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Antiga Casa Violeta

Movimento de mulheres ocupa imóvel em Porto Alegre, negocia com prefeitura e sai do local

Cerca de 50 pessoas entraram no prédio, que já foi escola e abrigo. Administração da Capital e manifestantes acertaram retirada pacífica

14/03/2026 - 22h18min


Gabriela Plentz
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Humberto Trezzi
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Após um grupo de mulheres ocupar a  antiga Casa Violeta, em Porto Alegre, na madrugada deste sábado (14), as ruas do entorno foram bloqueadas. O local fica na Rua Cabral, no bairro Rio Branco. Os bloqueios  realizados por EPTC, Brigada Militar e Guarda Civil Metropolitana, entre as ruas Coronel Paulino Teixeira e Dona Leonor, causaram transtornos no trânsito, mas a situação já acalmou porque os manifestantes acertaram saída pacífica do local.

De acordo com o Movimento de Mulheres Olga Benário, entidade feminista ligada a partidos de esquerda, o prédio foi ocupado como parte de uma mobilização nacional contra a violência doméstica, que resultou em 16 ocupações em todo o país.

No caso de Porto Alegre, a escolha ocorreu depois de impasses envolvendo o imóvel. O prédio ocupado  neste sábado já foi uma escola estadual e chegou a funcionar como abrigo de mulheres após a enchente de 2024, mas está abandonado desde maio do ano passado. De acordo com o movimento, cerca de 50 pessoas atuaram na ocupação, sendo pelo menos 10 crianças. Simpatizantes da causa foram impedidos pelos policiais e guardas de levar água e comida aos manifestantes.

— Esse local está abandonado e reivindicamos que seja transformado em abrigo para mulheres em risco e seus filhos. Hoje há carência de lugares de acolhimento e as crianças são separadas das mães. Temos a Casa Mirabal na área central da cidade, mas só para aconselhamento psicológico e jurídico, não para lar de pessoas ameaçadas — explica uma das integrantes do movimento Olga Benário, a psicóloga Vanessa Silva.

A prefeitura acertou com os manifestantes, no meio da tarde, a desocupação pacífica do imóvel. As manifestantes dizem que saíram, mediante acordo para que um local de acolhimento seja criado em até 45 dias.

Ainda segundo a prefeitura, o imóvel integra o patrimônio público municipal e "está reservado para receber um novo equipamento de assistência social voltado ao acolhimento de imigrantes".

Os bloqueios de trânsito no entorno do prédio invadido causaram transtornos, sobretudo aos frequentadores de um supermercado situado em frente ao imóvel ocupado. Mas, após o acordo de desocupação, os guardas municipais liberaram o tráfego. 


Nota da prefeitura de Porto Alegre

A Prefeitura de Porto Alegre dialoga e mantém tratativas para que a desocupação do imóvel da Rua Cabral, 621, ocorra de forma pacífica.

O município disponibiliza a Rede Conta Comigo, uma estrutura especializada de atendimento e acolhimento às mulheres em situação de violência. A rede integra serviços das áreas de assistência social, saúde e políticas para as mulheres, oferecendo orientação, acompanhamento psicossocial e encaminhamentos para proteção e garantia de direitos às vítimas.

O Centro de Referência e Atendimento à Mulher Márcia Calixto (CRAM) oferece escuta qualificada e acolhimento para mulheres em situação de violência a doméstica ou de gênero, por meio de uma equipe multidisciplinar que realiza atendimentos nas áreas de psicologia, serviço social e orientação jurídica, auxiliando as vítimas no acesso à rede de proteção. O CRAM está localizado na Avenida João Pessoa, 1105, Sala 103, e pode ser acessado de segunda a sexta-feira. 

Para o acolhimento emergencial, o município dispõe de equipamentos específicos com infraestrutura adequada para receber mulheres e seus filhos:

Casa Betânia – A residência possui 21 suítes para acolhimento, com capacidade para até 84 mulheres e seus filhos. Em 2025, a Casa Betânia acolheu 276 mulheres, 143 crianças e 34 adolescentes, totalizando 453 atendimentos ao longo do ano.

Casa Viva Maria – Em funcionamento há mais de 30 anos, o espaço foi reaberto na semana passada, após melhorias na estrutura. Com capacidade para 33 pessoas, oferece acolhimento para mulheres e seus filhos menores, garantindo proteção e apoio para a reconstrução de suas vidas longe da violência.

Rua Cabral – O imóvel onde funcionava a antiga Casa Violeta, na Rua Cabral, 621, integra o patrimônio público municipal e está reservado para receber um novo equipamento de assistência social voltado ao acolhimento de imigrantes. 

Movimento Mirabal – Em relação ao prédio localizado na Rua Souza Reis, anteriormente ocupado pelo movimento Mirabal, a decisão judicial já transitou em julgado. O movimento havia concordado, no ano passado, em desocupar o imóvel até 4 de março de 2026, o que não ocorreu.

Diante do descumprimento, a Prefeitura ingressará junto ao Judiciário com pedido de mandado de desocupação.


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