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Coluna da Maga

Magali Moraes: viva o imperfeito

Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho

02/03/2026 - 05h00min


Diário Gaúcho
Diário Gaúcho
Fernando Gomes/Agencia RBS
Magali Moraes

Existe um movimento nas redes sociais - especialmente no Instagram - pra se voltar ao comportamento lá do início, quando tudo era mais espontâneo e verdadeiro. Lembra que não existiam todos esses filtros pra transformar fotos, rostos e corpos? Também não havia excesso de fake news. Nem tantos anúncios escancarados e publis disfarçadas. As comparações eram menores - a vida editada do Instagram sempre esteve ali, mas era menos irreal e mais inspiradora.

Hoje em dia, ninguém aguenta essa quantidade de influenciadores ostentando vidas perfeitíssimas. Ou então os que desinfluenciam com as bets e outras tranqueiras. A performance virou uma praga moderna. Performar na academia, no relacionamento, na cozinha, na decoração da casa, no trabalho, na educação dos filhos, nas férias. Viajar? Só se for pra destinos instagramáveis (peguei ranço desse termo) e tudo posado. Em vez de engajar, dá o efeito contrário: parar de seguir.

Espiada

Quando não estou escrevendo aqui no DG, eu trabalho com redes sociais. Sou obrigada a acompanhar tudo que acontece online. Até aquela espiada no Insta pra relaxar antes de dormir se confunde com o verbo trabalhar. Adoro ver bobagens de entretenimento e videozinhos fofos. Mas cada vez mais tento ficar offline. Ou ser o mais crítica possível com aquilo que vejo. Pra não cair (e a gente cai) nas armadilhas da rotina perfeita, do casal exemplar, do cabelo sem um fio fora do lugar.

Viva o imperfeito, a vida real é tão mais interessante. Prefiro ver quem ri até chorar, quem fala sobre saúde mental, quem franze a testa e demonstra emoções, quem passa perrengue e conta tudo, quem erra e não desiste. Os erros são tão bonitos quanto os acertos. É na imperfeição que a gente se identifica. É o que nos motiva a aprender, evoluir ou conviver com as frustrações do dia a dia. Quero as fotos mal enquadradas e sem foco, as pessoas que se permitem ser como são.

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