Coluna da Maga
Magali Moraes: pare e respire
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


Ainda não inventaram um sinal - tipo as placas de Pare no trânsito - que nos alerte a desacelerar no dia a dia. Parar é pedir demais. Apps de bem-estar enviam notificações lembrando de fazer pausas, mas elas acabam virando algo a mais que pula e chama a atenção na tela do celular. Esse é o grande problema: você já reparou na quantidade de estímulos que nos cercam e não dão sossego pra cabeça? Como focar no que importa, se o tempo todo estamos sendo interrompidos e distraídos?
É cansativo e leva à exaustão mental. Desde o barulho de obra na rua, que a gente não controla, só perde a paz e a concentração. As malditas ligações gravadas de telefone, onde os bots de vendas não desistem e massacram a nossa paciência. Também os estímulos digitais, mil abas abertas no computador, memes que mal conseguimos acompanhar, joguinhos viciantes, vídeos fragmentados e a velocidade do digital que hipnotiza e emburrece.
Sono
Não à toa inventaram uma nova tendência: o turismo do sono. Viajar pra descansar e recuperar a qualidade do sono, consequentemente a saúde mental. Nesses destinos turísticos, não tem dia livre pra compras e nem fila em pontos turísticos. Quanto menos gente, melhor. A única programação é relaxar em um espaço confortável e silencioso. Uma sonoterapia cara, vamos combinar. E vai além do sono: é natureza, calmaria, silêncio e o mínimo possível de estímulos. Sem wi-fi, que delícia.
Estudos recentes registraram a faxina que o cérebro faz enquanto dormimos profundamente. Uma boa noite de sono na sua própria cama não é artigo de luxo: é necessidade. Durante o dia, a saída é fazer pausas pra respirar, tomar um cafezinho, pegar um sol na janela. E pegar leve com nós mesmos. Não cair na armadilha de ser multitarefa, essa é a maior roubada. Sabe por que as revistas impressas estão de volta? Pra oferecer momentos de concentração offline, virar as páginas e se deixar envolver.