Coluna da Maga
Magali Moraes e o churras de proteína
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


Foi assim aí na sua casa no fíndi? O pessoal lambuzou os beiços com uma proteína mal passada? Finalmente saiu aquele proteinão de 12h, que estava prometido pra domingo? Espero que não. Tomara que vocês tenham saboreado um delicioso churras de costela, vazio, maminha, entrecot, picanha. Bora chamar a carne pelo nome certo, e não essa moda de chamar de proteína. Tira o gosto, me desculpem as nutris e os crossfiteiros de plantão. Proteína é termo técnico, funcional, estraga prazeres.
Ah se fosse só na dieta prescrita. Já reparou que até os cardápios de restaurantes agora trazem a opção “uma proteína e acompanhamentos”? Ou então o prato executivo é massa e o chatíssimo “escolha uma proteína”. Vou escolher é outro lugar pra almoçar. A proteína que almoce com o carboidrato, a gordura, as fibras e com quem ela quiser. Estamos a um passo de pedir tele entrega de lipídios, glicídios e enzimas. Minhas papilas gustativas choram. Meu sistema digestivo sofre.
Identidade
Proteína não tem apelo, muito menos sabor. E não dá pra botar no mesmo balaio a carne vermelha e a branca, os ovos, queijos, iogurtes e outras delícias. Seguindo essa lógica, acaba a identidade e a autenticidade. A carne de sol (tão nordestina) e o charque (gaudério que só vendo) se reduzem ao mesmo palavreado nutricional. E meu amado café da manhã? Perde a graça. Não quero botar na torradeira um pedaço de carbo e comer com uma proteína de gema mole.
Errata: chamar de carne vermelha e branca também tira o apetite. Vamos dar nome aos bois, porcos, galinhas caipiras, frangos, tilápias e linguados. É proteína, mas não é só isso. Alimento tem vida, história, cultura local, mil formas de preparo. Da mesma forma que comida não é só comida. Turma dos CTGs, me ajuda. Imagina um fogo de chão com proteína?! Aqui em casa, a churrasqueira e o churrasqueiro já sabem: o vazio é sagrado. O entrecot e a costela são bem-vindos.