RETRATOS DA VIDA
"Nosso objetivo vai além do esporte. Queremos ajudar essas crianças a se desenvolverem como pessoas ", diz idealizador do projeto social
Iniciativa Resgatando Sonhos oferece treinos gratuitos e já ajudou atletas a conquistar bolsas de estudo em Porto Alegre


No bairro Jardim Itu, na zona norte de Porto Alegre, um projeto social transforma o futebol em oportunidade para crianças e adolescentes. A iniciativa Resgatando Sonhos oferece treinos gratuitos e é mantida por voluntários da comunidade.
Atualmente, cerca de cem alunos, com idades entre nove e 17 anos, participam dos treinos. Apesar do impacto na região, o projeto enfrenta dificuldades financeiras para manter a estrutura e ampliar o atendimento.
O educador físico e idealizador da iniciativa, Felipe Maffei, 25 anos, atua de forma voluntária na coordenação das atividades. Ele relembra que o Resgatando Sonhos nasceu a partir de suas próprias experiências no futebol.
Quando era mais novo, Felipe fez parte de escolinhas esportivas e percebeu que muitos colegas abandonavam o esporte por falta de oportunidades ou condições financeiras.
– Eu sempre pensei em criar um espaço onde as crianças pudessem treinar sem precisar pagar. O futebol abriu portas para mim e eu queria proporcionar isso para outros jovens – conta.
A iniciativa começou de forma simples, com poucos alunos e treinos em um espaço improvisado. Com o passar dos anos, o projeto cresceu e possibilitou que mais jovens do bairro integrassem a iniciativa.
Com esse crescimento, em 2019 o projeto passou a firmar parceria com o Maringá Futebol Clube, o que permite que os jovens participem de treinos estruturados e tenham contato com uma metodologia de formação esportiva.
Mesmo com o vínculo com o clube, o funcionamento depende principalmente do trabalho voluntário e de recursos próprios.
As mãos por trás
Atualmente, toda a equipe atua sem remuneração. Além dos treinos de futebol, o grupo busca oferecer outras oportunidades de desenvolvimento para os alunos. Entre os planos estão oficinas de dança, teatro, aulas de inglês e cursos profissionalizantes.
Entre os voluntários está Felipe Roehrs, 41 anos, que atua há mais de duas décadas no futebol. Ele trabalha com futsal e futebol de campo e possui licença da Confederação Brasileira de Futsal (CBFS) para categorias de base.
No projeto, Roehrs é supervisor e divide a rotina entre o trabalho remunerado em um colégio em Porto Alegre e as atividades no projeto.Ele destaca a falta de materiais como obstáculo no dia a dia:
– Às vezes mal conseguimos ter coletes suficientes. Pegamos de um time, de outro, juntamos as cores e fazemos o trabalho.
Roehrs destaca a esperança de conseguir apoio de recursos externos, via Lei de Incentivo ao Esporte ou patrocinadores.
Gols marcados
O projeto soma conquistas que vão além do campo. Entre os principais resultados está a trajetória de ex-alunos que conseguiram acesso ao ensino superior.
Um deles é Bruno Nickel, 20 anos, que iniciou em 2025 a graduação em Educação Física pela Faculdade Sogipa. Após crescer dentro da escolinha, ele retornou como estagiário e hoje também auxilia nos treinos. A decisão de seguir estudando a área surgiu a partir de suas vivências:
– Eu nunca tive em mente que isso ia acontecer. Nunca pensei em ser professor. Quando tive essa oportunidade, fui me saindo bem.
O jovem relembra que o apoio da família foi fundamental ao longo da trajetória.
– Financeiramente, meus pais nunca puderam me dar muitas oportunidades, mas sempre me apoiaram como podiam. Agora, com a faculdade, eles estão muito felizes. Minha mãe está realizada – conta Bruno.
Em 2026, outro ex-aluno retornou como estagiário. Luis Hariel, 19 anos, também se tornou bolsista na Sogipa e cursa o primeiro semestre de Fisioterapia.
Próximos passos
/// Entre os próximos objetivos está ampliar o atendimento e garantir novos serviços para os alunos. A equipe busca parceria com um instituto social para oferecer apoio psicológico, assistência social e acompanhamento educacional.
/// A ideia é transformar o espaço em um centro de desenvolvimento para crianças e adolescentes.
– Nosso objetivo vai além do esporte. Queremos ajudar essas crianças a se desenvolverem como pessoas – afirma Felipe.
Como ajudar
/// O projeto aceita diferentes formas de apoio. Interessados podem realizar doações financeiras para a manutenção das atividades.
/// Também são bem-vindas doações de materiais esportivos, como bolas, coletes, uniformes, chuteiras e equipamentos de treino, além de materiais de construção para melhorias na sede e na estrutura do espaço.
/// Para mais informações ou doações, o contato pode ser feito com Felipe pelo WhatsApp (51) 99349-2288 ou pelo Instagram @maringafc_rs.
* Com orientação e supervisão de Émerson Santos