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“O funk me ensinou a ser uma pessoa forte”, diz MC Dieguinho da Baixada ao refletir sobre sua trajetória na música

Artista começou no bairro Bom Jesus, passou pelas batalhas de rima e ganhou força com estúdio próprio

24/03/2026 - 14h57min


Luiza Weiler
*Assistente de Conteúdo
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Divulgação/Divulgação
Artista cresceu nas ruas do bairro Bom Jesus.

MC Dieguinho da Baixada nasceu quando Diego Rodrigues entrou em contato com a música pela primeira vez. Natural de Uruguaiana e criado em uma família de cinco irmãos, o artista se mudou para a capital gaúcha aos oito anos. Foi ali, brincando com os outros meninos nas ruas do bairro Bom Jesus, que ele começou a compor suas primeiras rimas e a sonhar com um futuro no mundo das artes. 

Quase uma década mais tarde, por volta de 2009, se juntou com alguns amigos para gravar um som na casa de um deles. Como era característico no início do século 21, o grupo registrava as músicas em um notebook, usando fones de ouvido com microfone para captar os sons. A qualidade do áudio, no entanto, pouco importava para Diego. Quando ouviu sua voz eternizada naquele aparelho pela primeira vez, ele encontrou aquilo que buscou ao longo de toda sua vida: um veículo que o permitia, finalmente, registrar sua história

— Eu gostei de escrever porque vi que na escrita poderia contar um pouco das minhas vivências. Do que eu via no meu bairro, das pessoas que eu amo e também das pessoas que perdi ao longo dos anos — revela o MC.  

Dito e feito. Nos anos seguintes, o artista lutou para desenvolver sua carreira a todo o custo. Começou a tocar no baile do clube Classe A, em Guaíba, onde passou a morar permanentemente. Na Região Metropolitana, teve a oportunidade de abrir shows de grandes nomes da música nacional, como MC Livinho e Rodriguinho, bem como uma apresentação da escola de samba Bambas da Orgia, na Capital. A principal chance surgiu quando ele participou de uma audição na produtora GR6 e recebeu a oportunidade de viajar para São Paulo, onde pôde gravar novos projetos e conhecer novas técnicas de áudio. 

Apesar disso, o momento mais marcante da carreira de Diego, para ele, ainda envolve a família. Foi em um concurso local em Guaíba, em meados de 2012. O cantor havia praticado a noite toda para uma competição de rima, e venceu na frente de seus pais e seus irmãos. Essa experiência ficou como atestado de que, para ele, o que mais importa é o que a escrita e a letra representam: um meio de poder falar de si para os seus.

— O funk me ensinou a ser uma pessoa forte. A correr em direção aos meus objetivos, a ter persistência, resiliência e, principalmente, a acreditar que tudo pode acontecer, que nada é impossível. Por causa disso, acho que o funk mudou minha vida — avalia.  

Referência e legado 

Para produzir arte, é preciso também consumi-la. Em seu dia a dia, Diego é eclético, escuta de tudo um pouco. Adora sertanejo, pop, rap, trap e, obviamente, funk. Mas o artista também escuta muitas músicas internacionais quando está trabalhando nas suas próprias composições. A ideia é buscar inspiração em lugares diferentes e, simultaneamente, evitar o risco de inconscientemente replicar a arte de outra pessoa. Por isso, opta por ouvir canções que se colocam fora do seu campo: abrem seus horizontes, sem estar muito perto de casa. 

Atualmente, aos 33 anos de idade, Diego abriu o estúdio Baixada Records ao lado de seu irmão, o DJ Felipe MPC, com quem produziu uma série de canções, como Rainha (2023) e Bonde dos 7 (2024). Além disso, o cantor também possui alguns lançamentos encaminhados, incluindo uma música que gravou e produziu ao lado do DJ Matheus Silva, nome de peso no cenário do funk gaúcho. 

Paralelo às criações musicais, MC Dieguinho da Baixada também encabeça o projeto comunitário Favela Feliz, iniciativa que visa apoiar crianças da comunidade por meio da entrega de doações de brinquedos e materiais criativos, bem como a organização de atividades lúdicas e jogos interativos. 

Seu maior objetivo é estimular jovens do seu bairro a acreditarem que a arte pode significar um caminho de transformação, como representou na sua própria vida: 

— A gente criou a Baixada Records também para ajudar a rapaziada que manda bem no funk, mas não tem suporte. Tem um pessoal que canta funk, só que eles não têm oportunidade, porque aqui em Guaíba é meio afastado de Porto Alegre, também. Eu acho que eu tenho gente que canta bem, e por isso comecei a trazer essa gurizada para perto de mim, para tentar oferecer recursos para apoiar o sonho e a trajetória deles.  


*Com orientação e supervisão de Alexandre Rodrigues


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