Drogas ilícitas
Porto Alegre é a segunda capital com maior consumo de maconha entre estudantes, aponta pesquisa
De acordo com o levantamento, 5,5% dos adolescentes da capital gaúcha entrevistados relataram ter usado a substância nos 30 dias anteriores ao questionário


Porto Alegre aparece como a segunda capital brasileira com maior prevalência de consumo recente de maconha entre estudantes de 13 a 17 anos, segundo a edição mais recente da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada na quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o levantamento, 5,5% dos adolescentes entrevistados na capital gaúcha relataram ter usado a substância nos 30 dias anteriores.
O índice é inferior apenas ao registrado em Florianópolis, que chegou a 7,5%. Também figuram entre as maiores prevalências Belo Horizonte e Cuiabá, ambas com 5,1%, além de São Paulo (SP), com 5%.
Na outra ponta, Belém e Macapá apresentaram os menores percentuais, com 2,1%, seguidas por Natal (2,3%) e Goiânia (2,6%).
Queda no consumo recente de drogas no país
Apesar da posição de destaque de algumas capitais, o estudo aponta uma redução significativa no consumo recente de drogas ilícitas entre adolescentes no Brasil.
O percentual de escolares que afirmaram ter usado alguma substância nos 30 dias anteriores à pesquisa caiu de 5,1% em 2019 para 3,1% em 2024, o que representa uma redução de 39,2%.
No caso específico da maconha, a prevalência nacional recuou de 5,3% para 3,3% no mesmo período. A queda foi mais acentuada nas regiões Sudeste e Sul, onde os índices passaram de cerca de 6,9% e 6,7% para 3,8%, respectivamente. Nas regiões Norte e Nordeste, a diminuição não foi considerada estatisticamente significativa.
O levantamento também aponta diferenças importantes no perfil de consumo. Entre os meninos, o uso recente de maconha foi de 3,7%, enquanto entre as meninas ficou em 3%.
A prevalência também foi maior entre estudantes da rede pública, com 3,6%, frente a 1,9% na rede privada. Já por faixa etária, o consumo chega a 5,1% entre jovens de 16 e 17 anos e cai para 2,3% entre aqueles de 13 a 15 anos.
Experimentação diminui, mas RS segue entre os maiores índices
Outro indicador relevante é o da experimentação de drogas ilícitas ao longo da vida. Após crescimento gradual entre 2009 e 2019, o percentual caiu de 13% para 8,3% em 2024, redução de 33,5%.
Mesmo com a retração nacional, o Rio Grande do Sul aparece entre as unidades da Federação com maior prevalência desse indicador, com 11,4%, atrás apenas do Distrito Federal, que registra 12,2%. Os menores índices foram observados na Bahia (4,3%), no Piauí (4,7%), no Maranhão e em Sergipe (ambos com 5,5%).
A pesquisa também aponta redução na precocidade do consumo. O percentual de adolescentes que experimentaram drogas pela primeira vez com 13 anos ou menos caiu de 4,3% em 2019 para 2,7% em 2024.
Ainda assim, meninos e estudantes da rede pública seguem mais expostos à iniciação precoce.
Avanço dos cigarros eletrônicos transforma consumo de tabaco
Além das mudanças no uso de drogas ilícitas, a pesquisa revela uma transformação no padrão de consumo de produtos derivados do tabaco entre adolescentes brasileiros.
A experimentação de cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes ou pods, saltou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024. O crescimento é ainda mais expressivo quando analisado o uso recente, que passou de 8,6% para 26,3% no período, aumento superior a 300%.
O fenômeno ocorreu em todas as regiões do país, com maiores percentuais no Centro-Oeste (42%) e no Sul (38,3%). Os menores índices foram registrados no Norte (21,5%) e no Nordeste (22,5%).
Os dados mostram ainda que as meninas experimentam mais os dispositivos eletrônicos do que os meninos, com taxas de 31,7% e 27,4%, respectivamente. O uso também é mais frequente entre estudantes da rede pública (30,4%) do que na rede privada (24,9%).
Em contrapartida, houve queda na experimentação de outros produtos relacionados ao tabaco. O percentual de adolescentes que já fumaram cigarro comum recuou de 22,6% para 18,5%. Já o uso de narguilé apresentou redução mais acentuada, passando de 26,9% para 16,4%.
Segundo o IBGE, os dados sugerem uma possível substituição desses produtos pelo cigarro eletrônico, especialmente entre alunos de escolas particulares.
Acesso ao cigarro ainda ocorre com facilidade
Mesmo com a proibição da venda de produtos derivados do tabaco para menores de 18 anos, a pesquisa indica dificuldades na aplicação da legislação.
Entre os adolescentes que fumaram, 36,4% afirmaram ter comprado cigarros diretamente em estabelecimentos comerciais como lojas, bares, padarias ou bancas.
Além disso, apenas 3,1% relataram já ter tido a venda recusada por causa da idade.
Como foi feita a pesquisa
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar é realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e com apoio do Ministério da Educação.
A edição de 2024 ouviu 148.736 estudantes em 4.167 escolas públicas e privadas de todo o país, representando um universo estimado de mais de 12,3 milhões de jovens entre 13 e 17 anos matriculados no ensino Fundamental e Médio.
Os dados completos estão disponíveis no portal do IBGE.