico, como cumprimentar o vizinho na rua ou no elevador. Ter vida social não é só dançar a noite toda. Tá valendo se arrumar pro cinema. Ah se essa bateria carregasse com uma noite de sono. É sobre a vontade de estar entre outras pessoas, e se sentir bem com isso.