Notícias



TUA SAÚDE

O impacto do consumo frequente de energéticos na saúde

Consumo excessivo de bebidas estimulantes pode causar insônia, ansiedade e riscos ao coração, sobretudo entre jovens

11/03/2026 - 12h19min


Henrique Moreira
Henrique Moreira
Enviar E-mail
Halfpoint/adobe.stock.com
Uma lata tradicional equivale, em média, a um café expresso forte.

O consumo de bebidas energéticas tem se tornado cada vez mais comum entre adolescentes e jovens adultos, seja para estudar, trabalhar por longos períodos ou manter o ritmo. Vendidas livremente, essas bebidas são associadas ao aumento de energia e concentração, mas o uso excessivo pode provocar efeitos negativos à saúde.

As bebidas energéticas são compostas principalmente por substâncias estimulantes, como cafeína e taurina, além de extratos como guaraná. Muitas também contêm altas quantidades de açúcar ou adoçantes, o que amplia o impacto no organismo. O efeito buscado é o aumento do estado de alerta e a redução da fadiga.

No entanto, esse estímulo nem sempre traz benefícios. Dependendo da dose e da sensibilidade individual, o consumo pode desencadear ansiedade, irritabilidade e dificuldade para dormir, o que cria um ciclo de cansaço e novo consumo no dia seguinte.

– Energéticos são bebidas à base de estimulantes. Eles aumentam o estado de alerta, a sensação de bem-estar e diminuem a fadiga, mas, dependendo da pessoa e da dose, podem causar ansiedade, irritabilidade e, quase sempre em doses maiores, insônia – explica Carisi Anne Polanczyk, chefe do Serviço de Cardiologia do Hospital Moinhos de Vento.

Efeitos

Do ponto de vista cardiológico, os estimulantes elevam a frequência cardíaca e a pressão arterial. Em pessoas saudáveis e em doses moderadas, esse efeito costuma ser discreto, mas pode representar risco para quem já tem problemas no coração.

– Quem tem arritmia ou usa medicação cardiológica deve evitar estimulantes, porque eles podem precipitar ou piorar ainda mais a arritmia – afirma Carisi.

Outro ponto de atenção é a associação frequente entre energético e álcool, especialmente entre jovens.

– O energético reduz a percepção da quantidade de álcool ingerida. A pessoa acha que está bem, se expõe a situações de risco, como dirigir, e não se dá conta do real grau de intoxicação – alerta.

A médica também destaca que uma lata tradicional de energético equivale, em média, a um café expresso forte, e que o problema surge quando o consumo se torna frequente ou exagerado.

– O uso crônico pode levar à dependência de cafeína, piora do sono e queda de produtividade. A concentração inicial até melhora, mas depois a pessoa rende menos – diz.

Além dos efeitos físicos, o consumo excessivo pode impactar a saúde mental, sobretudo em adolescentes.

– Crianças e adolescentes são mais suscetíveis. O uso pode potencializar sintomas neuropsiquiátricos, como ansiedade, distúrbios de atenção e até quadros mais graves em pessoas com predisposição – afirma.

Orientação para pais e responsáveis

Segundo a médica cardiologista, os principais conselhos são:

/// Converse com os filhos sobre por que eles estão consumindo energéticos

/// Explique os efeitos no sono, no coração e no humor, especialmente a médio e longo prazo

/// Evite apenas proibir e tente entender a rotina, o cansaço e a pressão enfrentados pelo jovem

/// Fique atento a sinais como insônia frequente, irritabilidade e taquicardia 

/// Lembre que substituir o energético por outro estimulante pode manter o problema

Como reduzir o consumo

/// Evite suspender de forma abrupta; reduza a quantidade gradualmente

/// Não consuma energéticos no fim da tarde ou à noite

/// Substitua por bebidas com menos cafeína, como chá verde ou chá preto, ou versões sem estimulantes

/// Priorize sono regular, alimentação equilibrada e pausas na rotina

/// Evite o consumo antes de atividade física intensa

/// Não associe energético com álcool

Riscos do excesso

/// Insônia e fadiga crônica

/// Ansiedade e irritabilidade

/// Taquicardia e aumento da pressão arterial

/// Piora de arritmias cardíacas

/// Risco elevado quando associado ao álcool

/// Alto consumo de açúcar, com impacto metabólico


* Com orientação e supervisão de Émerson Santos







MAIS SOBRE

Últimas Notícias