Coluna da Maga
Magali Moraes e os minúsculos problemas
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


Na internet tem um meme que eu adoro: “No juizado de minúsculas causas de hoje, quero reclamar de:” É um convite divertido (ou um espaço seguro) pra desabafar sobre pequeníssimos incômodos do dia a dia - e se identificar com tudo. A criatividade está em cada reclamação, e esse é o tipo de comentário que vale a pena ler. Com tanta fome no mundo, como reclamar da ponta do papel higiênico virada pra parede? Com tantas guerras, como protestar do xampu que não faz espuma?
Aqui vão mais exemplos dessas reclamações. Produto sem preço nas lojas. O Whatsapp que não tem pasta pra organizar as figurinhas. Roda de carrinho de supermercado que trava. Banheiro público sem gancho pra pendurar a bolsa. Fatia de queijo que gruda. Gente que lava a louça e não limpa o ralo. Embalagem que não dá pra tirar o restinho lá do fundo. Meia que escorrega pra dentro do tênis. O ferrinho do sutiã que machuca. Quem assiste Tik Tok no ônibus com volume máximo.
Melequinha
E você, se estivesse no juizado de minúsculas causas e fosse a sua vez de falar, do que reclamaria? Deve ter algo que te tira do sério. A etiqueta que não desgruda e deixa aquela melequinha de cola. O lacre do iogurte, que nunca sai inteiro. Responder gratidão em vez de obrigado. Cardápio em QR Code. Pessoas muito alegres de manhã cedo. Guardanapo liso que não limpa a boca. Quem tá com guarda-chuva e anda embaixo da marquise. Mensagem no zap que diz oi tudo bem, e não fala o assunto.
O Juizado de Pequenas Causas existe de fato, e cumpre o seu papel. Precisamos dele pra resolver conflitos rápidos como acidentes de trânsito, cobranças, indenizações, direito do consumidor e outros perrengues. É daí que vem a inspiração pro juizado de minúsculas causas, que nem letras maiúsculas ganha pra soar importante. Só nesse dá pra reclamar de filme em que os personagens começam a cantar do nada, e não é musical. Irritante, hein. Pode me julgar.