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RETRATOS DA VIDA

"Nosso objetivo vai além do esporte. Queremos ajudar essas crianças a se desenvolverem como pessoas ", diz idealizador do projeto social

Iniciativa Resgatando Sonhos oferece treinos gratuitos e já ajudou atletas a conquistar bolsas de estudo em Porto Alegre

09/03/2026 - 09h46min

Atualizada em: 09/03/2026 - 09h48min


Josyane Cardozo*
Josyane Cardozo*
Assistente de conteúdo
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Duda Fortes/Agencia RBS
Guris de nove a 17 anos participam das atividades esportivas.

No bairro Jardim Itu, na zona norte de Porto Alegre, um projeto social transforma o futebol em oportunidade para crianças e adolescentes. A iniciativa Resgatando Sonhos oferece treinos gratuitos e é mantida por voluntários da comunidade.

Atualmente, cerca de cem alunos, com idades entre nove e 17 anos, participam dos treinos. Apesar do impacto na região, o projeto enfrenta dificuldades financeiras para manter a estrutura e ampliar o atendimento.

O educador físico e idealizador da iniciativa, Felipe Maffei, 25 anos, atua de forma voluntária na coordenação das atividades. Ele relembra que o Resgatando Sonhos nasceu a partir de suas próprias experiências no futebol. 

Quando era mais novo, Felipe fez parte de escolinhas esportivas e percebeu que muitos colegas abandonavam o esporte por falta de oportunidades ou condições financeiras.

– Eu sempre pensei em criar um espaço onde as crianças pudessem treinar sem precisar pagar. O futebol abriu portas para mim e eu queria proporcionar isso para outros jovens – conta.

A iniciativa começou de forma simples, com poucos alunos e treinos em um espaço improvisado. Com o passar dos anos, o projeto cresceu e possibilitou que mais jovens do bairro integrassem a iniciativa.

Com esse crescimento, em 2019 o projeto passou a firmar parceria com o Maringá Futebol Clube, o que permite que os jovens participem de treinos estruturados e tenham contato com uma metodologia de formação esportiva.

Mesmo com o vínculo com o clube, o funcionamento depende principalmente do trabalho voluntário e de recursos próprios.

As mãos por trás

Atualmente, toda a equipe atua sem remuneração. Além dos treinos de futebol, o grupo busca oferecer outras oportunidades de desenvolvimento para os alunos. Entre os planos estão oficinas de dança, teatro, aulas de inglês e cursos profissionalizantes.

Entre os voluntários está Felipe Roehrs, 41 anos, que atua há mais de duas décadas no futebol. Ele trabalha com futsal e futebol de campo e possui licença da Confederação Brasileira de Futsal (CBFS) para categorias de base.

No projeto, Roehrs é supervisor e divide a rotina entre o trabalho remunerado em um colégio em Porto Alegre e as atividades no projeto.Ele destaca a falta de materiais como obstáculo no dia a dia: 

– Às vezes mal conseguimos ter coletes suficientes. Pegamos de um time, de outro, juntamos as cores e fazemos o trabalho.

Roehrs destaca a esperança de conseguir apoio de recursos externos, via Lei de Incentivo ao Esporte ou patrocinadores.

Gols marcados

O projeto soma conquistas que vão além do campo. Entre os principais resultados está a trajetória de ex-alunos que conseguiram acesso ao ensino superior.

Um deles é Bruno Nickel, 20 anos, que iniciou em 2025 a graduação em Educação Física pela Faculdade Sogipa. Após crescer dentro da escolinha, ele retornou como estagiário e hoje também auxilia nos treinos. A decisão de seguir estudando a área surgiu a partir de suas vivências:

– Eu nunca tive em mente que isso ia acontecer. Nunca pensei em ser professor. Quando tive essa oportunidade, fui me saindo bem.

O jovem relembra que o apoio da família foi fundamental ao longo da trajetória.

– Financeiramente, meus pais nunca puderam me dar muitas oportunidades, mas sempre me apoiaram como podiam. Agora, com a faculdade, eles estão muito felizes. Minha mãe está realizada – conta Bruno.

Em 2026, outro ex-aluno retornou como estagiário. Luis Hariel, 19 anos, também se tornou bolsista na Sogipa e cursa o primeiro semestre de Fisioterapia.

Próximos passos

/// Entre os próximos objetivos está ampliar o atendimento e garantir novos serviços para os alunos. A equipe busca parceria com um instituto social para oferecer apoio psicológico, assistência social e acompanhamento educacional.

/// A ideia é transformar o espaço em um centro de desenvolvimento para crianças e adolescentes.

– Nosso objetivo vai além do esporte. Queremos ajudar essas crianças a se desenvolverem como pessoas – afirma Felipe.

Como ajudar

/// O projeto aceita diferentes formas de apoio. Interessados podem realizar doações financeiras para a manutenção das atividades.

/// Também são bem-vindas doações de materiais esportivos, como bolas, coletes, uniformes, chuteiras e equipamentos de treino, além de materiais de construção para melhorias na sede e na estrutura do espaço.

/// Para mais informações ou doações, o contato pode ser feito com Felipe pelo WhatsApp (51) 99349-2288 ou pelo Instagram @maringafc_rs.


* Com orientação e supervisão de Émerson Santos



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